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Morada Rua da Igreja nº 23
Cód. Postal 4750-690 SILVA BCL
Telefone 253882939

   

EXECUTIVO DA JUNTA ASSEMBLEIA DA FREGUESIA
 
Presidente José Vilas Boas de Sousa
Secretário Albino Manuel Maciel Linhares
Tesoureiro Fernando Manuel da Silva Linhares
 
Presidente Raul Amaral
Secretários Cláudia Cordeiro / Lázaro Vilas Boas
Restantes
Elementos
Restantes Elementos:
Paulo Amaral
Alfredo Senra
João Ferreira
Manuel Cunha

DESCRIÇÃO DA FREGUESIA
 
Antigamente a freguesia da Silva era conhecida por São Julião do Calendário do Neiva e São Julião do Calendário do Tamel e depois por São Julião do Calendário da Silva. São Julião é o padroeiro e protector da freguesia. A palavra Calendário, neste contexto, refere-se à reunião, no primeiro dia de cada mês, dos Sacerdotes de uma região, na sede de uma freguesia, para tratar de assuntos eclesiásticos.

O nome desta freguesia provém da grande casa fundada pela família Silva. Provenientes da Galiza, os Silvas entraram em Terras que actualmente pertencem a Portugal em meados do séc. XI (Portugal conquista a independência em 1143 - séc. XII ). Os Silvas instalaram-se na torre da freguesia de São Julião da Silva, do concelho de Valença, sendo esse o principal solar desta família em Portugal.

A casa da família Silva na nossa freguesia pertence, desde 1935, à Congregação do Espírito Santo, por testamento da sua última proprietária, Maria Antónia de Sousa da Silva Alcoforado.
Na verga da porta da capela de São Bento, sita no jardim da Casa da Silva (actual Seminário ), existe a seguinte inscrição: " António de Sousa Alcoforado 1578" e, na tampa da sepultura aí existente, podemos ler a seguinte inscrição: " Francisco de Sousa da Silva Alcoforado de Lencastre. Nasceu a 25 de Fevereiro de 1797 e faleceu a 12 de Maio de 1870 ".

As primeiras referências à nossa Terra surgem nas Inquirições de 1220 de D. Afonso II, onde se diz que o Rei não tem nenhum reguengo e que não é padroeiro e que esta igreja tem sesmarias. Também vem mencionada nas inquirições de 1258 de D. Afonso III.

PATRIMÓNIO

Igreja

A igreja da paróquia é muito antiga, por isso não consta a data da sua construção. Está situada com a frente (fig. 1) para o lado poente e muito próxima do caminho de ferro e da Estrada Nacional 204 que liga Barcelos a Ponte de Lima.
"Em 1948, o edifício erguia-se no centro de um adro vedado por parede com uma única entrada fechada por cancelas de ferro.
Na sua fachada, terminada em ângulos, encimada por uma cruz e ladeada por pirâmides, abre-se uma inestética janela rectangular.
  

Ao lado direito e encostada à fachada eleva-se a torre para os sinos e do lado esquerdo, junto à capela-mor foi construída a sacristia.
Dentro da capela-mor, forrada a estuque belamente pintado e decorado com um quadro ao centro alusivo ao Sacramento onde as paredes estão muito bem pintadas e decoradas, encontra-se o seu altar em talha singela e moderna.
A fechar a tribuna admira-se um lindo painel representando «O BOM PASTOR».
O corpo da igreja é também forrado a estuque, no género do da capela-mor, tem ao centro pintada a imagem do padroeiro São Julião, cercada nos cantos com as dos quatro evangelistas. Tem dois altares laterais, em talha singela pintada e doirada e do lado evangelho um pequeno oratório. Tem púlpito, coro e baptistério com pia em granito."
Actualmente, o edifício está a ser restaurado para o aumento da capela-mor.

Cruzeiro

Na freguesia existe o cruzeiro paroquial, "situado não muito distante da igreja, mas do outro lado da linha férrea. Estava no meio da via tendo sido beneficiado e encostado ao talude com melhoramentos do muro suporte, no ano de 1994.
É simples e modesto, assente sobre uma plataforma de dois degraus.
  
O pedestal tem apenas uma coluna e sobre o qual foi colocado um nicho de «alminhas».
O fuste encimado é cilíndrico e por um capitel quadrangular, sobre o qual se encontra a cruz de pontas enriquecidas."
Este cruzeiro é muito venerado pelos vizinhos e, anualmente, no Domingo de Ramos, a paróquia faz neste local a cerimónia da benção dos ramos.



Alminhas

Nesta freguesia há vários nichos de alminhas: as de Sto. António; as da Pena e as do Cruzeiro. Em tempos passados haveria mais, mas todas as outras foram abandonadas.

ALMINHAS DE STO. ANTÓNIO - estão situadas no lugar da Igreja, embutidas na casa de Cândido Cordeiro, ao lado da Estrada Nacional (fig. 3), muito próximas do cruzamento que dá acesso à Igreja e à Escola Primária.
"A construção assenta sobre uma mesa, sendo o nicho de arco redondo com fecho falso e a cobertura saliente, rematando por uma cruz ao centro."
Dentro está uma imagem (muito antiga) de Sto. António e sendo este Santo muito querido do Povo, são por vezes atribuídas promessas em azeite e espigas de milho pelas graças recebidas dos seus devotos.Hoje, denominado um nicho, o povo continua a chamar-lhe de 'alminhas'.
  
ALMINHAS DA PENA

Estão embutidas numa parede da casa do Sr. António Cerqueira, no lugar da Pena estando muito bem conservadas e estimadas pelo proprietário.
"O nicho assenta sobre uma mesa e dois colunelos recebem a cobertura de arco redondo, levemente abatido. Não têm painel."



ALMINHAS DO CRUZEIRO

"Estão colocadas no pedestal do cruzeiro. É um monobloco, onde foi cavado o espaço para nele ser colocado o painel alusivo às almas.
Têm grades de ferro e por cima está um candeeiro para iluminação durante a noite. A pintura, executada sobre a madeira, representa Cristo crucificado tendo à esquerda Sto. António e à direita a Senhora do Carmo."



Fontanários

Fontanário de S. Pedro

Está situado no lugar das Fontainhas, onde sofreu obras de conservação no ano de 1996 e é um local muito visitado pelos populares. Tem fonte em bica aberta permanentemente, sendo aproveitada a água para usos domésticos e a que sobra vai para um pequeno tanque de lavar roupa manualmente e daí para a poça ao lado, destinada à rega dos campos de lavradio.
  

Fontanário da Devesa

Está situado no lugar da Bola, mesmo ao lado do caminho da Ufe e data de 1967 - esta foi a do restauro e aproveitamento da água; em 1996 foi novamente restaurado, a fim de dar outra apresentação ao local.


Fontanário do Mouzelho
Está situado num pequeno largo no lugar do Mouzelho com a data de 1967. Sofreu diversos melhoramentos até que em 1996 foi restaurado. Muito próximo da mina que transporta a água do alto do monte, tem uma torneira em mola de forma a possibilitar o consumo da água. A restante foi entubada para ser aproveitada através de bica aberta permanente junto à poça do Carreiro. A água deste fontanário também é encaminhada para a rega dos campos de lavradio através da poça do carreiro.

Cemitério

"O Cemitério Paroquial foi construído junto à estrada nacional, muito distante da Igreja e tem sobre o portão a data de 1890 ."
Consta que a sua construção não foi pacífica devido à falta de terrenos mais próximos da Igreja, sendo por isso a uma distância de 300 metros. Tinha quatro quarteirões, mas devido ao aumento da população, foi alargada a sua área para o lado nascente, existindo também algumas capelas e jazigos particulares.
  
O primeiro jazigo perpétuo a ser construído pertence à família Senra com data de 1892, situado no lado esquerdo da entrada do cemitério que é todo em pedra, erguendo-se em quatro colunas, com a imagem de Nossa Senhora também em pedra, que está muito bem conservado.



A maior capela pertence à Casa da Silva, com data de 1938 esta contem um portão em ferro e no interior um altar todo em pedra e o jazigo é subterrâneo. Os seus proprietários actuais são a Congregação dos Missionários do Espirito Santo, estando muito bem conservado e anualmente é utilizado para serviços religiosos particulares dos actuais.



As casas mais antigas

As casas mais antigas e também consideradas as mais importantes são: a da Silva, a dos Bernardinos (Cruzeiro), da Devesa, do Senra, dos Bernardinos (Gandra), do Brasileiro e a da Cotovia.



A casa da Silva

Está situada no lugar da Pena, na zona mais montanhosa. Pertence actualmente à Congregação dos Missionários do Espírito Santo por testamento de 1923 e 1924 da sua última possuidora, D. Maria Antónia
  
de Sousa da Silva Alcoforado, falecida em 1935.
A antiga casa foi transformada em casa de formação missionária a partir do ano de 1937. No ano de 1960, foi demolida totalmente para dar lugar a uma nova construção do Seminário.

Como única «relíquia» da solarenga casa da Silva, existe a capela de S. Bento situada ao lado do edifício e jardins a qual servia para o serviço religioso da antiga família desta casa.
"É pequena, baixa e modesta, a sua fachada renascença tem uma sineira ao centro e por baixo um brasão de armas com escudo esquartelado com as armas Sousas e Silvas.
Na verga da porta lê-se a seguinte inscrição «António de Sousa Alcoforado 1587».
Dentro da capela tem um único altar em bela talha renascença muito bem pintada e dourada, o tecto, coro e púlpito são em madeira, estando pintados. Do lado direito existe uma porta que dá para a sacristia.
No pavimento tem uma sepultura rasa com tampa de pedra em que se lê a seguinte inscrição: «Francisco de Sousa da Silva Alcoforado de Lencastre nasceu a 25 de Fevereiro de 1797 e faleceu a 12 de Maio de 1870»."



A antiga benfeitora era possuidora de grandes quintas em várias localidades e dentro da área desta casa. Podemos encontrar vestígios de velhas entradas para as zonas de lazer e ainda um miradoiro por cima da entrada com restos de bancos em ferro e madeira defrontando de uma bela paisagem para toda a freguesia.
Por fim, observamos pequenos lagos no jardim com muitas flores, varandas para a quinta e entradas para uma grande área de zona mais florestal, sendo ainda visível o velho carvalho ao lado do lago.

A mata, como é mais conhecida é muito rica em arvoredo, a entrada faz-se através de um portão e subindo umas escadas todas em pedra tem óptimas zonas para descanso. Devido ao excesso de água existe um grande lago e numa nascente foi construída uma pequena gruta onde podemos ver a imagem da N. Senhora de Lourdes.








Na antiga eira e cobertos das alfaias agrícolas ainda resta o velho espigueiro, mas já abandonado. Espigueiro esse que servia para os agricultores dessa casa guardarem as espigas durante todo o ano, até chegar a altura de serem malhadas.
Existia um celeiro, onde os caseiros de outras quintas, do mesmo proprietário, faziam a medição das suas pensões, não podendo medir estas sem primeiro liquidar as atrasadas, podendo pagar cada pensão em dinheiro conforme a tabela patente no celeiro.
A velha casa deu lugar a um grande edifício inaugurado no ano de 1962 todo construído em cimento armado e adaptado à formação de missionários, com uma grande capela no interior.

  



CASA DOS BERNARDINOS - CRUZEIRO




Está situada muito próxima do largo do cruzeiro. Os seus donos eram de uma grande família dos Bernardinos, que viviam da lavoura.

  
Consta que esta família mandou construir uma outra habitação emfrente e junto ao caminho para que a família Costa não tivesse alguma visão da sua casa.
Os herdeiros desta acabaram por vender a um Emigrante todo o prédio, mas actualmente a casa mais antiga está desabitada e abandonada, não sendo conhecido o ano em que foi construída.
Tem um estilo muito antigo e raro na freguesia devido ao tipo de construção: é baixa, com chaminé muito extensa, uma cobertura maior para protecção dos cereais e uma eira toda em pedra.




CASA DA DEVESA




Está situada na Quinta da devesa no lugar da Bola. Pertence à família Sá Carneiro e é uma casa muito antiga com duas construções anexas, uma do Senhorio, que está desabitada, e a do caseiro que actualmente é habitada pela família de Fernando Linhares a qual executa todos os trabalhos agrícolas.
Não é conhecido o ano de construção destas habitações, apenas sabemos que a família Sá Carneiro vivia no Porto e fazia na sua casa o controle da produção agrícola onde também desfrutava momentos de repouso, enquanto permanecia por cá.
Esta casa tem uma eira toda em pedra, um espigueiro e cobertos onde se executa a recolha de cereais.
  
A entrada da casa é feita através de dois portões, um em madeira para os trabalhos agrícolas e outro em ferro com a inscrição de "Quinta da Devesa" por onde entravam os donos.

  
Existe um brasão do lado direito já no interior do portão, bastante deteriorado e outro por cima do tanque em pedra e a água para o tanque saía por duas bicas todas em pedra que actualmente têm pouca utilização.
  



CASA DO SENRA




Está situada muito perto do Cruzeiro, junto à casa dos Bernardinos. Actualmente está habitada pela família de António Senra, mantendo a fachada principal e as escadas em pedra . Há também, dentro da mesma propriedade, vestígios da casa dos trabalhos agrícolas, onde se pode ver a eira toda em pedra, os cobertos com espigueiros incorporados e uma prensa de pisar as uvas com uma grande trave em madeira para fazer peso e existe o fuso também em madeira.





CASA DOS BERNARDINOS - GANDRA




Está situada no lugar da Gandra. Actualmente é habitada por herdeiros da família, sendo ainda viva a D. Amélia Bernardino.
A habitação ao longo dos anos vários foi submetida a vários restauros modificando a sua fachada e as escadas, apenas existindo, na parte exterior, um pequeno nicho de alminhas abandonadas.
  
Não é conhecido o ano de construção da casa, contudo sabemos que as tarefas dos donos eram os trabalhos agrícolas.




CASA DO BRASILEIRO




Está situada no lugar de Esqueiro, junto à estrada nacional. Foi mandada construir por um residente do Brasil, sendo desconhecido o ano, mas actualmente é habitada por herdeiros da família de Deolinda Enes que a comprou.
Esta casa mantém a sua fachada principal, que é diferente das outras da freguesia, pois nela podemos ver uma pomba por cima da estrutura do telhado virada à estrada.

  



CASA DA COTOVIA




Está situada na Quinta da Cotovia no lugar de Trás-do-Prado por cima da linha do caminho de ferro do Minho e Apeadeiro da Silva.  
Tem uma entrada directa da estrada nacional. Não está habitada e não se sabe o ano da sua construção, talvez no século XVII. Mantém as suas fachadas e as varandas originais e tem uma eira em pedra.
Encontra-se também uma zona florestal com muito arvoredo, embora esteja completamente abandonada que pertence actualmente aos herdeiros da família Matos Graça.
Antigamente, na freguesia era conhecida por 'Prazo da Cotovia' e há muitos anos que pertence à família do Dr. Miguel de Matos Graça.




QUINTAS




A freguesia da Silva, devido à sua pequena área e pouca população nunca foi rica em quintas agrícolas, mas podemos ainda assistir ao aproveitamento e conservação de algumas áreas, com vários tipos de produção e com trabalhos realizados através de máquinas de tipo industrial.
As mais importantes são: Quinta da Devesa, Quinta da Gandra, Quinta da Cotovia, Quinta do Solato, Quinta do Mouzelho e Quinta do Assento.


Quinta da Devesa - situada a poente desta freguesia, no lugar de Bola tem uma grande área circunscrita por terrenos agrícolas e ramadas.
Na produção destaca-se o milho e o vinho verde, o qual foi medalhado pela Adega Cooperativa de Barcelos, devido ao seu alto grau. Existe como proveito suplementar uma criação de gado bovino com o aproveitamento do leite para o caseiro e um laranjal com uma qualidade de laranjas invulgar, as quais nos anos 70 eram colhidas e enviadas para o mercado do Porto.
Este laranjal, actualmente, está pouco cuidado pelo Senhorio.
A propriedade pertence à família Sá Carmeiro, residente no Porto e actualmente está arrendada a uma família de quatro pessoas.

Quinta da Gandra - constituída por uma pequena área de terrenos agrícolas está situada no lugar de Gandra. Pertenceu à família João Duarte que nos anos setenta a vendeu a um Emigrante da Venezuela. Actualmente o seu proprietário é o Sr. Ramiro que através de máquinas agrícolas executa todas as tarefas.
Na sua produção destaca-se o milho, o vinho verde e a uma pequena criação de gado bovino de onde se aproveita o leite.

Quinta da Cotovia - situada junto à estrada nacional, pertence aos herdeiros da família do Dr. Miguel Matos Graça, tinha uma grande área de produção de milho e algumas ramadas, estando estas muito degradadas.
Existe, em estado de abandono, a casa do caseiro, a eira, os espigueiros e os cobertos para recolha dos cereais e alfaias agrícolas .
Esta quinta teve vários caseiros, sendo de destacar o Sr. Zacarias (ainda vivo) que para além de ser o caseiro era o Regedor da freguesia.
Actualmente as áreas de cultivo foram reconvertidas com novas plantações de vinha e confronta do lado poente com uma grande área florestal pertencente aos mesmos proprietários.

Quinta do Solato - está situada no lugar da Aldeia a poente da linha do caminho de ferro e muito próxima da quinta de mouzelho. Pertenceu à família da Casa da Silva que pagava renda em bens (milho, centeio e copas de palha).
Foi vendida ao Sr. Lima Torres e arrendada a vários caseiros, onde consta que o Sr. Bernardo para além dos trabalhos agrícolas ocupava os tempos livres na actividade de Barbeiro.
Mais tarde foi vendida à família Vieira, residentes em Carapeços que são actuais proprietários e seus herdeiros.
Produzia milho e vinho, embora actualmente esteja em baixa produção. É rica em água com vários aproveitamentos através de minas para tanques.
A casa foi restaurada e os cobertos da eira onde eram guardados os cereais e as alfaias foram remodelados de forma a permitir a recolha de máquinas e tractores.
Os tanques existentes nesta quinta davam apoio ao Sr. Nascimento que recolhia as roupas sujas e executava as lavagens e secagens. Depois transportava-as para a cidade onde eram entregues aos clientes por intermédio de uma loja.


Quinta de Mouzelho - situada muito próxima da Quinta do Solato era pertencente à família Sá Carneiro. Tinha uma grande casa, com uma extensa cozinha, um grande laranjal, cobertos e eira para tratar da recolha dos cereais.
Teve vários caseiros, que realizavam a produção de milho, laranjas e vinho e por volta dos anos 80, esta quinta, foi vendida a dois irmãos, os quais tiveram de fazer uma divisão de toda a propriedade, destruindo as próprias entradas da quinta.
A casa existente foi reconstruída e pertence actualmente ao Sr. António Martins, sendo construída uma outra para o Sr. Cesário Martins.
A produção de vinho e milho é muito diminuta, mantém-se apenas, no forte, a colheita das laranjas.

Quinta do Assento - situada junto à Igreja Paroquial pertencia à família da Casa da Silva e por testamento da sua proprietária foi deixada à Congregação dos Missionários do Espírito Santo, embora seja de nosso conhecimento, que foi durante muitos anos arrendada a diversos caseiros que trabalhavam as terras. No rés-do-chão existia uma mercearia, vinhos e correio.
Os caseiros pagavam a renda em milho, centeio e feijão, fazendo contas no celeiro existente na Casa da Silva.
Esta quinta, no meio, é atravessada pela estrada nacional e do lado nascente pelo ribeiro de Calvos ou Silva e a sua produção era de cereais e vinho. O aproveitamento da água do ribeiro servia para a rega.
Do lado nascente da estrada tinha uma outra pequena casa do caseiro que olhava pelo moinho e por uma serração de madeiras.
Nos anos 70 as casas dos caseiros foram completamente restauradas, dando lugar a quatro apartamentos e no rés-do-chão mantém o comércio, sendo completamente destruída a casa do moinho.
Actualmente, a área de produção do vinho foi eliminada com a destruição das ramadas, mantendo o milho em áreas mais pequenas. Tudo isto, devido a desanexação de terrenos para equipamentos sociais da comunidade e outros em particular.

Quinta da Silva - é a maior área de terrenos da freguesia, até 1934, data do arrendamento de toda a quinta e solar, pertenceu à casa da Silva, mais propriamente ao procurador da Congregação dos Missionários do Espírito Santo.
"No último testamento de D. Maria Antónia de Sousa da Silva Alcoforado de 8 de Agosto de 1924, está nomeado por seu universal herdeiro, o Padre Moisés Alves de Pinho (Provincial dos Missionários do Espírito Santo).
Esta quinta situada a poente da freguesia, tinha casas, devesas, prados, vinhas e lameiros, toda circundada por um muro de quinze e mais palmos (aproximadamente de 3 a 3,5 metros de altura). 12
Os terrenos produzem muito milho, centeio e vinho, mas são também férteis em água, havendo um grande lago e um tanque como reservatórios para regas de todos os terrenos. Suas águas são de nascentes naturais e outras encaminhadas das minas de montes anexos que também pertenciam à quinta, mas fora dos muros.
Chegou a funcionar um alambique para queimar o bagaço das uvas, e os lavradores da paróquia tinham a possibilidade de também usufruir da sua utilização, obtendo na destilação uma boa aguardente.
Tem pomares com produtos hortícolas, uma vacaria com gado bovino produzindo muitas dezenas de litros de leite, o qual é recolhido pela Cooperativa.
Actualmente esta quinta já tem menos área agrícola, devido à construção de equipamento de apoio ao Seminário e numa das partes mais altas foi feita uma plantação de pinheiros.
Os trabalhos são executados por jornaleiros, com a ajuda de máquinas e tractores agrícolas.

Moinhos


Na freguesia da Silva o ribeiro Calvo, ou como actualmente se chama de ribeiro da Silva, nasce em Tamel Santa Leocádia e vai desaguar ao rio Cávado. Tem no seu percurso e, dentro desta freguesia, o aproveitamento das águas para rega, através de encoro artesanal, para sete moinhos: Carreiro, Vicentes, Cabanos, Bernardinos, Rego, Britos e Ribeira. Os moinhos dos Vicentes e Cabanos tinham serrações de madeira anexos.

Carreiro - um pequeno moinho situado na margem direita do ribeiro a montante do centro da freguesia pertencia a vários consortes sendo aproveitado para a moagem de milho e centeio conforme era determinado na escritura do proprietário dos terrenos anexos, na posse dos herdeiros do Sr. Domingos da Costa.
O acesso era feito através de carreiro em ambas margens do rio, os sacos do cereal eram transportados à cabeça das mulheres ou às costas dos homens.
Este moinho tinha uma entrada de água directa do ribeiro por uma caleira mais estreita com uma pequena inclinação caindo em força no rodízio e este fazia girar a mó.
Os consortes eram obrigados a picar a pedra para esta dar mais rendimentos às moagens.
O grão estava depositado na moega e caíam grãos de cereais conforme o tremer do quelho que introduzia directamente na mó e depois de esmagado saía em farinha para dentro de um caixote em madeira.
Nunca funcionou como meio comercial mas, já foram elaboradas obras de conservação há cerca de dez anos, suportadas por todos os consortes e, actualmente, encontra-se desactivado devido à falta de produção do grão e talvez por vontade dos consortes em não o utilizar.


Vicentes - Este moinho situado na margem esquerda do ribeiro (fig. 32) precisamente no centro da freguesia e pertence à familia dos Vicentes, mais propriamente aos herdeiros do Sr. Joaquim Miranda. Este moinho sempre funcionou como meio comercial na moagem do milho e centeio.
O acesso a este moinho ainda se faz pelas duas margens do ribeiro. Mas, a da direita, do lado da estrada nacional, é feita por uma travessia construída em cápias de pedra.



Para este moinho ser movido a água, os proprietários de antigamente tiveram de construir nos seus terrenos, a cerca de 250 metros de distância, um encoramento de águas do ribeiro da Silva através de um canal aberto.
As águas caíam novamente para o ribeiro, mas antes da queda ainda são encaminhadas por uma cáleira mais estreita, de 40 por 40 centímetros, que leva a água até à grande roda que através da pressão desta faz girar a mó no interior do moinho. Existia, em tempos, uma outra cáleira com uma inclinação de 3 metros que fazia mover a azenha da serração.
Os agricultores da freguesia e das limítrofes sempre foram os mais interessados na moagem da farinha para cozer a broa, fazendo transportar os sacos em grandes quantidades através dos carros de bois ou, como actualmente, em viaturas.
A despesa pela moagem é paga por maquia, esta é descontada no peso ou em dinheiro por cada quilo utilizado.
Actualmente este moinho encontra-se em funcionamento a água mas, desde o ano em que entrou a energia eléctrica na freguesia, o proprietário cedeu terreno para o primeiro posto de transformação. Com isso, aproveitou para requisitar a corrente para, ao lado da primeira mó, construir outra, mas esta movida a energia eléctrica.

A pequena indústria dos Vicentes tem uma particularidade, possuia uma serração de madeiras, movida pela azenha que tinha uma serra enorme a qual subia e descia pelo meio dos rolos cortados das árvores e serrava as tábuas conforme a espessura pretendida pelos clientes. Funcionou até aos anos 80 e presentemente encontra-se desactivada, devido à idade do proprietário actual (tendo também em atenção a morte
  
do seu irmão "Manel Moleiro") e devido ao aparecimento de serrações com maquinaria industrial, que fizeram com que esta serração deixasse de ser procurada.


Cabanos - este moinho situado a cerca de cinquenta metros dos Vicentes, pertencia à Quinta do Assento, sendo os donos a Casa da Silva (estava na margem direita do ribeiro, tinha acesso directo da estrada nacional e trabalhava na moagem de milho e centeio).
Através de um encoro as águas eram encaminhadas para o interior do edifício por três cáleiras em grande inclinação. Duas faziam girar as duas mós e uma terceira fazia mover a azenha da serração de madeiras. A água voltava novamente ao ribeiro através de uma mina, numa distância de 100 metros até encontrar o caudal do ribeiro.
Por fora do moinho a entrada de água era regulada manualmente conforme o caudal do ribeiro e conforme a água necessária para a velocidade da moagem.
Este moinho tinha em anexo e da parte exterior do edifício uma serração de madeira, sendo utilizada pelos caseiros da quinta principalmente quando o tempo não permitia a realização de trabalhos nos terrenos agrícolas. Então, nestas alturas os caseiros ocupavam-se na preparação dos rolos dos pinheiros ou eucaliptos, havendo necessidade de os descascar para facilitar a serragem.
Era muito utilizado pelos donos da Casa da Silva e pelos caseiros da quinta do Assento até aos anos 60 e a partir dessa data terminava com a moagem e o edifício era transformado em casa de habitação.

Bernardinos - um pequeno edifício situado na margem esquerda do ribeiro da Silva, sempre foi movido a água e foi utilizado pela família dos Bernardinos para a moagem dos seus cereais que seriam utilizados na alimentação desta família assim como na dos animais.
Actualmente apenas existem vestígios do edifício, o qual se encontra completamente abandonado pelos herdeiros da família Bernardinos.

Rego - um pequeno edifício construído em anexo à habitação da família Rego, situado na margem esquerda do ribeiro da Silva. Tinha acesso directo da margem direita através de uma passagem do caminho para as habitações próximas.
Sempre foi utilizado para a moagem do grão de milho ou centeio produzido pela família em terrenos arrendados.
Funcionou em pleno até aos anos 80, mas actualmente o edifício sofreu uma remodelação exterior e encontra-se desactivado devido à falta de habitação permanente no edifício anexo ao moinho.

Britos - era um pequeno moinho situado a jusante do ribeiro já muito próximo da freguesia de Lijó. Funcionou durante muitos anos para a moagem do milho e centeio produzido pelos caseiros e pelos herdeiros da família de Jacinto Brito, em terrenos limítrofes.
Deixou de funcionar pelos anos 60 e, actualmente, encontra-se completamente destruído apenas sendo visíveis as poucas pedras do edifício.

Ribeira - um moinho situado um pouco distante do ribeiro da Silva, construído dentro dos terrenos da Quinta da Ribeira que pertencia à Casa da Silva.
Tinha um aproveitamento da água do ribeiro a montante, seguindo depois por um canal aberto até entrar no moinho.
Era apenas utilizado pelos caseiros da quinta da ribeira e por alguns vizinhos, para a moagem dos cereais que habitualmente utilizavam na alimentação da família, ou seja, a farinha dava para cozer a broa, para misturar na sopa e para farinhar as tripas dos porcos que eram comidas no sarrabulho.
Actualmente, deste moinho só restam as pedras do edifício, dado que a quinta foi vendida há muitos anos e feita a partilha dos bens. Deixou de ser utilizado ficando completamente abandonado.


Calvário



"Nesta freguesia, no lugar do Calvário, existiu um calvário onde os devotos faziam a via sacra, da qual apenas existem alguns vestígios".
A paróquia continua a guardar este local de calvário e uma cruz, ainda existente, que é toda em pedra. Esta foi recolocada ao lado do caminho do calvário, servindo como estação da via sacra uma vez por ano, sendo os outros locais assinalados com cruzes feitas de madeira.
 
 
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