Dia 06 de Fevereiro de 2026, o Clube de Jornalismo de Selmes traçou o objetivo de desvendar e fazer uma pequena homenagem à Sra. Maria José Acabado Quintão Pereira. Para isso entrevistámos uma das suas afilhadas, Maria Luísa Oliveira.
Maria José foi e continua a ser uma pessoa bastante influente na aldeia de Selmes mas, quem foi Maria José Acabado?
Nasceu a 25 de junho de 1915 e faleceu a 17 de fevereiro de
2017, com 101 anos, completando neste fevereiro, 9 anos de
falecimento.
“Ela era A MÃE, minha madrinha e dos meus irmãos.” –
Descreve Maria Luísa – “uma pessoa que fez muito pela aldeia, era
uma pessoa muito simpática com toda a população, em tempo de
ajudar oferecia sempre apoio.”.
Proprietária da Herdade das Cortes de Baixo onde residia, da
Courela da Sardinheira, da Herdade da Fareleira e ainda de
algumas vinhas em torno da aldeia.
Também proprietária do Palacete de Selmes, hoje em dia o
mesmo é mais conhecido por Mirante ou Casa do Povo.
O palacete, inicialmente, pertencia aos padrinhos-primos da
mãe de Maria José Acabado, o senhor era conhecido por lavrador
José Carlos e numa das salas do palacete encontrava-se frescos
com a aparência de José Carlos a cavalo. Mãe de Maria José,
Angélica, herdou a casa da madrinha e depois deixou-a para a filha.
No entanto, como Maria José Acabado já era proprietária da
Herdade das Cortes de Baixo, onde tinha a lavoura, achou por bem
o palacete ser utilizado pelo povo.
Maria Luísa relata que, Maria José nunca trabalhou por conta de outrem, tinha uma vida que lhe permitia dar e oferecer a quem mais precisava. Mostrando ser uma mulher de causa e que gostava de se envolver de certa maneira em questões sociais da aldeia.
Os almoços na cantina são uma das memórias mais vivas desses atos oferecidos por Maria José Acabado.
“Manuel Carapinha era o senhor que vinha levar os ingredientes para os almoços, vinham todos os dias, e depois fazia-se o comer lá na cantina”- relembra Maria Luísa, -“após a minha avó ter deixado de exercer funções no monte (herdade das cortes de baixo), também esteve lá a senhora Teresa Sobrinha” – tempo depois também esta deixou as funções – “nessa altura o comer passou a ser feito no monte, e um senhor
trazia as refeições já preparadas.”
Nessa altura, Maria José fez um pedido aos donos dos Montes na zona, para que contribuíssem mensalmente para a cantina, pois era necessário ingredientes e de uma mulher para cozinhar. Também conseguiu através de um familiar adquirir materiais para abrir um consultório médico funcional, onde um médico visitava a aldeia de tempo em tempo.
No palacete também existia uma sala, no piso superior onde poderiam jogar às cartas, bilhar, matraquilhos e damas. A oficina de teares, também trazida para a aldeia por Maria José Acabado, forma de oferecer às mulheres desempregadas uma ocupação extra para além das funções agrícolas sazonais; com participação de “Rosa Martins, Maria Benedita, Maria Isaura, Vicência Mata, Gertrudes Maltês, Jacinta Oleiro, Isabel Oleiro...”- dita Maria Luísa – “faziam mantas, tapetes...”.
“Durante a Páscoa, os miúdos iam todos ao monte tocar o chocalho, para celebrar a Aleluia. Quando lá chegavam tinham a comidinha já feita, fosse um borrego ou dois, tachos grandes! Muitos deles até já levavam a tigela e o garfo para comerem lá,
vinham sempre de barriga cheia. Com amêndoas e guloseimas que ela acareava.”
Após ter encerrado a oficina de teares e dos almoços na cantina deixarem de ser possíveis, Maria José Acabado fazia chegar alguns valores até à aldeia, para ajuda aos mais carenciados. Depois de este ato cessar possibilidade, a mesma resolveu doar o prédio, com esperança que fosse utilizado pela
população como abrigo ou lugar de aprendizagem.
Nos seus últimos momentos, apesar de ter o jazigo da família, onde se encontra
os padrinhos-primos José Carlos da Matta Carvalho e esposa e, também a sua mãe,
Maria José preferiu aceitar a oferta de Sr. Carlos Pinto que lhe ofereceu o talhão
mesmo em frente ao jazigo. Deduzimos que Maria José preferiu a simplicidade da terra, honrando a forma como viveu, retribuindo sorrisos calorosos
por onde passava. A sua campa é composta com uma decoração humilde tal
como o seu coração.
A sua história permanece nos corações dos que se lembram dela e dos seus atos ainda vivos e vincados no palacete que deixou às gentes da sua terra.
Maria José foi mãe, avó e bisavó, deixando um legado enorme não só pelas pessoas do mesmo sangue, mas também por todos aqueles que a admiraram e viram o seu coração puro.
Maria José Acabado Quintão Pereira, A MÃE de muitos,
na nossa lembrança por muito tempo!
Agradecimentos:
Deixamos aqui um agradecimento a Maria Luísa, por ter recebido o clube de
jornalismo tão calorosamente, e nos ter passado as suas vivências e
memórias.
Um muito obrigada a Maria Teresa Quintão Pereira, (filha de Maria José
Acabado), por ter autorizado que o clube de jornalismo fizesse esta pequena
homenagem a sua mãe. Obrigada também por nos ter dado mais informações
e detalhes sobre esta história. Esperamos que tenhamos feito jus a esta fração
da vida de sua mãe, Maria José Acabado.
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Guião: Entrevistadora: Luz: Câmara
Luísa Pestana Alice Capito Marta Carapinha Carlos Caipirra
Texto: Mariana Santana, Carolina Pires, Mariana Marujo, Nuno Molho, Nádia
Algarvio, Luísa Pestana, Marta Carapinha, Alice Capito
Imagens: Joaquim Oliveira (Facebook- Selmes e Selmeiros); Recolha
pelo próprio clube de jornalismo; E facultado por Maria Teresa Quintão Pereira
Fonte: Maria Luísa Oliveira, Maria Teresa Quintão Pereira
Equipa de apoio: Carolina Gatinho, Eva Raposo, Marisa Rato, Matilde
Santos
Aprovação da matéria: Maria Teresa Quintão Pereira (filha de Maria José
Acabado)