Em posição dominante sobre este trecho do litoral, constituiu-se em uma fortificação destinada à defesa do antigo ancoradouro da vila contra os ataques de piratas ecorsários, outrora frequentes nesta região do oceano Atlântico.
Fortificação abaluartada de pequenas dimensões, apresenta planta quadrangular. Eguida em alvenaria de pedra à vista, grosseiramente aparelhada, apresenta as juntas rebocadas e caiadas na parte superior da face interna.
No ângulo dos dois panos centrais ergue-se uma guarita de planta octogonal, recoberta por cúpula também octogonal.
Na passagem da parte inclinada para a parte superior, de faces verticais, ameada, desenvolve-se um "cordão".
No pano de muralha voltado a leste abrem-se três canhoneiras. Nos demais lados, apenas duas em cada um.
No contexto da Guerra da Sucessão Espanhola (1702-1714) encontra-se referido como "O Forte do Corpo Santo." na relação "Fortificações nos Açores existentes em 1710".
Pode ser um dos dois fortes referidos na vila de Santa Cruz em 1738:
- "(...) ajunto do porto barra aonde entram navios pequenos e fora da barra podem emquorar os navios que quizerem de alto bordo e 30 e 40 brasas de fundo, tem dois fortes com artilharia nas duas pontas do dito porto da barra e perto do portam [da vila] tem artilharia que se fecha o dito portam no veram (...)."
A "Relação" do marechal de campo Barão de Bastos em 1862, assinala que "Tem uma caza arruinada." e indica que se encontra entre os fortes na ilha "Incapazes desde muitos annos."
Encontra-se relacionado no "Catálogo provisório" em 1884, que informa: "No logar da Villa de Sta. Cruz, do mesmo nome do fórte onde ha um desembarcadouro pedregoso. Com quanto em máo estado e a casa é fechado e serve de fazer as honras do porto só com bandeira."
O mesmo autor, em sua "Memória descriptiva" ao final do século XIX detalhou a informação:
- "Capitulo 1.º– Descripção e historia da propriedade
- Na Villa e concelho de S.ta Cruz da Ilha Graciosa, districto administrativo de Angra do Heroismo, e que constitui o commando central militar dos Açôres, e no logar chamado do Corpo Santo ha uma bahia ou enseada para a defeza da qual se construio o Forte denominado do Corpo Santo. (...) É de forma exagonal, e montava 9 boccas de fogo como se vê da respectiva planta. Tinha no seu recinto uma pequena casa, e da qual só existem as paredes. Não ha monumentos certos da sua edificação, mas parece que já existia quando em 1710 o general Couto Castello-Branco inspeccionou as fortificações açorianas, segundo o Archivo dos Açôres.(a) Pertence á freguesia e Commarca de Sta. Cruz.
- Capitulo 2.º– Condicções de construcção
- As muralhas que olham ao mar foram construidas de basalto e tufo argamassado, o que lhe dava garantias de alguma solidez; porem a da góla é uma parede e que tem resistido por não ser batida pelo mar e estar abrigada pelas casas que lhe ficam proximas.
- Capitulo 3.º– Estado de conservação
- Está em pessimo estado, faltando-lhe parte do lagêdo que guarnecia as muralhas, e o existente está solto tendo-lhe cahido a argamassa em que assentava. As muralhas interiormente estão damnificadas bastante bem como as canhoneiras. As casas só tem as paredes e estas em máo estado. O fórte ainda se conserva fechado com um máo portão.
- Capitulo 4.º– Fim a que foi destinado e qual a sua actual applicação
- A defender o desembarque no porto da Villa. Actualmente está desartilhado, e conserva um portão ainda que máo por haver ali um páo de bandeira para se arvorar esta quando ali passam navios de guerra, etc. Está a cargo do commandante militar da Ilha.
- (...)
- Quartel em Angra do Heroismo, 20 de junho de 1885.
- Damião Freire de Bettencourt Pego C.el em comm.ão
Atualmente encontra-se em bom estado de conservação, e alberga um farolim e as instalações da Polícia Marítima.
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Fonte: Wikipedia