Vieira de Leiria
   
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Reorganização administrativa do território (Lei n.º 22/2012, de 30 de maio)
Freguesia: Vieira de Leiria

A Freguesia Vieira de Leiria não sofreu alterações

Distrito: Leiria
Concelho: Marinha Grande
 
Freguesia: Vieira de Leiria
CONTACTOS
 
Morada Largo Combatentes G Guerra, 6
Cód. Postal 2430-799 Vieira de Leiria
Telefone 244 695 343
Fax 244 691 709
Email geral@jf-vieiradeleiria.pt
Site www.jf-vieiradeleiria.pt

   

EXECUTIVO DA JUNTA
 
Presidente
Alvaro Pinto Cardoso
Secretário
Miguel Noraldo Parreira Diniz
Tesoureiro
David Gomes Henriques
 
 

 
Vogal
Ilidio Letra Faustino
Vogal
Maria de Jesus da Cruz Vitorino
ASSEMBLEIA DA FREGUESIA
 
Presidente
Rui Alberto Da Silva Rodrigues (PS)
Secretário
Maria De Lurdes Pedrosa Penela Sequeira (PS)
Secretário
Rui Jorge Caetano Da Silva (PS)
 
 
Restantes Elementos
Rui Miguel Filipe Miranda (CDU)
Carlos José Mendes Lourenço (PS)
Júlio Letra Tomaz (CDU)
Armando José Do Mar Alves Coimbra (MPM)
Vítor Manuel Ferreira Dinis (AD)
José Manuel Da Cruz Soares (Mais Concelho)
João Miguel De Almeida Carriço (MPM)
Cláudia Marisa Ferreira Constantino (PS)
Patrícia Isabel Costa Lopes César (CDU)
João Miguel Gregório Brito (PS)
 

DESCRIÇÃO DA FREGUESIA
 
Na década de vinte deste século, Aquilino Ribeiro anotava no "Guia de Portugal": "Vieira de Leiria, com as suas fábricas de vidro e de limas. Desce-se agora para os talhões das Eirinhas semeadas de picotas, e não tarda nada que se entre na mata nacional de Leiria. A 3,7 km da Vieira, a praia de Vieira, enorme. Mulheres por vezes muito belas e robustas pintadas de verde, de azul ou de zarcão". Se mestre Aquilino ainda fosse vivo e viesse hoje a esta freguesia, continuaria a ver o vidro e as limas ainda empregarem muitos dos seus habitantes. Mas na praia, encontraria muito poucas das características habitações de madeira. Sentiria no entanto, se fosse Verão, a doçura do calor na areia e no mar e, veria sempre o azul do céu por cima do azul do mar.
Já no nossos dias é José Saramago que se refere à freguesia na sua "Viagem a Portugal"."...O dia está luminoso, e vivíssimo de claridade, e já se sente o mar. Em Vieira de Leiria há uma Santa Rita de Cássia seiscentista, que o viajante vai espreitar e que por si mesma merece a visita. Aí está agora a praia da Vieira, toda aberta para sul, a foz do Lis logo acima. Há barcos na praia, de curvas e afiladas proas, os longos remos postos ao través, à espreita de que a maré favoreça e haja esperança de peixe".
A área desta freguesia é constituída por dois elementos geológicos. Um deles, representado por uma cobertura de areias de praia e de areias e dunas, ocupa toda a faixa litoral. Podem também ser incluídos neste conjunto moderno as aluviões do rio Lis. Na margem sul deste rio, entre as dunas do litoral, a faixa aluvial é muito estreita e os aluviões penetram numa depressão interdunar situada junto à praia de Vieira.
São estas condições especiais que a freguesia beneficia que permitem que haja alguma agricultura principalmente nos lugares de Bóco e da Passagem. Não sendo a lavoura uma actividade exclusiva, já que todos os agregados familiares possuem membros empregados na indústria ou no comércio, as explorações agrícolas não são de mercado mas antes de características familiares.
Em 1512 separou-se Monte Real da freguesia de S. Tiago do Arrabalde e constituiu com os seus moradores uma nova freguesia, de que também fazia parte Carvide e Vieira.
Em 1632 o Bispo de Leiria separou de Monte Real o lugar de Carvide que se constitui em nova freguesia à qual ficou pertencendo Vieira que por sua vez se desanexou daquela em 1740, constituindo-se em freguesia.
A primeira referência documental ao nome da freguesia só aparece em 1527 no "Cadastro da População do Reino": "aldea de Carvide cõ casaes da Vieira e da Pasagem, 30". Significa que por aqui existiam 30 fogos correspondentes a uma população estimada entre 100 a 135 habitantes. Crê-se que o crescimento desta zona tenha tido lugar a partir daquela época. É que, como diz o "Couseiro" ou Memórias do Bispado de Leiria "no logar da Passagem está uma ermida, da invocação de Nossa Senhora da Ajuda, feita no anno de 1614". E "outra no logar da Vieira, da invocação de Nossa Senhora dos Milagres, imagem de vulto, feita no anno de 1615". A construção desses templos é um indício bastante para acreditar no certo grau de desenvolvimento atingido pelas duas povoações.
E essa confirmação surge no século XVIII com sinais de que Vieira de Leiria regista um crescimento paralelo ao intensificar da exploração do Pinhal. Dá-se então a criação da freguesia e dezoito anos depois, já existem 200 fogos e 600 moradores.
As principais ocupações da população estavam ligadas à mata, com especial destaque para o corte e serração de madeira e para o fabrico do pez. Existe documentação coeva que permite concluir que esta freguesia suplantava quaisquer outras localidades da periferia do pinhal que eventualmente também tivessem a serração braçal como actividade dominante. Em 1767 é inaugurada a igreja matriz de Vieira, mas em 1783 é feito um novo arco na capela-mor por se considerar demasiado pequeno o inicial. O cura era da apresentação da mitra.
O século XIX marcaria novos contornos no desenvolvimento de Vieira polvilhando-o de altos e baixos. Primeiro, as obras de regularização do leito do Lis, depois a Invasão Francesa de 1810. Fugindo diante dela, o povo refugiou-se no Pinhal do Rei, onde escondeu os haveres que conseguiu transportar. O que não foi possível levar foi destruído ou enterrado. Mas o saldo desta invasão foi muito desfavorável para os Vieirenses. Quase metade da população foi dizimada por epidemias e mais de metade das casas foram destruídas ou danificadas pelos franceses.
Com a chegada do século XX, a Vieira vai-se tornar protagonista de uma das mais singulares migrações internas que Portugal conheceu — a dos "avieiros". O agravamento das condições de vida dos pescadores, aos quais a vila nada mais tinha para oferecer para além de um inverno rigoroso e muita fome, criou um grande fluxo migratório em direcção ao Tejo. Grandes comunidades de avieiros se foram estabelecendo junto das vilas ribeirinhas, encaminhando-se depois, para o tráfego comercial fluvial e terrestre. As maiores movimentações terão ocorrido entre 1919 e 1939. Durante décadas esta gente dividiu a sua vida entre o verão em Vieira e o inverno no Tejo, entre a arte xávega da sardinha e a arte varina do sável. Mas chegou o dia em que deixaram de regressar durante o Verão. E para sempre ficaram ligados à história do Tejo, os homens de Vieira, os avieiros.
 
 
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