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Segunda-Feira, 16.9.2019
 
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Lendas e Tradições
 

TRADIÇÕES

Freguesia rica em tradições, Aboboreira conserva ainda grande parte dos hábitos, usos e costumes de outrora. Assim, ainda hoje são conhecidas e transmitidas de geração em geração várias crenças e superstições, quase sempre associadas ao carácter rural da população. Os provérbios, por exemplo, exprimiam as condições climatéricas, que exercem grande importância na agricultura.
 


Provérbios

·“Em Abril águas mil coadas por um mandil.”
·“Março marçagão, manhã de Inverno, tarde de Verão.”



A cultura popular destas gentes expressa-se também por conjuntos de versos que retratam histórias da aldeia:


 


Décima

Era uma hora da tarde
Ao Panascoso chegou
A casa da rapariga ele procurou
Boa tarde menina Maria
Venho um pouco agoniado
Ela lhe deu um copo de água
E ele ficou mais descansado
Quando chegou à Aboboreira
Deu logo o seu corpo à cama
Quando foi o outro dia
Lá chegou a sua mana
O que tens mano José
Não te alevantes da cama
O que tenho ó minha mana
Eu te digo por igual
Já me dói o corpo todo
Tenho de ir para o hospital
Não me digas isso ó mano José
Que me dás penas a mim
Vou chamar a nossa mãe
Que venha para o pé de ti
Quando ela lá chegou
Mas tão triste ela ia
O que tens tu ó meu filho
Que estás numa grande agonia
O que tenho ó minha mãe
Eu lhe digo com razão
Entrego minha alma a Deus
E o meu corpo ao caixão
Sua mãe se retirou a pensar na sua vida
Mandou logo o portador
Para chamar a rapariga
Quando ela cá chegou
Vinha um pouco assustada
Quando o seu amor lhe disse
Nem solteira nem casada
Lindo amor diz na razão
Volta-te cá para o meu lado
E dá-me um aperto de mão
O José já não ouviu
O adeus da rapariga
Já Deus o tinha levado
Já estava na outra vida
Coradas novas coradas
Lá por cima de Lisboa
Este foi acontecido
José Palhota e Maria Boa.
 


Décima

Linda árvore é o sobreiro
Não há outra igual
Deixa muito rendimento
À Nação de Portugal

Por ser a árvore real
De longe deita a sua fama
Deixa por inglinidade
Não deixa cair a rama

Se ela ao dono não engana
Nem o deseja enganar
Primeira fruta que ela dá
Para os gados engordar

Dá-lhe a árvore em secar
Na alimpa não tem preguiça
Vai crescendo e enfeitando
Sua farda é a cortiça

Foi vendida por justiça
Esculturas, tabeliães
Começou a render contos
Foi acabar em milhões

Foi vendida aos cidadãos
Por muita honra e brio
Eu não vendo sem passar
A escritura ao algarvio

Para sustentar o seu brio
Muitos anos e meses
Isto foi o novo contrato
Que fizeram os ingleses

Tenho-vos dito imensas vezes
Não se querem acreditar
O negócio da cortiça
Por tempo vai acabar

Dá-lhe a árvore em secar
Dá-lhe a flor em cair
Vem o dono tira a casca
Para a sola ir curtir

Dali se começa a medir
Numas pernadas bem direitas
Deita arados e charruas
Faz obras bem feitas

Dali sai o que é preciso
Deita varas para lagares
Deita dentes para rodrizes
Rapazes tomem juízo

A machada vai na mão
O que não serve para madeira
É desfeita para carvão
Da cinza se faz o sabão

Proveito é da lavadeira
Está lavando regalando
Lá no rio da ribeira
Se é casada ou é solteira

Até no lavar se ocupa
Se a roupa não fica boa
O sabão carrega com a culpa

Coradas novas coradas
Lá por cima do mês de Outono
Agora é que se está vendo
Que o sobreiro deixa o dono.
 

Quadras

Chamas-te pé de ginja
Por eu ser tão delicada
Não sou bonita nem feia
Sou em ti mal empregada.

Chamaste-me trigo limpo
Eu sou a pura cevada
Tu és rico eu sou pobre
Eu ao pé de ti não tenho nada.

Foste dizer mal de mim
Ao rapaz que me namora
Se ele muito me queira dantes
Muito mais me quer agora.

Foste dizer ao meu pai
Sem saber se queria eu
Em tudo o meu pai governa
Nessa parte quem manda sou eu

Não olhes para mim
Não olhes que eu
Não sou como a figueira
Que floreta sem flor.

Meu amor me disse
Eu graça lhe achei
Não andes descalça
Que eu te calçarei.

A vida de resineiro
É uma vida amargurada
Quer de dia quer de noite
Tem a sua vida enrascada.

No outro dia de madrugada
Parece um soldado que vai para a guerra
Quando é o primeiro tiro
Coloca logo o joelho em terra.

Às vezes mal se alimenta
Além se ajoelha além se levanta
Passa horas esquecido
A afiar a ferramenta

O pinheiro geme e chora
Com muita razão
Volta e meia está ao pé dele
Para fazer a operação.

O pinheiro é um simplório
A nada sabe dar troco
Principalmente ao senhor
José do Barroco.

De um lado resineiro
De outro lado serrador
O inimigo primeiro
Foi o ingrato serrador.

Até a bicharada
Quis meter o colherão
Gaio, pintassilgo
Coelho ou tintelhão.

Eu só renovei um ano
E não fiquei avisado
Não paguei o pinhal aos donos
Ainda fiquei empenhado.

 


Antigamente, uma vez que não existiam grandes facilidades para as pessoas se deslocarem ao médico, a população recorria frequentemente aos chás. No campo eram apanhadas determinadas ervas que tinham diferentes funções:
 


Chás

·Chá de poejo para a constipação.
·Chá de película de cebola para a constipação.
·Chá de brasas para a tosse.
·Agriões para a gripe.
·Perpétua para a gripe, a bronquite e catarrais.
 

Actualmente, em Aboboreira, as danças e cantares tradicionais são efectuados apenas em ocasiões de festa ou momentos especiais. Assim, salienta-se uma Marcha, preparada pelos rapazes e raparigas de Aboboreira para a inauguração do Hospital de Mação, e uma Cantiga dos Bailes de terra:

 


Marcha

Partimos da nossa terra
Para irmos para Mação
Felicidades aos que ficam
E alegria aos que vão

Raparigas, a marcha vai para a frente
As cantigas são feitas pela gente
Ai, ai, ai, a folha da nogueira
A marcha mais linda
É a da terra da Aboboreira

Refrão:
Sapato branco de bairro alto
Lá vai a marcha toda contente
Laços e fitas balões ao ar
É a alegria da nossa gente

Viva o Senhor Governador Civil
E o Senhor Doutor Calado
Viva os nossos presidentes
Que estão aqui ao nosso lado

Nós somos de Aboboreira
Concelho de Mação
Pedimos ao Senhor Doutor Abílio
Que nos dê a sua mão

Refrão

Senhor Governador Civil
Estendemos a nossa mão
Por favor dê uma fonte
Que nos console o coração

Refrão

Rapazes e raparigas
Sigam todos para a frente
Visitar o Hospital
Para amparo da gente

Refrão
 


Cantiga dos Bailes

Olha para o meu lado direito
Na perna leva um defeito
Vou sempre a cambalear
Chego a casa encaro com a luz
Caio na cama catrapus
Já não posso mais andar
E ao pensar em mim sozinho
Eu pus-me a olhar para ela
Para viver com mulher aquela
Mais vale viver sozinho
Abre a porta e a janela
Vejo passar a donzela
Com modo cinceriosinho
Eu pus-me a olhar para ela
Para viver com mulher aquela
Mais me vale viver sozinho.

 


Aboboreira guarda nas suas tradições a realização de diversas festas e romarias que são na sua maior parte dedicadas à religião. Assim, a população de toda a freguesia faz questão de estar presente nas seguintes festas: São Silvestre, no dia 31 de Dezembro; Nossa Senhora da Conceição, no primeiro fim de semana de Agosto; e a Festa da Espiga, efectuada na quinta-feira da Ascensão.

Muitas das festividades desta localidade perderam-se no tempo e, para além das acima referidas, restam aquelas que originam a reunião das famílias, como o Natal ou a Páscoa.

A matança do porco ocupa também um lugar de relevo no seio desta comunidade, realizando-se na altura mais fria do Inverno, para que as carnes não se estraguem. Os homens agarram o porco, levando-o para um banco de pedra ou madeira, onde o sangrador o mata com um golpe na goela. O sangue corre e é aparado pela mulher da casa para um alguidar, onde previamente se havia colocado algumas cabeças de alho picado, sal e um pouco de vinho tinto. Este sangue é imediatamente posto num pote com água a ferver, cozendo durante algum tempo. Os homens raspam a pele do animal com facas velhas, denominadas farruscas. Em seguida lavam o porco com água fria, pendurando-o depois de cabeça para baixo num compartimento frio. No dia seguinte, o sangrador faz a desfeita do animal, ou seja, parte a carne em pedaços. 

 

 
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