.:: Freguesia de Piedade ::.
Este website utiliza cookies para lhe proporcionar uma melhor experiência de navegação e aumentar a usabilidade do mesmo. Para aceitar o uso de cookies basta continuar a navegar no website. Para mais informação consulte a informação sobre Politica de Privacidade e Política de cookies do site.
Aceitar
« »
Segunda-Feira, 17.6.2019
 
Contacte-nos
Farmácias
Lendas e Tradições
 


FESTA DO ESPÍRITO SANTO NA ILHA DO PICO

Nos Açores, em todas as ilhas, as festas em honra e louvor do Divino Espírito Santo dominam esta altura do ano, atingindo o seu epicentro no domingo de Pentecostes, estendendo-se, no entanto, não apenas nos dias que o antecedem, mas também nos primeiros dias da semana seguinte, prolongando-se, em muitas freguesias até ao domingo da Trindade. Estas festas, para além da parte litúrgica, onde sobressaem as celebrações da eucaristia e a organização de procissões e cortejos, constam geralmente da distribuição e da partilha da carne e do pão, entre todos e, de modo muito especial. Junto dos mais pobres. Na ilha do Pico, no entanto, este sentido de partilha tem um significado ainda mais abrangente e a ela estão ligados rituais e costumes ancestrais geralmente relacionados com promessas feitas pelos antepassados em momentos de enorme angústia e aflição, em virtude de crises sísmicas, catastróficas, acontecidas na altura, durante as quais o povo solicitava o auxílio divino para acalmar as correntes de lava que arrasavam a ilha, destruindo habitações, povoados e culturas. Na realidade, os festejos em honra e louvor do Divino Espírito Santo constituem, na ilha montanha, uma genuína tradição muito provavelmente trazida pelos primeiros povoadores e implementada com um cunho religioso e cultural muito forte entre a actual população de toda a ilha, mantendo-se, ainda hoje, com rituais e celebrações muito semelhantes às dos tempos antigos, com destaque para um inusitado e interessante cerimonial em que os "imperadores" levam, em procissão, a coroa, até à igreja, com a qual são "coroados" no fim da missa e ainda para a "função" que consiste fundamentalmente na participação colectiva num almoço em que praticamente toda a população da freguesia toma parte, sentando-se à mesma mesa, saboreando as típicas e tradicionais sopas do Senhor Espírito Santo. Mas o que mais revela este sentido de partilha mútua e de comunhão recíproca das festas do Espírito Santo do Pico é o facto de em todas as freguesias e até em alguns lugares da mesma freguesia, também se distribuir por todos os habitantes e também pelos forasteiros massa sovada, numas localidades sob a forma de pão, noutras de rosquilhas e noutras de vésperas. Esta distribuição obedece a um calendário rígido, histórico e imutável, permitindo assim que a mesma pessoa possa receber o pão doce, não só em dias diferentes mas até no mesmo dia em várias freguesias e localidades da ilha. É o seguinte o calendário de distribuição dos bolos de véspera, oferecido pelos irmãos e levado em cortejo até à capela para ser benzido, em louvor do Divino Espírito Santo, sendo que freguesias há que partilham as suas ofertas em mais de um dia.

Domingo de Pentecostes - Piedade, Domingo do Espírito Santo (Ponto da Ponta da Ilha).

Segunda-feira - Piedade, Segunda- feira do Espirito Santo (Ponto do Calhau).

Domingo da Trindade -  Piedade, Domingo da Trindade (Ponto da Altamora).

Esta distribuição tem lugar junto aos "impérios", pequenas e singelas construções tendo no vértice do telhado a pomba branca do Espírito Santo e no frontispício a coroa e a data da construção e que estão presentes em todas as freguesias e localidades mais importantes da ilha, constituindo um elemento interessante da arquitectura popular açoriana.


Os bolos de Véspera

 

É assim que, na freguesia da Piedade se confeccionam os bolos de véspera.

Actualmente os bolos de véspera levam ovos, banha, manteiga, açúcar, farinha, sal, fermento e água morna. São cevados e vão para o forno de lenha. Esta é uma massa que tem de ser muito bem cevada.

Cerca de uma dúzia de homens e mulheres trabalham durante uma manhã (alguns casos, ate depois do almoço), para que uma centena de bolos sejam distribuídos pela população. Depois de cevados os bolos, são estendidos ficando com uma forma redonda.

Com o chavão, com as insígnias do Espírito Santo marcam o bolo nove vezes, uma no centro e oito à volta, seguindo-se o furo em cima de todos os carimbos.

Esta massa não leva muito tempo a cozer. Depois de saírem do forno, são limpos do solo e untados com manteiga pra dar cor e brilho ao bolo. Depois de arrefecerem estão prontos para serem distribuídos em louvor do Divino Espírito Santo.




CARNAVAL NA PIEDADE

O Carnaval ou Entrudo está na memória das gentes, principalmente daqueles que já passaram à idade dos patriarcas. Não faz mal, por isso, recordar esses tempos de diversão e festa popular em que as pessoas, de quase todas as idades, se divertiam de maneira ordeira e sem ofender terceiros.

Em poucas semanas estamos no mês do Carnaval. Quatro semanas que antecedem a Quaresma, mas que, talvez por isso, eram de dar largam à alegria prazenteira, antes que o tempo da penitência e do jejum chegasse. Isto para os católicos que, nestas bandas, eram a totalidade das pessoas. E aqui vale a pena recordar que, no ano de 1875, a população da paróquia da Santíssima Trindade, constituída por quase três mil pessoas, de ambos os sexos e idades, e de todas as condições sociais, e segundo o "Rol dos Confessados", cumpriu o dever da desobriga pascal. Ninguém faltou!

O Carnaval iniciava-se com a "quinta-feira de amigos". Um dia especial em que os amigos se reuniam para a tradicional ceia.

E depois vinham as outras:  quinta-feira de amigas, compadres e comadres.  A seguir era o Domingo de Entrudo, também designado Domingo Gordo e os dois dias seguintes a festejar o rei mono, que a Quarta-feira, ou Quarta feira de Cinzas, davam início à Quaresma.

Numa rubrica do Missal Romano, consta a seguinte informação: "Nos primeiros séculos da igreja, os cristãos, que haviam prejudicado a comunidade cristã com escândalos públicos, expiavam-nos, durante a Quaresma." E depois: "Na sociedade moderna, em que tudo se permite e tudo se procura contestar, não só se está a perder a consciência das repercussões sociais do pecado, como também o próprio sentido do mesmo."

Felizmente que, por estes lados, o Entrudo não tem sido motivo para grandes distúrbios.

Na freguesia da Piedade, há a tradição do "Bando" ou o "Testamento do Burro", com a distribuição dos seus membros e órgãos pelos parceiros mais contestatários. E não passa de cena hilariante.

Por aqui, que me lembre, somente um caso fortuito, nos anos trinta. Porque os figurantes punham a ridículo o clero trajando vestes talhares e procurando desconhecer um edital da Autoridade Administrativa que isso proibia, aquela autoridade mandou-os prender e passaram uma noite na cadeia. Porém, no dia imediato, foram postos em liberdade e nada mais aconteceu.

Os ditos mascarados, (muitas vezes nem máscara usavam)

Aproveitavam factos ocorridos no ano, até mesmo familiares, para os trazer a público de maneira jocosa, mas sem referir nem locais nem pessoas. Serviam de divertimento sem, contudo, ridicularizarem, directamente, as pessoas. Note-se, porém, que nas danças não entrava o elemento feminino. Eram os homens que trajavam de mulheres a fazer o papel destas. Outros tempos...

Nos chamados dias de Entrudo exibiam-se, pelas localidades, danças com argumentos picarescos que causavam a hilaridade dos assistentes. Por vezes, percorriam as freguesias da ilha e, simultaneamente, aproveitavam para disfrutar, enviando farinha àqueles que se aproximavam. Não era costume usar água, até porque esse líquido, naqueles recuados tempos, não abundava. Outros, mais cerimoniosamente,  usavam pó de arroz...

As danças, os jogos ou encontros de carnaval davam-se durante o dia, mais propriamente na segunda e terça-feira. À noite, era nas casas que recebiam máscaras, que se juntavam as famílias, os vizinhos e amigos para "ver mascarados". Aí não se "entrudava". Só se viam as máscaras ou se bailava, normalmente a chamarrita e, ainda, os "bailes de roda", danças antigas de grande efeito e exibição artística, um tanto difíceis de executar e que, praticamente, desapareceram.

Hoje o Carnaval é "festejado" nas boites. E parece que não faltam frequentadores.

                                                              (Ermelindo Ávila)


 

 
Agenda de Eventos
D S T Q Q S S
       1
2 3 4 5 6 7 8
9 10 11 12 13 14 15
16 17 18 19 20 21 22
23 24 25 26 27 28 29
30
Formulário Candidatura
Mapa Google
Visitas
.::Visitas::.
Hoje: 18
Total: 86499
Início Autarcas Freguesia Informações Notícias Mapa do Portal Contactos Política de Privacidade
Junta de Freguesia de Piedade © 2010 Todos os Direitos Reservados
Desenvolvido por FREGUESIAS.PT
Portal optimizado para resolução de 1024px por 768px