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Distrito: Madeira
Concelho: Santana
 
Freguesia: Faial
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Morada Sítio do Lombo Lourenço
Cód. Postal 9230-059 Faial
Telefone 291572444

   
ÁREA GEOGRÁFICA(km2) 2.26

EXECUTIVO DA JUNTA ASSEMBLEIA DA FREGUESIA
 
Presidente Raúl Emanuel Freitas Duarte
Secretário Marta Luisa Gouveia Freitas Carvalho
Tesoureiro António de Sousa
 
Presidente José Manuel Sousa Mendonça
Secretários João Henrique Ferreira Gomes/ José Rodrigues Nobrega
Restantes
Elementos
João Vieira
Manuel Catanho da Silva
Samuel Pires Gomes
Maria Gorete Catanho Silva
David José Sousa Caldeira
José Manuel Mendes Silva

DESCRIÇÃO DA FREGUESIA
 
Personalidades da freguesia

Dr. João Catanho de Menezes - Natural da freguesia do Faial, aqui nasceu a 17 de Abril de 1854 e, de 1874 a 1879, frequentou a Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, onde se licenciou em Direito. Teve banca de advogado em Lisboa, onde conquistou um lugar de destaque, dedicando-se à advocacia de uma forma apaixonada. Progressista, representou a Madeira nas Cortes em 1890, 1897 a 1899, 1900, 1905 a 1906, abandonando o partido em 1907.
Com o advento da República, filiou-se no Partido Democrático e, em 1914 foi presidente da Câmara Municipal de Lisboa e, em 1915, foi Ministro da Justiça no governo presidido pelo Dr. José de Castro, saindo do Governo logo que foi declarada guerra a Portugal pela Alemanha, em 1916. No entanto voltaria à pasta da Justiça de Fevereiro a Dezembro de 1922, de Julho a Novembro de 1924 e de Agosto de 1925 a 28 de Maio de 1926.
Entrou como deputado para o Parlamento republicano em 1915, sendo eleito leader dos Democratas, transitando depois para o Senado, onde igualmente foi leader durante seis anos, até ao 28 de Maio de 1926. Passou então à advocacia, vindo a ser indicado pela Câmara de Lisboa para árbitro na questão do preço da luz eléctrica, em 1931 e o lugar de presidente do conselho superior disciplinar da Ordem dos Advogados.
Veio a falecer em Cabeço de Montachique, a 16 de Maio de 1942.
Uma das antigas tradições da freguesia do Faial constitui no disparo dos velhos canhões do séculos XVIII e XIX existentes no velho forte decorativo da quinta Catanho de Meneses. O Dr. João Catanho de Meneses (1854-1942) foi um célebre político e advogado ligado ao partido progressista dos inícios do século, tendo ocupado por três vezes a pasta da Justiça. Na sua sequência, o seu filho homónimo, ocupou várias vezes o lugar de deputado do partido socialista nas recentes legislaturas da Assembleia Nacional, até ao seu falecimento.
Nos inícios do século XX, esta família reuniu alguns canhões de ferro abandonados na costa Norte no forte/mirante da sua quinta. Estes antigos canhões, predominantemente ingleses, eram provenientes de embarcações desmanteladas e, com o tempo, passou a ser perigoso fazê-los disparar, pelo que, por questões de segurança, se suspendeu a velha tradição. No entanto, em 1998, utilizando-se cargas de pólvora mais fracas e depois de terem sido testadas as suas condições pela equipe militar de salvas de Artilharia, os velhos canhões voltaram a disparar.O velho forte foi entretanto classificado como valor local e alvo de uma recuperação geral pela Direcção Regional dos Assuntos Culturais, refazendo-se as carretas de artilharia, dentro do modelo de marinha e sítio, das várias bocas de fogo. Todo o empedrado em calhau rolado madeirense foi refeito, assim como consolidadas as paredes e a muralha e reparada a casa de apoio central, então dotada com uma pequena exposição de fotografias de gravuras antigas da área, acompanhadas com um pequeno historial da família Catanho de Meneses.

Padre Dr. César Teixeira da Fonte - De 1 de Março de 1930 a 29 de Novembro de 1938, paroquiou o Faial, acumulando a partir de 1934 as duas freguesias, o padre Teixeira da Fonte, advogado, o qual chegou mesmo a adquirir diversos paramentos e alfaias para a sua igreja, um relógio para a sacristia, promovendo ainda diversos melhoramentos no templo, gastando com tudo isto cerca de cem contos do seu património, o que à época era uma verba avultada.
Nascido na Calheta, a 29 de Setembro de 1902, frequentou o Seminário do Funchal e depois a Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, desempenhando funções de sacerdote nas paróquias de Câmara de Lobos, Porto Santo, Calheta, Faial e São Roque do Faial. Ao padre Teixeira da Fonte, sucedeu como vigário da paróquia do Faial o padre Florentino Augusto de Sá, natural de Gaula e depois pároco da Assomada, no Caniço, na sequência do incêndio que destruiu a igreja matriz do Faial.
Quando o governo central promulgou o decreto de 4 de Junho de 1936, fundando a Junta de Lacticínios da Madeira, levantou-se uma forte reacção popular que deu origem à chamada “revolta do leite”, que alastrou pela costa norte da Ilha. A criação de um monopólio na indústria de lacticínios, tal como já se tinha verificado em relação às farinhas, não poderia ter outro caminho e desfecho.
O padre César Teixeira da Fonte, dentro da sua função de pároco, colocou-se ao lado dos seus paroquianos, sendo preso com eles, a 11 de Setembro de 1936. Passou assim alguns meses no lazareto do Funchal e depois na prisão de Caxias, em Lisboa. Ainda regressou à sua paróquia, em meados de Janeiro de 1938, mas a breve trecho, um ano, optava por regressar ao continente e matricular-se no Curso de Direito, que terminou a 21 de Julho de 1943.
O padre Dr. Teixeira da Fonte fixou-se entretanto no Continente onde, com o munus sacerdotal em S. Sebastião da Pedreira, em Lisboa, exerceu também a advocacia, dentro do apostolado que sempre norteou a sua vida. Escreveu e publicou Todos Cantam, 1924, A Prisão de um Padre Católico. Um Brado de Justiça, 1937, O Estado de Necessidade em Direito Criminal, 1943. Faleceu em Lisboa, a 18 de Junho de 1989.

Alfredo de França - Nasceu na freguesia do Faial, a 14 de Dezembro de 1883 e era filho de Alfredo Abel de França. Frequentou a faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, não chegando o tomar o grau de bacharel e, quando estudante, publicou, em verso, os opúsculos “Poema Rubro”, “A Imagem” e “O Pajem”. Colaborou depois em diversos jornais, sendo redactor do jornal “O Século”, de Lisboa e foi funcionário do antigo Ministério das Colónias. Alfredo de França era filiado na Maçonaria. Com o pseudónimo de Abel Moreno publicou os opúsculos já referidos, respectivamente em 1904, 1905 e 1906. Um outro trabalho intitulado “Coimbra” foi publicado em 1906 e levado à cena pela primeira vez, no Teatro do Príncipe Real, em Coimbra, na noite de 15 de Dezembro de 1906 e O Pajem, com versos receitados por Araújo Correia, foi apresentado na festa artística, na noite de 26 de Janeiro de 1907, também em Coimbra. Colaborou também nos jornais A República, Heraldo da Madeira, Diário da Madeira, Sempre Fixe, Diário de Notícias, do Funchal, Almanaque de Lembranças Madeirense, Revista Literária e outros.

Poetisa D. Joana da Piedade Velosa Castelo Branco - Nasceu na Freguesia do Faial, a 23 de Junho de 1856 e faleceu em Lisboa, a 3 de Novembro de 1920. Era filha de Caetano Veloza de Ornelas Castelo Branco e de D. Maria Rosa de Freitas. Fixou residência em Lisboa, onde era funcionária dos Correios. Colaborou em prosa e verso em diversos jornais e publicou em livro As minhas flores, Lisboa, 1905 e Flutuações, também em Lisboa, 1910. Tem ainda versos no Álbum Madeirense, 1884, e Álbum Literário, 1885.

Dr. João Albino Rodrigues de Sousa - Na antiga Escola Médico Cirúrgica do Funchal, formaram-se os seguintes médicos de Santana:
Exerceu clínica em Santana, ocupando depois o lugar de segundo Tesoureiro da Junta Geral do Distrito. Formou-se em 18016. Grande proprietário no Concelho, foi industrial de lacticínios e pugnou junto dos poderes públicos pelos interesses do Faial.

A Casa do Povo do Faial
A Tuna da Casa do Povo do Faial.(em construção)


A festa da Anona.

A ideia da festa da anona nasceu em 1990, através de uma comissão de produtores da freguesia do Faial, que queriam ver os seu produto exposto e assim chamar a atenção dos madeirenses em geral e, igualmente, das entidades oficiais responsáveis por este tipo de produção, que representa cerca de 30 % do global dos frutos subtropicais da Ilha e que tem tendência a subir. A dificuldade foi para a primeira edição, encontrando-se já com 10 edições, uma por ano, passando a expor-se para além dos frutos, alguns dos seus derivados, como licores, pudins, gelados e batidos.
A ideia inicial era a rotatividade deste evento, pelas várias freguesias e localidades com interesses na produção da anona, mas com o empenhamento da junta de freguesia do Faial e a canalização para a Junta dos vários apoios, acabou por ficar de forma definitiva ligada ao Faial.
O programa da 3ª Exposição da Anona, a 14 de Março de 1993, por exemplo, teve início logo pela manhã, com a recepção às entidades oficiais pela Filarmónica do Faial. Seguiu-se a missa e a visita aos stands dos cerca de uma centena de expositores ali reunidos. Após a intervenção do secretário regional da Agricultura, Bazenga Marques, actuaram as tunas "Rosa Florescente", do Faial e "Flores de Maio", oriunda do Porto da Cruz.Dinamizado pelo INATEL teve lugar mais uma edição das "anoníadas". Tratou-se de alguns jogos alusivos ao tema, seguidos de uma prova pedestre, depois do que actuou o Grupo Folclórico de Santana, recordando os tradicionais arraiais. Seguiu-se então a atribuição de prémios, depois de devidamente seleccionados os frutos que reuniam as condições pretendidas. A Filarmónica do Faial, novamente, antecedeu a presença de um conjunto musical que actuou depois das 18.30 horas

A Associação Desportiva e Cultural do Faial
O festival da canção do Faial.

O Festival da Canção do Faial começou nos inícios da década de 80, numa iniciativa da Associação Desportiva e Cultural do Faial, com o apoio da então directora regional da Juventude e depois dos Assuntos Culturais, Dr.ª Manuel Aranha. A organização visava prioritariamente a juventude da terra, incentivando o aparecimento de novos valores no campo da poesia e da música. A iniciativa acabou por se repetir ao longo de quase 20 anos.
Para muita gente o Festival passou a ser a oportunidade de poder subir a um palco e enfrentar uma plateia, para outros, os emigrantes, foi uma maneira de voltar à sua terra, desfrutando de um espectáculo inovador, que passou a utilizar como pano de fundo as ruínas da velha ponte do Faial, os três arcos que restam da construção de 1904 e, em segundo plano a magnífica estrutura da nova ponte de 1985-86.
Em 1999, por exemplo, decorreu em Agosto o XVIII Festival da Canção do Faial, que foi apresentado a 16 daquele mês. A organização pertenceu à Associação Desportiva e Cultural do Faial, com o apoio da Direcção Regional dos Assuntos Culturais, Câmara Municipal de Santana, Junta de Freguesia e Casa do Povo locais, INATEL, Direcção Regional da Juventude, Diário de Notícias, entre outras instituições.A presidente da direcção da Associação Desportiva e Cultural, Dr.ª Hiolanda Vieira apresentou a 18ª edição, tendo a seu lado o presidente da assembleia geral, Dr. Rui Abreu, com 12 canções seleccionadas, sendo a cenografia de José Leandro e sonorização da Prosom.
O festival decorreu no dia 21 no pavilhão polivalente, iniciando-se pela apresentação de uma pequena peça de teatro pelo grupo Nova Geração, “As Paranóias do Novo Milénio”, seguindo-se a Tuna da Casa do Povo do Faial, que apresentou algumas peças do seu reportório. Seguiu-se um número de dança pelos Nova Geração e ainda o trecho vencedor do ano anterior, a que seguiu então o desfile das 12 canções da versão de 1999. Venceu a canção apresentada em último lugar, “Num sonho”, com letra de Lara Nóbrega, música de João Luís Mendonça e interpretação de Vânia Fernandes, também distinguida com o prémio de “Melhor Intérprete”.


A Banda Filarmónica do Faial
Tal como quase todas as freguesias da Madeira, também a do Faial fundou nos finais do século XIX a sua banda, então como Banda Filarmónica Recreio União Faialense. A fundação efectuou-se em 1895, em princípio, no dia 1 de Dezembro daquele ano. Citam-se entre os fundadores Joaquim Francisco de Freitas e João Xavier de Freitas. Colaboraram ainda neste inicial projecto o Dr. João Albino Rodrigues de Sousa, importante proprietário e ao qual se ficou parte da organização, Júlio Teixeira, Manuel Marques Barcelos e o Dr. João Catanho de Meneses. A banda ensaiava nos inícios do século num velho engenho da família Catanho de Meneses, ao sítio da Banda dos Moinhos.
Conhecemos o “Contrato de Aprendizagem”, datado de 21 Fevereiro de 1897, efectuado na freguesia do Faial, comarca de São Vicente, no sítio da Igreja, na morada do tabelião Jacinto da Silva Meneses e sendo juiz, Carlos João de Sousa, que nos facultado pelo Dr. Marco Gonçalves, ao qual muito agradecemos.
O contrato foi estabelecido entre a Filarmónica e o “mestre Frederico José Della-nave”, músico, morador à rua das Pretas, na freguesia da Sé do Funchal, comprometendo-se o Mestre a é obrigado a “ensinar a sua arte da música instrumental para a banda marcial” a quase 20 aprendizes, “por um ano diariamente (excepto ao Domingo), mediante um vencimento de 15 mil reis”. O Mestre fornecia “à suas custa o papel e a música necessária para a organização da banda” e devia “empregar todo o seu zelo e solicitude pelo adiantamento dos aprendizes”.
Faltando às suas obrigações, perderia “o direito a toda a música que haja fornecido à sociedade” e pagaria uma multa de 50 mil a 100 mil reis. Por outro lado, “Se a sociedade faltar às obrigações, a música ficará na posse do mestre”.
Curiosamente, o contrato abre com a listagem de todos os aprendizes e a sua morada. Temos assim, Joaquim Francisco de Freitas, artista, casado, do sítio do Lombo do Lourenço, João Dias dos Ramos, solteiro, da Terra do Baptista, freguesia do Porto da Cruz, Manuel Marques Barcellos (um dos fundadores ?), solteiro, lavrador, do Lombo do Lourenço, Júlio Teixeira da Silva, lavrador, solteiro, do Lombo de Cima, Joaquim de Sousa de Freitas Júnior, casado, lavrador, da Banda dos Moinhos, Manuel de Freitas de Gouveia, solteiro, do sítio do Pico do Guindaste, Germano Gomes Camacho, casado, lavrador, do Lombo de Cima, José Reinaldo, solteiro, lavrador, do Lombo de Baixo, António de Sousa de Freitas, casado, lavrador, do sítio da Banda dos Moinhos, José Daniel Lopes, casado, lavrador, sítio da Longueira, António Mendes, casado, lavrador, sítio do Guindaste, e António Fernandes da Silva, casado, lavrador, do Pico do Cerro Gordo, freguesia de São Roque Faial. O contrato acrescenta aqui “sendo os outros lá do Faial”.
O contrato continua com José Fernandes da Silva, casado, lavrador, do sítio do Pico do Cerro Gordo, e uma série de menores solteiros, com a indicação da autorização dos pais: Manuel Teixeira Brasão, solteiro, menor, autorizado pelo pai Manuel Theodoro Teixeira Brasão, casado, lavrador, do Lombo de Cima da freguesia do Faial, João Reinaldo, também solteiro, menor, autorizado pela mãe Augusta Correia, do Lombo de Baixo, Daniel Joaquim de Freitas, autorizado pelo pai, mas não referido, João Manuel Xavier de Freitas, autorizado pela mãe Maria Rosa, viúva, do sítio das Covas, Joaquim de Freitas de Jesus, autorizado pelo pai Manuel Freitas, lavrador também do sítio das Covas, freguesia do Faial, e João Catanho da Silva, autorizado pelo pai José Catanho da Silva, ambos “lavradores e moradores no sítio da Banda dos Moinhos”.
Assim, foram regentes desta Filarmónica depois do mestre Frederico José Dellanave, por vezes também referido como sargento músico, os sargentos músicos Gualberto, João da Costa Ramiro, Ângelo Serrão, Manuel Nascimento, João de Freitas Mendonça, João Pinto Oliveira Rocha e os professores Crisóstomo do Livramento e António Augusto de Freitas. Em 1958 era presidente da Banda o Sr. Joaquim Candelária e regente, o 1º sargento músico Ulisses Teixeira. Por essa data e segundo a Voz da Madeira, a banda contava com um efectivo de 20 executantes e 15 aprendizes. Segundo o mesmo jornal, “Esta banda não recebe qualquer subsídio oficial e vive exclusivamente do esforço pessoal dos amadores e dos executantes e da generosidade da população Faialense a quem recorre quando periclita a sua manutenção e existência. Tanto os executantes como os aprendizes empregam-se exclusivamente nos trabalhos agrícolas. É de justiça destacar a dedicação dos Srs. José Gonçalves Valente, presidente da Assembleia geral, José Silva Presidente da Direcção, Avelino Gomes, secretário, Álvaro Mendonça, tesoureiro, Joaquim Candelária , Manuel Filipe, etc.”.
Foram entretanto directores desta colectividade os Srs. João Gonçalves, José Silva, Avelino Gomes, Álvaro Mendonça, Joaquim Candelária, Manuel Filipe, Dr. Simão entre outros.
A banda ensaiou pelos meados do século em instalações cedidas gratuitamente pela família do Dr. João Catanho de Meneses e as suas actuações decorriam essencialmente nas festividades locais, embora algumas algo distantes, existindo fotografias, por exemplo, da banda no Pico Ruivo, em 1935, a caminho do arraial do Curral das Freiras, deslocação então efectuada a pé. A banda reunia-se ainda em outro tipo de festividades, com a chegada de alguns emigrantes de renome da Freguesia, como em 14 de Março de 1948, quando regressou à sua freguesia, vindo do Brasil, J. F. da Silva.
A Filarmónica do Faial estendeu logo de início a sua acção às freguesias vizinhas, citando-se em 1958 que, “no Porto da Cruz, conta também com numerosos amigos entre os quais os Srs. Dr. Simão de Sousa, António de Sousa Alcides de Oliveira, Gregório Rodrigues”. Também segundo o mesmo periódico, “esta banda tem atravessado períodos prósperos e de decadência. Há poucos anos durante a regência do saudoso Sargento Música Oliveira Rocha, marcou esta instituição lugar de destaque entre as filarmónicas congéneres”.
A Banda comemorou em 6 de Dezembro de 1970, o seu 75ª. aniversário, com um almoço de confraternização na Casa de Chá do Faial. Sendo então presidente da Direcção da mesma Banda, o pároco da freguesia, padre Isidro Rodrigues, a anteceder o almoço, celebrou-se pelas 11 horas, na igreja paroquial do Faial uma missa solene, à qual assistiram o presidente da câmara de Santana, Manuel Mateus Lourenço de Gouveia, directores, simpatizantes e executantes.
O almoço que depois se realizou, “e que decorreu em ambiente de sã alegria e convívio”, como refere a comunicação social, foi presidido pelo presidente da edilidade que, “ao doce, pronunciou um importante discurso finalizando por fazer votos pelo engrandecimento e prosperidade da colectividade recreativa e cultural do Faial”. Antes, porém, o presidente da banda e pároco da freguesia, congratulou-se com os 75 anos de existência da banda, prestando homenagem a todos os que têm contribuído para a sua existência.

As comemorações do Centenário da banda do Faial.

A banda do Faial consta hoje de cerca de 25 elementos e uma escola de aprendizes, com dois monitores, integrando já como quase todas as restantes bandas regionais, elementos masculinos e femininos. A direcção actual tomou posse em 1988 e é constituída pelos senhores António Candelária, como presidente, Dr. Rui Abreu, como vice, Arnaldo Teixeira, como presidente da assembleia geral e José de Nóbrega, como tesoureiro. O seu regente é o professor João Carlos Teixeira. Esta direcção tem desenvolvido um amplo trabalho no reactivar da banda, de acordo com as suas centenárias tradições, conseguindo já a instalação em sede própria, ao sítio da Igreja.
A banda deve igualmente ainda a sua existência a uma série de beneméritos faialenses, já citados, como Joaquim Francisco de Freitas, um dos fundadores da banda, depois emigrante no Havai e no Brasil; o Dr. João Albino Rodrigues de Sousa, advogado da 1ª metade do século e presidente da câmara de Santana; Manuel João Teixeira, um dos directores da banda também nos meados do século; e Joaquim Freitas Candelária Júnior (11.9.1897; 10.11.1989).
Este último incansável dirigente, a quem a Banda deve, em parte, a sua continuidade, foi alvo de uma homenagem em 18 de Outubro de 1987 em que participaram para além dos actuais corpos directivos, membros do Governo Regional, da câmara municipal de Santana e da junta de freguesia do Faial. Nesta homenagem, foi apresentada uma partitura da autoria do professor Manuel Esteves, criada propositadamente em honra do maestro e posteriormente tocada no encontro de bandas madeirenses da Ribeira Brava, assim como foi instituído um prémio designado "Joaquim Candelária", destinado a estimular as bandas musicais madeirenses.
Nas comemorações dos seus 100 anos, a banda deslocou-se à ilha de São Miguel, nos Açores, para uma série de sete concertos, resultantes de um intercâmbio com a banda dos Arrifes daquela Ilha e com o apoio do INATEL da Madeira e dos Açores. A Banda foi acompanhada por uma pequena comitiva constituída pelo seu presidente da assembleia geral, um representante da câmara de Santana, o presidente da junta de freguesia do Faial e ainda o Dr. Manuel Luís de Andrade, um colaborador da Banda.

A central Hidroeléctrica da Fajã da Nogueira
O edifício desta nova Central hidroeléctrica está localizado na margem esquerda da Ribeira da Ametade, a 620 metros de altitude, sobranceira à Levada dos Tornos, na freguesia do Faial. As águas que alimentam esta Central, cuja câmara de carga está estabelecido em extensa galeria subterrânea, são as das antigas levadas da Serra do Faial, Juncal e Accionistas e da Serra de São Jorge, implicando a, utilização das águas desta última, a perfuração dum túnel, aos mil, metros de altitude, sob o maciço do Pico Ruivo, com cerca de 2.400 metros de comprimento, ligando o Caldeirão Verde, na Ribeira de S. Jorge, com a origem da levada da Serra do Faial, na Ribeira Seca. No Pico da Nogueira está localizada a principal câmara de carga.
Em 1966, foi lançada a primeira empreitada - terraplanagens e obras de arte da estrada de acesso à central - aproveitamento hidroeléctrico da Fajã da Nogueira, obra registada sob o número 11, intercalada no aproveitamento hidro-agrícola do Funchal a Santa Cruz, central esta inaugurada em 1970, pelo Chefe do Estado. As águas turbinadas por esta Central são depois conduzidos pela Levada dos Tornos, obra número seis, para o regadio dos terrenos da encosta sul da Ilha, a leste do Funchal.
A câmara de carga tem a capacidade de cerca de 9.400 metros cúbicos no seu nível máximo e a água subterrânea cai de 348 metros através de uma conduta implantada sobre a encosta, com o desenvolvimento de 604 metros e o diâmetro de 600 mm.A Central Geradora é dotada de dois grupos, com turbina Pelton, de 1.680 CV cada. Um reservatório de 7.900 metros cúbicos de capacidade recebe a água das turbinas. Dele derivam as águas para a Levada dos Tornos e zona de rega Funchal-Santa Cruz. Do norte da Ilha, alimentam a Central as águas transportadas através de grandes túneis de 2.500, 4 5(>0, 730 e 1.500 metros, os quais constituem a referida obra hidroeléctrica número seis.
Duas linhas de transmissão saem da Central da Fajã da Nogueira, destinadas à subestação da Cidade do Funchal, a 30 KV, com o desenvolvimento de 12 quilómetros, e uma outra de 6,6 KV, para o posto de seccionamento do Lombo do Faial.
As pontas do diagrama da rede que a Central se destinou a cobrir são as quedas úteis de 338,6 m. e 345,4 m., para cada um dos dois grupos que compõem a principal câmara de carga da Central. Estes dispõem segundo o maior eixo do edifício, as características seguintes:
Turbina Pelton, de um só jacto, de 1.860 CV - 1.000 r.p.m. - alternador, de 1.440 KVA (cos =O,8), 6,6 KV. Transformador trifásico, de 1.440 KVA - 6,6/30 KV. A montante de cada turbina, a conduta é dotada de uma válvula de segurança - de 340 m.m. - tipo de guilhotina, com desvio lateral, comandada por servomotor hidráulico e manual de recurso. A turbina tem regulador automático. de, velocidade. Os dois transformadores, respectivamente de 1.440 KVA e 300, KVA, imitados, em sala própria, com galeria inferior comum para ventilação e escoamento do óleo, em caso de derramamento, transmitem energia pela linha de transmissão rural de 30 KV, e 6,6 KV. A sala da aparelhagem encontra-se sob a sala dos transformadores.
A obra que custou mais de cinquenta mil contos é da Comissão Administrativa dos Aproveitamentos Hidráulicos da Madeira, cujo projecto e órgãos vários são de autoria do Eng. Civil Armando da Palma Carlos; os estudos arquitectónicos do Arquitecto Chorão Ramalho; a estrada de acesso à Central do Eng. Abel da Silva Vieira e as empreitadas de António Francisco dos Reis e António Pereira Camacho. A perfuração do túnel da Câmara de Carga de Tomás Fernandes de Oliveira e as moradias do pessoal em serviço na Central do empreiteiro José Cardoso.

A Electricidade
O Faial, S. Roque do Faial e Santana tiveram electricidade inaugurada em Novembro de 1957 e só em 1959, foram electrificadas as restantes freguesias do concelho de Santana ou sejam, S. Jorge e o Arco de S. Jorge.
Realizaram-se obras de hidráulica agrícola e de electricidade no sitio da Fajã da Nogueira, freguesia do Faial, e a construção de uma central, para reforço da hidráulica e energia eléctrica a toda a ilha, obras essas que ficaram prontas em 1970, custando cerca de cinquenta mil contos. Do respectivo projecto, trabalhos e inauguração consta uma comunicação à imprensa do Funchal, que foi publicado em 21 de Junho de 1968, data em que os trabalhos foram oficialmente visitados pelas principais autoridades do Distrito, como a seguir se verá, da transcrição retirada do Diário de Notícias do Funchal daquela data.
Nesta zona foi também, primeiramente construído e inaugurada a primeira fase da estrada de ligação entre as freguesias do Concelho de Santana, nomeadamente o troço compreendido entre a Achada do Cedro Gordo e o sitio do Pau Bastião, o qual se verificou em 30 de Junho de 1935.
Este primeiro troço de estrada distrital, construído sob a égide do Estado, veio substituir os velhos caminhos regionais construídos ou consertados há mais de cem anos, no tempo do Governador e Conselheiro José Silvestre Ribeiro, em 1848, como mais adiante se verá.
Em 1935, era Presidente da Junta Geral do Distrito o felacido Dr. João Abel de Freitas, Governador Civil da Madeira, o Dr. Juvenal de Carvalho, Governador Militar o Coronel Carlos Gonçalves Marques, os quais assistiram à inauguração desse novo troco de estrada distrital e rural, mandado construir pelo nosso primeiro Corpo Administrativo, que é a Junta Geral do Funchal.

As Levadas
No sítio dos Lamaceiros, a 3 quilómetros da igreja do Santo da Serra, juntam-se as águas de diversas levadas, nomeadamente a da serra do Faial. Nesta freguesia existem ainda as levadas das Cruzinhas, Água de Alto e a das Queimadas.
Já em 1817, Paulo Dias de Almeida, na sua Descrição, que já transcrevemos, referia:
“É na extremidade desta ribeira (do Faial de) onde antigamente tiraram a grande levada do Ribeiro Frio, e que hoje apenas leva um terço da primeira quantidade. Os cortes das madeiras pelas rochas por onde esta levada passa, é que têm sido a causa das quebradas, e estas têm arruinado em muitas partes a levada. Se tentassem reedificar a mesma levada, e tornarem a reunir as águas perdidas, seria dispendioso, porém merece tudo pelo aumento que vai dar à cultura das freguesias por onde passa. Ela corre pelos altos das freguesias do Faial, do Porto da Cruz, alto de Santo António da Serra, e daqui pode ir a Santa Cruz, altos de Machico até ao Caniçal, onde têm muita necessidade de água, e por isso têm afrouxado a cultura em grande parte”.
Pouco tempo depois, em 1839, a Levada do Ribeiro Frio encontrava-se em reformulação. Saliente-se que, então esta área pertencia à freguesia do Faial, mas actualmente já pertence à de São Roque do Faial. Também na Ribeira da Laje, que tem seu começo na freguesia do Faial, encabeça uma levada, que rega terrenos numa vasta zona que se estende até Santa Cruz.
O Diário de Notícias de 25 de Junho de 1911 historiava da seguinte forma a levada do Faial:
“Posta de parte, relativamente à irrigação das freguesias de Santa Maria Maior, S. Gonçalo e Caniço, a levada dos accionistas, porque como o dinheiro não apareceu, a água não pode correr até cá e deixou-se ficar por Santa Cruz, foi elaborado por ordem do Governo um novo projecto que é propriamente da Levada da Serra do Faial, destinada a trazer ao Sul as águas da antiga levada da Fajã dos Vinháticos e de outras nascentes captáveis para este efeito”.
A obra servia para as irrigações do Faial e Santana tinha por base um trabalho do engenheiro Adriano Trigo, “com planta chorographica anexa”, como refere o articulista e partia do pressuposto que primeiro era necessário compensar as perdas que aquelas freguesias iam sofrer, e assim foi feito, tirando o lanço de S. Jorge que teve de encabeçar com a antiga levada da Fajã dos Vinháticos.
Em 1875 estava elaborado o projecto das obras e, em 28 de Agosto de 1901, foi inaugurado o lanço de S. Jorge. Ficaram pois, livres para o Estado, as nascentes da Serra do Faial e no ano seguinte, em Setembro, inaugurava-se também a entrada das águas da Serra do Faial nas três freguesias a que tinham sido destinadas.
A levada da Serra do Faial teve inicio no ano de 1877, levando por conseguinte um espaço de 28 anos para a sua realização. A parte nova desta levada abrange dois lanços: o das nascentes da Serra do Faial até à Ribeira das Lages, na extensão aproximada de 6 kilómetros e o da Camacha, que partindo do Santo da Serra vem ter ao caminho do Meio na extensão de 22 kilómetros e meio. O lanço do Juncal e Furado, intermediário destes dois, desde a ribeira das Lages até à Adufa Ellicot, que fica nas proximidades da ribeira de Santa Cruz, teve apenas de sofrer reparações, embora importantes, num trajecto que mede cerca de 19 kilómetros.
O projecto desta obra foi orçado em 140 contos de réis e, com o primeiro orçamento suplementar aprovado em 1888, aquela soma subiu a 200 contos. Em 1903, além destas importâncias havia a acrescentar mais a de quase 20 contos, chegando-se a um total de despesas no valor de 220 contos. A levada terminou a sua construção num custo de 273 contos.
O Porto
O Faial tem porto de mar que é tido como mau desde as descrições de Gaspar Frutuoso, no século XVI e Paulo Dias de Almeida, no século XIX, entendendo-se como porto o calhau da foz da ribeira, onde até muito recentemente os barcos encalhavam. Nos inícios do século XX foi a foz da ribeira melhorada com um pequeno porto de mar e um cais construído na Pedra da Pescaria, de que tomou o nome. Na obra de Adolfo Loureiro, Os portos marítimos de Portugal e Ilhas Adjacentes lê-se que o projecto deste cais foi elaborado pelo Sr. José Maria Fragoso e executado de 1903 a 1905. Para esta obra concorreu generosamente o visconde de Cacongo com a quantia de 1:000$000 reis.

Pontes
Uma das mais imperiosas necessidades desta freguesia e cuja realização constituía objecto de antigas reclamações, era a construção das pontes destinadas a estabelecer comunicação com as paroquias vizinhas e com a parte sul da Ilha. tendo sido satisfeitas as aspirações dos povos daquela região no ano de 1904, com o começo dos trabalhos daquela obra verdadeiramente notável, que dentro de poucos anos se concluía inteiramente. Foi então a maior ponte da Madeira, com 130 metros de comprimento e sete arcos de pedra, pelo que ficou conhecida pela ponte das sete bocas. Um temporal, a 2 de Março de 1984, destruiu-a completamente, sendo reconstruída de imediato com outro projecto.
Infelizmente, a 30 de Outubro de 1985, novo desastre se abatia sobre a mesma, caindo o terceiro tabuleiro e matando seis trabalhadores. A ponte foi inaugurada a 1 de Julho de 1986 pelo Dr. Mário Soares, então Presidente da República.

O Concelho de Santana
O lugar de São Vicente, constituído em paróquia por fins do século XV, foi das freguesias do norte da Madeira que desde os tempos primitivos da colonização adquiriu maior importância e onde a população se tornou mais densa, sendo ainda hoje a mais populosa de todas. Pertencia à capitania de Machico e a vila deste nome era a sede de toda a administração pública, vendo-se os povos do norte da Ilha forçados a longas e perigosas caminhadas para chegarem à sede da sua capitania, quando imperiosas circunstâncias a isso os obrigassem.
Como eram mais fáceis e frequentes as comunicações de muitas freguesias da costa Norte com o Funchal, pretenderam varias vezes os povos daquelas paroquias subtrair-se à jurisdição da capitania de Machico e serem incorporados na do Funchal, ou então obter a criação de um município com sede em São Vicente e que abrangesse esta e outras freguesias circunvizinhas. Aquele legitimo desejo dos povos do Norte só foi alcançado em 1744 com a criação da vila de São Vicente, não sem a mais viva oposição da câmara de Machico.
O pedido oficial da criação do concelho de S. Vicente data de 1714, em princípio, a pedido dos moradores das freguesias de São Vicente, Porto do Moniz, Seixal, Ponta Delgada e Arco de S. Jorge, mas Machico conseguiu que não se efectivasse. Entre os argumentos incluiu-se a situação de São Jorge, única freguesia da costa norte onde se realizava a procissão de Corpo de Deus, acabando tudo por ser adiado. No entanto, em 1717 o assunto voltou a ser ventilado e, por alvará de 23 de Agosto de 1743, assinado por D. Maria de Áustria, na doença de D. João V, aceitava-se a pretensão. No entanto, o alvará não teve força de lei, voltando ao desembargo do Paço a 17 de Setembro desse ano e só sendo despachado a 25 de Agosto do ano seguinte.
Com a implantação do governo constitucional, procedeu-se à divisão deste arquipélago por concelhos, tendo sido profundamente alterada a divisão então existente por vilas ou municípios. O conselho de São Vicente instalou-se em 1835 e era composto, como ainda o é ao presente, pelas freguesias de Boaventura, Ponta Delgada e São Vicente.
O decreto de 10 de Dezembro de 1867 suprimiu os concelhos de Câmara de Lobos, Santa Cruz, Porto do Moniz e Santana, incorporando na costa norte, no de São Vicente, as freguesias do Seixal, Ribeira da Janela e Porto do Moniz, no de Machico, as restantes e que pertenciam ao de Santana. No entanto, este diploma não chegou a ter inteira execução, porque em breve os concelhos da época liberal eram restaurados.
O concelho de Santana era composto, desde a sua criação, pelas freguesias do Arco de São Jorge, São Jorge, Santana, Faial, São Roque e Porto da Cruz, tendo sido, mais tarde, desanexada a freguesia do Porto da Cruz, por decreto de 19 de Outubro de 1852, passando então essa paróquia a fazer parte, novamente, do concelho de Machico.
Em 1850, segundo Uma Epocha Administrativa da Madeira & Porto Santo, os limites do concelho de Santana, eram os seguintes: “O mar desde a Ponta de São Lourenço até a Ponta da Entroza; os limites entre a freguesia do Arco de S. Jorge e a de Ponta Delgada; os cumes centrais, que dividem as águas entre as duas Costas Norte e Sul”. Esta área incluía então também a freguesia do Porto da Cruz que, em 1852, foi desmembrada e novamente integrada no concelho de Machico. O Concelho de Santana teve como primeiro presidente um vereador da Câmara Municipal de Machico e sendo seu primeiro administrador, desde 1848, o capitão Luís Augusto Acciauoli. Embora não se conseguindo saber directamente os nomes dos restantes presidentes que ocuparam o cargo, no período decorrido entre 1840 e 1895, por terem desaparecido os livros das actas municipais daquela época, os restantes que se conhecem foram o Dr. João Albino Rodrigues de Sousa, Francisco de Freitas Luís, Dr. Álvaro Rodrigues de Sousa, Joaquim Caldeira, Dr. Manuel Prado de Almada, Porfírio Marques de Andrade, Manuel Marques da Trindade, Manuel Mateus Lourenço de Gouveia, // e Carlos Pereira.
Em 26 de Novembro de 1879 foi publicado um decreto anexando a freguesia do Arco de S. Jorge à de S. Jorge e a de S. Roque do Faial à do Faial.
Entretanto, somente pelo decreto de 10 de Março de 1898, a câmara de Santana foi autorizada a nomear uma comissão para gerir os negócios municipais, tendo o decreto de 28 de Março de 1901 autorizado a Câmara a criar o lugar para um guarda campestre, com a dotação anual de 60$000 reis e o decreto de 11 de Julho de 1905 fixou a dotação anula de 360$000 reis para as despesas de saúde (Partido-Médico Municipal de Santana).
A alteração do Código Administrativo, de 23 de Novembro de 1953, classificou o Concelho de Santana, como sendo rural, de 3ª ordem, como freguesias de 2ª. Ordem foram classificadas todas as do Concelho, onde se inclui a do Faial.

A organização da Freguesia do Faial.

Como já dissemos, até aos inícios e meados do século XIX, até à implantação do liberalismo, a vida administrativa das populações estava nos domínios da paróquia religiosa, não existindo a freguesia civil. A primeira tentativa de implantação surgiu com as juntas de paróquia, que eram corporações administrativas criadas pelo decreto de 18 de Julho de 1835, extensivo à Madeira, mas que não conhecemos a implantação.
O funcionamento das Juntas de Paróquia teria sido quase nulo, até que o Código Administrativo de 1886 lhes concedeu mais amplas responsabilidades. No entanto, naquela época era muito crítica a situação económica na Madeira, temendo-se novos impostos para a manutenção daquelas organizações, o povo amotinou-se contra o possível funcionamento das chamadas Juntas de Parreca, ou somente Parreca.
Na freguesia do Faial, talvez a que registou maiores alterações na costa Norte, no mês de Dezembro de 1887, a população sublevou-se e praticou desatinos e vexames, maltratando as pessoas mais respeitáveis da freguesia e até o próprio pároco. Talvez que as Juntas de Paróquia trouxessem alguns benefícios às populações, mas a sua criação não se mostrou oportuna e buliu com outros interesses, numa altura em que a situação política, económica e produtiva da Ilha atravessava uma importante crise.

A defesa do Faial e da costa Norte da Ilha
As questões de defesa gerais de defesa das comunidade têm sido quase sempre interpretadas como ligadas essencialmente aos militares, mas aspecto que nos últimos anos se tem alargado profundamente.
Saliente-se que, dentro do espírito da Contra Reforma, liderada pela Península Ibérica de D. João III e de Carlos V, a defesa era primeiro da “fé e da religião” católica do Concílio de Trento e só depois da “pátria”. Efectivamente, assim foi entendido o ataque corsário francês ao Funchal, em 1566 e assim pregaram os jesuítas nas trincheiras de Ponta Delgada, nos ataques dos ingleses de 1597, como já noutro local referimos. No fundo, o que ainda estava em causa era a defesa do Mare Clausum do católico Tratado de Tordesilhas, reconhecido pelo papado, contra um Mare Liberum advogado pelos protestantes franceses e ingleses. Neste quadro, a fundação dos colégios das Ilhas por D. Sebastião, como se cita na carta régia de 1572, “especialmente em tempo tão perigoso e nas Ilhas onde há tanto concurso de estrangeiros”.
Por outro lado, as condições iniciais do povoamento não obedeceram às regras de segurança da restante expansão atlântica, onde na maior parte dos casos foi necessário, logo de início, a construção de redutos defensivos, como foi o caso da ocupação do Norte de África. Acresce que, aumentando o potencial económico da Madeira e atraindo-se a cobiça dos corsários, as possibilidades de acesso dos mesmos à costa Norte era reduzida e o seu interesse económico ainda mais reduzido.
Neste quadro, as referências à defesa organizada do Faial e da costa Norte em geral remontam somente aos inícios do século XVII, devendo a estrutura das companhias de ordenanças, determinada para a capitania de Machico nos meados do século XVI pela rainha D. Catarina e reafirmada mais tarde por D. Sebastião, se ter ficado somente por algumas vigias. Estaria nesse caso o chamado Forte do Faial, no extremo da propriedade dos Catanho de Meneses, talvez uma antiga vigia e que a tradição local, dada a sua guarnição com velhos canhões ao longo do século XX, passou a chamar forte. Nenhum documento militar o refere como tal.
Em Agosto de 1549, D. João III tinha dado regimento às ordenanças, "para que todos estivessem preparados para a guerra", mas esta ordem não se deve ter estendido à Madeira. Um Regimento de Ordenança surge na Madeira em Junho de 1559, em tempo de D. Sebastião e promulgado, na menoridade deste, pela sua avó D. Catarina. Curiosamente, aparece primeiro na capitania de Machico, na data citada e só conhecemos ordem para a capitania do Funchal, em Abril de 1567.
Nestes regimentos para as capitanias da Madeira declara-se, logo no começo dos respectivos diplomas, que os moradores da Ilha tinham necessidade de estarem ordenados e armados em virtude do muito risco que corriam sobretudo por causa das "contínuas armadas de Corsários". Parece nítida a preocupação de Lisboa em relação à Madeira, pois que estes regimentos antecipam-se ao Regimento das Companhias de Ordenança, relativo a Portugal continental e somente promulgado em Dezembro de 1570.
A primeira referência que possuímos à organização de terreno da defesa da costa Norte, aparece em uma carta do antigo provedor António Antunes Leite, nesse cargo entre 1618 e 1621, na costa Norte haveria outra fortificação: "detrás da Ilha", podendo ser em Porto do Moniz, São Vicente ou São Jorge. Saliente-se que quase todas estas obras indicadas fora do Funchal não deveriam passar de redutos, talvez com um ou dois espaldões para bocas de fogo, do domínio da organização de terreno ou fortificação, mas não obras do domínio da arquitectura militar. Aliás, o antigo provedor não deixa de salientar, logo de início, que “as ditas quatro vilas (Machico, Santa Cruz, Ponta do Sol e Calheta) têm pouca defensão”, acrescentando, no entanto, que “a de mais consideração, é a da dificuldade de desembarcação”, pelo que este tipo de construção seria quase desnecessária.

A companhia de ordenança do Faial.

Por outro lado, as primeiras referências à organização das ordenanças no Faial data de 1629, com a tomada de posse a 14 de Outubro do capitão António Teixeira de Vasconcelos. Este registo encontra-se no Livro I dos Juramentos e Menagens, 1627 a 1684, hoje no Arquivo Histórico Regional, único exemplar que chegou aos nossos dias. Mais tarde, a 11 de Outubro de 1658 tomou posse de capitão de ordenanças do Faial, Belchior de Moura de Mendonça e a 18 de Maio de 1673, António Teixeira Dória.
Os capitães do Faial do século XVII eram todos de descendentes do primeiro capitão de Machico e, no século XVI, teria sido primeiro capitão de ordenanças, embora ainda não com essa designação, o primeiro filho de Lançarote Teixeira, António Teixeira, o já citado “Rei Pequeno”, que seu pai instituíra como senhor de quatro futuras freguesias: Porto da Cruz, Faial, Santana e S. Jorge.
Assim, o primeiro capitão de ordenanças do Faial de que temos conhecimento, António Teixeira de Vasconcelos era tetraneto do Rei Pequeno, filho de Manuel de Vasconcelos e morgado da Penha de Águia como seu pai, avô e bisavô. Infelizmente, não localizámos Belchior de Moura e Mendonça, capitão em 1658, nas genealogias da família Teixeira, não sendo sequer utilizado nos vários ramos.
Por outro lado, o capitão António Teixeira Dória era descendente de João Teixeira, 3º filho de Tristão da Ilha, que casara com Filipa de Mendonça Furtado, filha do 1º capitão do Porto Santo, Bartolomeu Perestrelo. Nasceu a 25 de Março de 1645 e era filho do 2º matrimónio de Hirvão Teixeira Dória, então com Isabel de Castelo Branco (Homem Sousa), vindo a casar a 16 de Outubro de 1686 com Isabel de Andrade e Atouguia, filha de João de Bettencourt e Atouguia. O casamento deve ter ocorrido na sequência da herança da casa de seu pai, dada a morte da sua sobrinha, herdeira do primogénito Inácio Teixeira Dória, sem descendentes. As companhias de ordenanças envolviam cerca de 100 homens, nem sempre chegando a número, enquadrados, em princípio com secções ou esquadras de 10. A nomeação de um capitão e a existência oficial de uma companhia pressupunha a capacidade do primeiro para ter 100 homens às suas ordens, entre os 15 ou 16 anos e os 45, sendo o armamento da responsabilidade do governo central, ou seja de Lisboa, o que nem sempre se cumpria. O armamento enviado por Lisboa, ao que se saiba, ficava no Funchal, preenchendo as necessidades das principais companhias da cidade e pouco teria seguido para as chamadas “companhias do campo”, que até aos finais do século XVII, que teriam sido armadas com piques, ou seja lanças e uma ou outra espingarda ou mosquete compradas pelos próprios.

A lenda da Pedra da Pescaria
A mais célebre lenda do Faial conheceu inúmeras versões, de que vamos tentar um consenso. Assim, foi encontrada a imagem da Virgem sobre uma pedra, foi a mesma recolhida por pescadores, tendo-se-lhe feito a pequena capela, depois sede da freguesia. Conta-se então que a Virgem teria sorrido reconhecida aos pescadores do Faial e, em reconhecimento ao ocorrido, nunca as águas do mar se teriam atrevido a tocar os degraus do seu altar, embora não poucas vezes tenham invadido a capela.
Conta-se ainda, que uma vez subindo as águas tumultuosas o leito da ribeira, se detiveram, como em adoração, às portas da capela, recuando então suavemente ao leito da ribeira e ao mar, como conduzidas por qualquer força interior estranha. Recuadas as águas para o mar, à volta da pedra onde fora encontrada a Virgem e ao longo da foz da ribeira, como protegendo o acesso à capela das águas do mar, ficaram então milhares de peixes de inúmeras cores.
Ao verem os peixes em terra seca e ao verem o mar calmo e à distância, alguns homens aventuraram-se a descer ao leito e a tentar apanhar a enorme quantidade de peixe. No entanto, ao mesmo tempo, as águas que estavam calmas encapelaram-se e invadiram rapidamente o leito da ribeira à volta da Pedra da Pescaria, regressando com os peixes ao mar e não autorizando os homens a tocar-lhes.
As capelas da freguesia do Faial
Da freguesia de Nossa Senhora da Natividade do Faial, se desmembrou em 1848 a de São Roque, que passou a ter sede na antiga capela desta evocação, tal como muito antes, em 1577, se havia desmembrado a do Porto da Cruz. A pequena capela de São Roque teria sido fundada em 1551, também correndo a respeito do seu orago a lenda de que, de vez enquanto, fugia da sua capela e se refugiava numa das grutas da Penha de Águia. A primitiva capela foi arrastada pelas águas na aluvião de Setembro de 1883, desapareceu totalmente e a actual foi benzida em Dezembro de 1927.
A descrição das capelas do Faial em 1720 foi feita assim por Noronha: No seu distrito (do Faial) estão duas ermidas, a de S. Roque e a da Penha de França, que foi toda edificada dentro de uma penha, aberta ao picão e nela se lavrou o tecto, pavimento e paredes, com porta e retábulo da mesma pedra. A qual está em uma quinta que por aqueles tempos foi de Luís Dória Velozo e hoje de seus descendente, Luís de Irvão Teixeira Dória.
Nesta freguesia está também o morgado que chamam da Penha d'Águia, o qual se levanta como ilha, no meio da terra. Foi instituído por Lançarote Teixeira, grande cavaleiro, filho quarto do 1º capitão de Machico Tristão Vaz. E foi seu filho primogénito António Teixeira, a quem chamaram o Rei Pequeno, pela generosidade das suas acções.
Não podemos deixar de comentar esta apreciação da “generosidade das suas acções”, pedindo ao leitor para a comparar com o que escreveu o cónego Fernando Vaz e já transcrevemos. Também existia na primitiva freguesia uma capela da evocação de São Luís, já desaparecida.
Resta escrevermos sobre a célebre pequena capela de Nossa Senhora da Penha de França, parcialmente escavada num enorme penedo de cantaria avermelhada, no sítio denominado da Diferença. Esta capela foi fundada em 1685 por António Teixeira Dória, 5º neto do primeiro capitão de Machico, num local que diz a tradição, ter sido refúgio de escravos canários fugidos, os chamados “homens bravos”. Também da existência de escravos guanches canários ficou no centro da Ilha o Pico do Canário.
A capela da Penha de França do Faial situa-se entre verdejantes terrenos de cultura a que se tem acesso por uma escadaria algo improvisada e ladeada por flores e árvores de fruto, pertencentes e ao cuidado da população que ali reside. Apresenta portal com arco de volta perfeita inscrito em empena recortada superiormente em carena e encimada por cruz. Ao mesmo nível da empena da fachada segue-se no lado do Evangelho a sineira, definida por pequena abertura com arco de volta perfeita em parede, pouco acima da empena e com quase igual recorte.A capela foi restaurada em 1904 por João Teodoro Figueira, avô dos actuais proprietários, voltando a sê-lo recentemente, na sequência dos 300 da sua fundação.

Incêndio e reconstrução da Matriz
Não temos especiais informações da matriz da freguesia do Faial ao longo do século XIX e mesmo nos inícios do século XX, salvo a agitação de que foi cenário em 1936 na chamada revolta do leite e que levou à prisão do padre César Teixeira da Fonte, como noutro local iremos escrever.
Em 14 de Abril de 1948, a Imagem Peregrina de Nossa Senhora de Fátima, vinda da Cova da Iria, visitou as freguesias do Concelho de Santana. No sítio do Poiso, limite do Concelho, aguardavam a Imagem, o então Presidente da Câmara Municipal de Santana, Sr. Porfírio Marques de Andrade, o Vice-Presidente Sr. Manuel Marques da Trindade e os Drs. João Auto Mendes e Assis Nascimento, diversas ou pessoas e individualidades do Concelho, os Párocos e muito povo. A visita da Imagem Peregrina deu lugar a grandes demonstrações de fé, o que prova o espírito fraternalmente cristão dos madeirenses, no escrever, alguns anos depois, de Manuel Ferreira Pio.Infelizmente um incêndio a 12 de Setembro de 1960, ocorrido pelas 21 horas e 45 minutos, destruiu quase totalmente todo o edifício, embora tenha sido possível salvar uma parte da boa talha dourada do altar mor dos meados do século XVIII, assim como o sacrário, imagens, quadros e alguns móveis, inclusivamente as janelas da sacristia, recolhidos na residência da viúva de Manuel de Sousa.
O incêndio teve origem no primeiro andar da antiga casa paroquial anexa à torre, ocorrendo após a realização do arraial (8 de Setembro), pelo que à época, como foi referido pela comunicação social, teria tido origem em alguma ponta de cigarro mal apagada e descuidadamente abandonada nas arrumações da festa. Também correu à época que havia sido um curto-circuito, motivado pela pouca prática ainda existente na utilização da electricidade, inaugurada somente dois antes nas freguesias do Faial, São Roque e Santana, em Novembro de 1957.
Por coincidência, quando se teria iniciado o fogo estava gente no adro, que não deu por nada. Foram os homens que colaboravam na arrecadação das iluminações da festa, que entretanto tinham ido jantar ao lado oposto, jantar preparado pelos próprios e, regressando, deram pelo fogo, no andar de cima. No entanto, nada havia a fazer, pois não tinham comunicação com o local onde deflagrava o fogo e a breve trecho, o mesmo propagava-se ao telhado do anexo e ao coro da igreja.
Ao incêndio ocorreram as corporações de bombeiros do Funchal e de Santa Cruz, mas chegaram duas horas depois de iniciado o incêndio e, dada a falta de água no local, a sua acção foi muito reduzida, não conseguindo sequer evitar a propagação do incêndio à residência paroquial.
Era então pároco do Faial o padre Florentino Augusto de Sá, natural de Gaula, acometido, logicamente, de profunda depressão com o desastre, pelo que foi necessário proceder à sua transferência, em Janeiro do ano seguinte, para a nova paróquia da Assomada, no Caniço. O novo pároco, o padre António Pestana Martinho, procedeu de imediato à reconstrução da matriz, aligeirando-se a fachada em relação ao que era.
A Igreja nova
A capela de Nossa Senhora do Faial, em que foi instalada a sede da paroquial ficava na margem esquerda da ribeira, estando muitas vezes na iminência de ser arrastada pela violência da corrente nas invernias mais rigorosas, tendo-se no ano de 1699 mandado proceder à construção de uma muralha destinada a proteger o templo, devido ás diligências do vigário de então, o padre Manuel Catanho de Meneses, citando o mandado do Conselho da Fazenda: “pelo menor lanço”.
A fábrica da Igreja estava abonada, desde 1574, com 4$000 réis por ano para as suas despesas de conservação, o que dava para a manutenção, mas era manifestamente insuficiente para obras de outro vulto e mesmo para a aquisição de determinadas alfaias, quase sempre pagas pela fazenda real. Em 1664, por exemplo, enviou a fazenda real um mandado de 333$500 réis “para ornamentos e mais coisas necessárias”, então a requerimento do vigário Henrique de Madureira Figueira.
A capela estaria de novo muito arruinada pela primeira metade do século, tendo sido reconstruída por mandado do Conselho da Fazenda de 20 de Novembro de 1744. Foi então a igreja traçada e orçamentada pelo mestre das obras reais João Moniz de Abreu e a obra dada de arrematação ao mestre carpinteiro Cristóvão Gomes de Sousa pelo lance de 7:980$000 réis. A construção teve efeito na margem oposta da ribeira, em local mais resguardado que a anterior, tendo a primeira pedra sido lançada a 5 de Agosto do seguinte ano de 1745. No final do ano de 1747 eram já enviados 1:611$620 réis para a aquisição de um turíbulo, uma naveta e um sino “de 185$000 para cima”.
O pedido da população para reconstrução da igreja pareceu quase profético, pois em 15 de Dezembro de 1744, toda a área foi parcialmente destruída por um séria de grandes chuvadas, que ao longo de 8 dias fizeram transbordar as ribeiras "e levaram ao mar as casas, e as fazendas em que tinham plantados os seus inhames, para sua sustentação, ficando o chão em pedras e os suplicantes impossibilitados de se refazerem da perda", como referem depois os habitantes da freguesia a D. João V. Ainda acrescentam os mesmos, "que para não morrerem de fome, tinham já ido pedir por esta Ilha", pelo que solicitavam a misericórdia do Rei para que mandasse vir dos Açores 100 moios de trigo. O Rei despachou o pedido em 1747, mas com 20 moios de trigo e 20 de milho.
O terramoto de 1748 não teria afectado o andamento das obras, pois a fazenda régia orçamentou em 1753 as obras de talha e douramento do altar-mor, assim como da residência paroquial.
No entanto, as arrematações então feitas não teriam sido cumpridas, pelo que em 1770, foi proposto ao Conselho da Fazenda a realização do retábulo e do camarim por "administração directa" da paróquia, na base do anterior orçamento de 2:200$000 réis, o que se fez. Entretanto, em 1768 tinham já sido atribuídos 1:983$690 réis para os "ornamentos e peças de prata", assim como 215$950 "para um sino de 20 arrobas", então enviado de Lisboa.
A igreja estaria pronta em 1785, pois por breve pontifício de 30 de Agosto desse ano foi concedida indulgência plenária aos que a visitassem por ocasião da festa do respectiva padroeira, que é a 8 de Setembro, dia da Natividade da Virgem.
Conhecemos a igreja através de algumas fotografias antigas, mau grado a inferior qualidade, mas principalmente por um desenho aguarelado de Andrew Piken, datável de 1842 e proveniente da colecção Torre Bela, hoje propriedade da câmara municipal do Funchal. Uma versão deste desenho, mas não aguarelada, faz parte da colecção da casa-museu Dr. Frederico de Freitas.
A Igreja aparece com fachada relevada, encimada por cimalha de balanço em cantaria e enquadrada por pilastras, com portal e janelão articulados, com o janelão ladeado por aletas e encimado por florão rematado por flor de Liz. Do lado do Evangelho existe torre sineira, com duas janelas quadradas e janela dos sinos com arco de volta perfeita, rematada por cimalha relevada em cantaria com eirado em “chapéu de cónego”.
Existem no entanto neste desenho dois pormenores bizarros. A cimalha da fachada é rematada com cruz de calvário com os braços revirados para cima, de que não conhecemos outro exemplo na Madeira. O adro da Igreja é murado e, sobre o muro, existe cruzeiro com grande cruz patriarcal, com os braços rematados por bolas, o que deve ser imaginação do artista, pois desconhecemos a presença de qualquer patriarca na Madeira para uma cruz deste tipo poder ter sido levantada.

A Igreja primitiva
A primitiva capela, citada algumas vezes como ermida, mas também como igreja, ficava situada na margem esquerda da caudalosa ribeira, sofrendo constantemente a ameaça das águas da mesma. Nesse sentido, pelo menos em 1699, temos referência à construção de uma poderosa muralha para a proteger, no entanto, mesmo assim, poucos anos depois, uma terrível aluvião, danificou bastante a primitiva capela, inclusivamente, arrastando o túmulo do Rei Pequeno para o mar, como já escrevemos. É tradição, ter tido a primitiva capela origem num milagre. Alguém teria encontrado uma imagem de Nossa Senhora nas serras, entre as faias, tendo então sido construída a capela para a imagem aparecida de Nossa Senhora do Faial. Mais tarde, assaltando o mar alterado a primitiva capela, levou a imagem, reencontrada depois na Pedra da Pescaria, segundo lenda mais completa que voltaremos a descrever. Também da lenda da imagem aparecida de São Roque nos ocuparemos a seu tempo.
São comuns em Portugal e na Madeira estas lendas, principalmente, envolvendo as águas do mar e lendas que passaram também ao Ultramar. Assim, a imagem de Nossa Senhora do Monte apareceu junto à fonte e, construída a capela, voltava à fonte. A imagem do Senhor Jesus de Ponta Delgada foi encontrada dentro de uma caixa de madeira, perto do mar e, a imagem de Santiago de Câmara de Lobos, foi pescada no mar.
Entre outras, temos a lenda de uma imagem de Santo António encontrada nas praias da cidade do Salvador da Baía, no Brasil e que teria pertencido à capela da ilha de Arguim, na Mauritânia, saqueada pelos corsários franceses. A imagem foi recolhida no convento franciscano da Baía e o Santo seria elevado a padroeiro da cidade em 1597. É possível que por detrás desta lenda esteja a comunidade madeirense da Baía, dada a antiga ligação de Arguim à Madeira.
Também na contra-serra do Faial, ou seja no Santo Serra, na costa Sul, reza a tradição que foi encontrada uma imagem de Santo António, pelo que se fez a primitiva capela para a albergar. É igualmente comum a referência a que a imagem fugia de noite, voltando às serras, interpretando-se o ocorrido como não ser o templo digno dela e obrigando as pessoas a aumentarem a inicial capela.
Por outro lado, a referência a ter sido este primitivo templo todo lançado interiormente com a madeira "de um só pau de cedro", o que indica dimensões perfeitamente extraordinárias para a árvore em causa e é muito provavelmente verídico. Existem referências a árvores deste porte nos iniciais anos de povoamento da Ilha, e não só na costa Norte como até na área do Funchal, citando e descrevendo Gaspar Frutuoso, por exemplo, o funcionamento da célebre serra de água do Faial, como única possibilidade de serrar "tão grandes paus, como nela (serra do Faial) há".
A tradição da construção da matriz do Faial com um só tronco de cedro foi vinculada por Henrique Henriques de Noronha nas suas Memórias Seculares e Eclesiásticas, trabalho encomendado pela recém criada Academia Real da História Portuguesa, datado de 1722, mas que descreve a anterior matriz, então parcialmente arruinada e a ser reconstruída.
Descreve assim o cronista a costa Norte: “Adiante, uma légua do Porto da Cruz, fica a igreja Paroquial de Nossa Senhora do Faial, cujo nome tomou do lugar, onde se diz que foi achada a sua Imagem, por haver nele grande quantidade de faias, sendo a sua invocação da Natividade, de que faremos mais dilatada memória no título das Romagens, por ser de grande devoção e concurso. A Igreja é nobre, toda edificada de cantarias e se diz que foi fabricado toda de um só pau de cedro, que ali se achou. Está situada ao pé de um monte entre duas ribeiras” . Por esta época, embora um pouco antes, também frei Agostinho de Santa Maria (?; 1728) no seu tomo X do Santuário Mariano e História das Imagens Miraculosas de Nossa Senhora e das Milagrosamente Aparecidas refere que “a igreja era muito grande e de grande comprimento e largura, e ainda assim dizem que foi toda emadeirada com a madeira que deitou um só pau de cedro, sinal que devia ser muito grande ou grandíssimo, o qual se achou ali perto da mesma ermida de Nossa Senhora”.
A importância da capela de Nossa Senhora do Faial pode ainda ser enquadrada na romaria, já amplamente descrita pelo Dr. Gaspar Frutuoso: “Pelo seu dia que vem a oito de Setembro, se ajuntam de romagem de toda a ilha passante de oito mil almas, onde se vê uma rica feira de mantimentos e de muita carne gostosa (...). Ali se ajuntam muitos cabritos e frutas, e outras coisas de comer, para os romeiros comprarem, os quais muitas vezes se deixam estar dois, três, e mais dias em Nossa Senhora, descansando do trabalho do caminho, porque vem de dez e doze légua, por terra muito fragosa, e juntos fazem muitas festas de comédias, danças, e musicas de muitos instrumentos de violas, guitarras, flautas, rabis, e gaitas de fole. E pelas faldas das ribeiras, que tem grandes campos, no dia de Nossa Senhora e em seu oitavário, se alojam os romeiros em diversos magotes, fazendo grandes fogueiras entre aquelas serranias”

A fundação da freguesia do Faial
A freguesia teve origem na fazenda povoada que ali existiu e que tinha uma capela da evocação de Natividade de Nossa Senhora, e possuía capelão pago pela fazenda real desde 1531. A primitiva construção encontra-se ligada a duas lendas, ou pelo menos histórias não documentadas: primeiro, ao aparecimento naquele local de uma imagem da Virgem; segundo, à construção da primitiva capela com um só pau de cedro, o que é perfeitamente plausível, dada a envergadura de algumas árvores existentes na Ilha.
O primeiro capelão foi o padre João Soares, alguns anos antes beneficiado na praça africana de Arzila. Tinha competido à Madeira um dos principais esforços na acção portuguesa no Norte de África, tendo os capitães da Madeira e os seus filhos participado nas várias etapas do trabalho ali desenvolvido. Assim, em 1470/71, participou o filho do Zarco, João Gonçalves da Câmara, futuro 2ª capitão do Funchal, na conquista de Arzila, dirigida por D. Afonso V e, por essa altura, igualmente Tristão, capitão de Machico, participou em expedições ao Norte de África e em razias nas Canárias. Nesta sequência, ficou reservada à Madeira uma parte do esforço de conservação dessas praças portuguesas, até porque a maior parte das mesmas, ficarem mais perto da Ilha, que de Lisboa.
Quando o alvará régio de 20 de Fevereiro de 1550 criou esta freguesia, foi o referido sacerdote nela provido como seu primeiro pároco, tendo-lhe sido arbitrada a côngrua anual de 3$000 réis vitalícios, além dos 8$000 réis que já recebia como capelão da referida ermida. Referia-se que, tendo sido beneficiado em Arzila, era então compensado com o conjunto da côngrua atribuída.
No entanto, logo a 11 de Março seguinte, novo alvará de D. João III determina que se pagasse ao vigário João Soares 6$000 réis anuais, da capelania de Nossa Senhora do Faial, pois desde 1531 que só recebia 5$000 anuais. Não percebemos as contas feitas, pois em 1572, quando da reforma da Mesa da Consciência e Ordens de D. Sebastião, foi efectuado um acrescentamento de 6$700 réis ao anterior ordenado, de forma a ficarem 20$000, dado o ordenado anterior ser de 13$700.
A reforma de D. Sebastião visava a implantação das directivas do Concílio de Trento, que obrigavam os párocos a ensinar doutrina aos seus fregueses. O ordenado de 20$000 réis era para os párocos com freguesias com menos de 100 fogos e acrescenta este alvará, que “sob pena do desconto anual de 4$000 réis” para os párocos que o não fizessem.Era então pároco do Faial o padre Bernardo do Quintal, que logo contestou o alvará, afirmando ter a sua freguesia 109 fogos, pelo que, por apostilha de 20 de Junho do mesmo ano passou a receber 25$000 réis, que era o quantitativo atribuído às freguesias de mais de 100 fogos. Não devia ser bem assim, pois em 1590, quase 20 anos depois, como já referimos, o Dr. Gaspar Frutuoso escrevia que “Terá esta freguesia como cem fogos”. O quantitativo de 25 mil réis era devido a haver mais de 100 fogos, assim como ter esta igreja também “obrigação das missas dos Infantes”, ou seja obrigação de celebrar anualmente missas por alma dos infantes D. Henrique e seu sobrinho D. Fernando.
Estes alvarás régios elevaram assim o vencimento anual do vigário respectivamente a 20$000 réis e 25$000 réis, fixando o alvará de 14 de Dezembro de 1588 um acrescentamento de 30 alqueires de trigo e um quarto de vinho para as “despesas de sacristia”, assim como se fixa em 3$000 réis as despesas com as missas dos Infantes. Ficava assim instituída a partilha dos ordenados eclesiásticos em dinheiro e espécie, o que, ao longo da história da Ilha, seria depois disputado pelos restantes funcionários régios.
Em 15 de Novembro de 1591 ainda se alterava a côngrua para 19$000 réis em dinheiro, um moio de trigo e um quarto de vinho, mantendo os 3$000 réis para as missas dos Infantes. Somente por alvará régio de 17 de Abril de 1780, foi este vencimento oficialmente elevado, então para 22$000 réis em dinheiro, dois moios de trigo e duas pipas de vinho, incluindo-se no global o devido às missas do Infantes.
Como ficou escrito, foi o padre João Soares o primeiro pároco desta freguesia, a que sucessivamente se seguiram os padres Bernardo de Quintal, em 1572, Sebastião Gonçalves, Cristóvão Ferreira, Francisco José Fernandes, por carta da Ordem de Cristo de 13 de Abril de 1641, Henrique de Madureira Figueira, que em 1644 pediu ornamentos para a matriz, António Luz Silva, com carta da Ordem de Cristo de 15 de Dezembro de 1667, Pedro Catanho de Meneses, também, de 22 de Agosto de 1688, Manuel Catanho de Meneses, que em 1699, sabemos envolvido na construção da muralha e reconstrução parcial do edifício, Jacinto Lourenço Baptista, por carta da Ordem de Cristo de 18 de Maio de 1722, António da Silva Vieira, idem, de 8 de Junho de 1740, etc.
O aumento da população determinou ainda a criação de um curato, que foi autorizada pelo alvará régio de 11 de Fevereiro de 1746, tendo sido o padre Pedro Catanho o primeiro que exerceu este lugar e ao qual se fixou o ordenado anual em espécie de um moio e meio de trigo e uma pipa e meia de vinho.
A freguesia do Faial
A Igreja teria sido uma das organizações de poder que se exerceu com maior eficácia na época moderna, desde os âmbitos mais periféricos, como a família e as pequenas comunidades rurais, até ao âmbito internacional, ombreando com os poderes imperiais e reais. Presente no terreno através das suas freguesias, à Igreja competiu verdadeiramente o controlo da população, desde os nascimentos, registados nos seus livros de baptismos, casamentos, também com livros próprios e mesmo falecimentos, registados nos seus livro de óbitos.
A Igreja encontrava-se, na época moderna, presente nas pequenas comunidades por intermédio da organização paroquial, no âmbito corporativo, através das confrarias específicas de cada profissão e continuando ao nível territorial insular, através da disciplina imposta pelos prelados, pelos seus visitadores e delegados, assim como pelo cabido da sé do Funchal, nos casos de "sé vagante". Ao nível geral do território nacional exercia-se através do direito canónico, das várias constituições eclesiásticas e ainda de diversas normas deontológicas próprias, difundidas e vulgarizadas nos devocionários e manuais de confessores[1].
As relações entre a Igreja e o Estado eram delimitadas pelas velhas Ordenações Manuelinas e Filipinas, que legitimaram a sua acção em matéria de pecado, quando a causa em questão não estivesse determinada por "lei, estilo ou costume", assim como eram pontualmente reformuladas por uma contínua legislação intercalar, difundida a partir de conflitos pontuais entre as jurisdições régias e episcopais[2]. A todos os níveis territoriais, mesmo insulares, até à mais distante paróquia, a Igreja possuía estruturas administrativas através das quais eram difundidas as suas directivas e onde depois o seu cumprimento era minuciosamente inspeccionado nas contínuas visitações dos prelados e seus delegados.
Com a progressiva transformação da Ilha em sociedade organizada, assim como com a sua passagem à casa real, foi-se instituindo a Igreja em duas vertentes essenciais: uma de carácter particular, através do estabelecimento de capelas / vínculos pelos abastados mercadores de açúcar, que iam servir as populações dependentes dos mesmos; e outra de carácter oficial, primeiro da Ordem de Cristo e depois da Coroa, a quem competia a manutenção do culto.
O termo capela é um vocábulo complexo, que tem evoluído com o tempo, fazendo por vezes cair em erro o leitor mais desprevenido. Assim, designa-se hoje por capela (do latim capella) o lugar, no vão de parede de igreja, onde existe um altar e se diz missa; assim como a igreja privativa de casa mais ou menos nobre, convento, colégio, etc. Igualmente pode designar um pequeno templo dum povoado, ou perto dele, onde exista só um altar, embora, e neste último caso, seja mais correcta a designação de ermida, como pequena capela em lugar ermo.
No entanto, designou em princípio o termo capela, o conjunto de vestimentas litúrgicas, de paramentaria e alfaias. Só mais tarde o termo se tornou extensivo ao edifício ou ao local onde se guardavam e conservavam esses acervos. Por outro lado, a ideia de capela está ligada a uma espécie de morgados eclesiásticos que, por muito tempo, se confundiram com os morgados de vínculo, principalmente quando se começou a dar aos morgados encargos eclesiásticos e às capelas, administradores leigos. A reparação foi feita por D. Manuel I, que distinguiu as capelas dos morgados da seguinte forma: no morgado havia um rendimento certo para o encargo e tudo o mais era do administrador; na capela havia um rendimento certo para o administrador, ficando o restante para o encargo.
Neste quadro, a fundação de uma capela exigia, e exige, a vinculação de determinados bens à subsistência dessa instituição, desde o pagamento do capelão, à conservação do edifício, à manutenção do altar, etc. Daqui a existência de bens vinculados às capelas, imprescindíveis para a sua manutenção, o que comportava a nomeação de um administrador e a demarcação correcta do encargo em causa. A complexidade de todo este assunto levou, dadas as dificuldades por vezes surgidas, à criação dum juízo e dum juiz de resíduos e capelas[1].Foi à volta destas primitivas capelas que se reuniram os filhos da Igreja, os fregueses, constituindo assim a freguesia ou paróquia, sob a orientação dum cura ou dum prior, depois dum pároco ou vigário[2], etc. Saliente-se que, enquanto capela, a instituição vence somente um capelão, presbítero ou diácono, um sacerdote com ordens de missa, mas sem acesso oficial aos restantes sacramentos, como baptismos, casamentos, etc. A partir do momento em que foi instituída como curato e paróquia, passa a ter outras funções e por conseguinte, outros encargos e dependências. A nomeação de pároco era, como é lógico e porque envolvia verbas, da responsabilidade da Ordem de Cristo e, na sua sequência, da Mesa da Consciência e Ordens.
[1] O primeiro de que temos notícia foi o escudeiro João do Porto, provido em 1486 por D. João II com 12 000 reais brancos (AHM, idem, vol. XVI, págs. 196 e 197, doc. 108, 19 de Maio de 1486), a que se seguiu, pelo seu falecimento, em 1493, Pero Quaresma, com o mesmo vencimento (ibidem, vol. XVII, págs. 282 e 283, doc. 167, 6 de Maio de 1493). Curiosamente, no final dessa nomeação, referia-se que “E vagando este, ho que vier nam avera mays de oyto mill rrs de mantimento”.
[2] Pelo Direito Canónico, chama-se vigário àquele que exerce poderes de ordem ou de jurisdição em vez de outro e em seu nome. Assim, um sacerdote pode estar encarregado do governo de uma paróquia de duas maneiras: como pároco propriamente dito ou como vigário-ecónomo. No primeiro caso, adquire a paróquia como proprietário, no segundo só em administração. A maioria das paróquias são providas de vigários-ecónomos como párocos.
 
 
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