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Terça-Feira, 15.10.2019
Capitao Anselmo Silveira

                                                     

O Capitão Anselmo, Anselmo Silveira da Silva, nasceu na freguesia da Calheta de Nesquim em 1833.

A casa onde nasceu, a número 30, hoje reconstruída, fica situada no Ramal desta freguesia. A actual casa pouco tem a ver com a casa onde nasceu. Era uma casa pobre, de um só piso e de uma sala só, coberta de palha e chão de terra batida. A cozinha ficava fora, separada da casa. As dificuldades económicas desta família eram semelhantes às de muitas outras. Dormiam no chão em enxergas de palha ou casca de milho, comiam do que a terra produzia. Muitas vezes o bolo ia sozinho, acompanhado de um golo de água tirada do tanque ou trazida do Paul. Às vezes sempre havia um pouco de peixe ou um naco de carne ou de toucinho de porco. Um caldinho de couves ou de funchos, comido do alguidar de barro, pois pratos não havia, servia frequentemente de refeição a muitas famílias. Calçado não havia nem se comprava. Os pés descalços caminhavam e trabalhavam nos terrenos de sol a sol. O vestuário era feito pelas mulheres com os panos tecidos no tear, da lã das ovelhas ou da estopa do linho que cultivavam.

O Capitão Anselmo partiu em 1851, com dezoito anos. Embarcou de salto num navio baleeiro. Não teve vida fácil pois os capitães baleeiros eram rigorosos. Como era trabalhador, esperto e inteligente, rapidamente passou a marinheiro e depois a remador. Depois experimentaram colocá-lo de trancador e, ao que parece, deu um trancador descarado. Fizeram-no oficial, piloto do navio e depois capitão.

Baleou no Atlântico, no Índico, no Pacífico, no Ártico, no Antártico. Matou baleias na costa da Gronelândia, no estreito de Bering, no Alasca. “Ia do Polo Norte ao Polo Sul, do extremo Ocidente ao extremo Oriente, levando na alma um grito de ousadia, domando tempestades, monstros, feras como um valente e rude baleeiro”.

O Capitão Anselmo, casou, enviuvou e voltou a casar. Do primeiro casamento teve três filhos, dois homens e uma mulher e do segundo com Mariana Dias teve um homem e uma mulher.

Ganhou muito dinheiro. Voltou à terra natal e fundou a primeira armação baleeira do Pico, estabelecida na freguesia da Calheta de Nesquim, sua terra natal, com Samuel Dabney e George Oliver, da família Dabney, uma família americana estabelecida no Faial.. A escritura foi lavrada na Horta a 28 de Abril de 1876. Nela se estipulava que o bote arriaria apoiado por um barco de pesca e que, deduzidas as despesas, o produto líquido da safra seria partido ao meio, metade para os armadores e a outra metade para as companhas. A parte das campanhas era dividida em 43 quinhões: 18 para o oficial, 6 para o trancador, 3 para cada remador e sete para o barco de apoio.

Democrata, Pátria e Calhetense assim se chamavam os três primeiros botes desta armação baleeira. Faziam vigia no Mourricão, cada baleeiro o seu dia com o binóculo do Capitão Anselmo que era o único que havia. O sinal de baleia à vista era uma bandeira hasteada num mastro pelo que toda a gente andava num frenesim a ver se avistava a dita bandeira. Quando tal acontecia os baleeiros corriam para o porto, a multidão da freguesia também a ver arriar o bote pelo varadoiro abaixo apoiado na borda pelos homens para não apanhar qualquer avaria. E o bote lá ia pelo porto fora levado pelos remadores que remavam que nem danados com o Capitão Anselmo à popa de esparrela na mão. Antes de sair voltava-se para a igreja e fazia a sua promessa, um barril de azeite a santa Filomena, a santa da sua devoção se Nosso Senhor lhe deparasse baleia a salvamento.

O capitão Anselmo acabou por ficar doente vítima de mal apopléctico que o deixou leso e tralhoso. Mesmo assim gostava de ir à rua, para o balcão da sala, se o tempo estava bom, para ver o mar, e falar da sua vida, das suas histórias pelo mundo. Se aparecia baleia tinham que o levar para o balcão da cozinha de onde melhor avistava a amplidão do horizonte e daí ninguém o tirava, o dia inteiro de binóculos à cara, barafustando, enfurecendo-se se os nossos baleeiros faziam asneira.

O Capitão Anselmo faleceu em 1912, aos setenta e nove anos de idade.

A Junta de Freguesia da Calheta de Nesquim, em 1983, sob a presidência de Serafino Silva Azevedo, mandou erigir um busto em sua memória. Este foi colocado em sítio estratégico, no adro da igreja, para onde se voltava com devoção antes de partir para a caça à baleia olhando o mar que o fascinava. Recentemente, em 2008, Mário Manuel da Silveira Ferreira, presidente da Junta de Freguesia mandou embelezar com pedra serrada o pedestal onde o busto está colocado e procedeu à sua iluminação.

Na casa onde nasceu e viveu o Capitão Anselmo foi colocada uma placa comemorativa em 27/12/1983 por altura dos 150 anos do seu nascimento. Foi também dado o nome ao Terreiro de Largo do Capitão Anselmo em memória deste homem que foi um grande vulto da história desta freguesia.

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