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Santo Ildefonso
Freguesia extinta pela reorganização administrativa das freguesias em 2013 (Lei n.º 11-A/2013)
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Novo Nome: União das freguesias de Cedofeita, Santo Ildefonso, Sé, Miragaia, São Nicolau e Vitória,
Freguesias agregadas: Cedofeita, Miragaia, Santo Ildefonso, São Nicolau, Se, Vitoria |
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| CONTACTOS |
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| Morada |
Rua Gonçalo Cristóvão, 187 Porto |
| Cód. Postal |
4000-269 Porto |
| Telefone |
222057495 |
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| DESCRIÇÃO DA FREGUESIA |
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É sobremaneira difícil falar-se, com um mínimo de profundidade, de uma freguesia urbana como a de Santo Ildefonso.
Essa dificuldade resulta de muitos e díspares motivos.
É a freguesia de Santo Ildefonso caracterizada por aspectos típicos de uma grande cidade, situada que está no coração dela. Uma grande área, uma área onde acontece a maior parte da fenomenologia urbana, onde os habitantes são de fluxo dinâmico, onde os moradores residentes não ocupam um leque percentual idêntico (por defeito) ao de outras freguesias do Porto, mas ainda assim, eivada de circunstancialismos de fundamental importância para a vivência de uma cidade de trabalho e de cultura: é na freguesia de Santo Ildefonso que residem as maiores actividades comerciais, um número soberbo de serviços, os centros culturais predominantes, a tradição da difusão informativa, nomeadamente através dos jornais diários do Porto, prestigiados e prestigiosos, com raro paralelo no restante território nacional.
Espantosamente, é a Junta de Freguesia de Santo Ildefonso, uma das que menos se conhecem em termos de origem histórica.
Para um estudo prévio, elaborado pela actual Junta de Freguesia, no sentido de ser conseguida a publicação deste trabalho, detectaram-se três linhas num exemplar da revista "O Tripeiro" n.0 19 (1º Ano), de 1 de Janeiro de 1909. A págs. 14, sob o título "VÁRIA" imprimiram-se algumas bases de informação. A terceira referia: "Freguezia De Santo Ildefonso - A Freguezia De Santo Ildefonso no Porto formou-Se a 24 de Junho de 1634".
Apenas assim, sem mais qualquer outra fundamentação.
Prosseguindo a leitura de exemplares sucessivos de "O TRIPEIRO", cuja redacção, nessa época, se localizava curiosamente em espaço geográfico pertencente a esta freguesia (Rua Formosa, 199), encontrou-se ainda algumas notas e referências, no entanto por demais insuficientes, numa perspectiva de análise histórica. Assim: um mês depois ("O Tripeiro" n.0 22, de 1 de Fevereiro de 1909) era publicado:
" Ainda naquela data (11/9/1759), a freguesia de santo ildefonso descia ate ao douro e compreendia tudo o que e hoje d'esta freguesia de São Nicolau, desde os muros dos guindaes ate aos limites de campanhá ".
E no final do mesmo ano, em 1 de Dezembro de 1909, em "O Tripeiro" n.0 52, um texto assinado por Ricardo Jorge estabelecia:
"... Até 1836 consta o Porto propriamente de sete freguesias, Sé, Victória, 5. Nicolau, Santo Ildefonso, Miragaia, Massarelos e Cedofeita. Pelo decreto de 26/11/1836 foram-lhe anexadas Lordelo do Ouro, Campanhã e s. João da foz; e por carta de lei de 27/8/1837, nova anexação, a de Paranhos.
A desigual distribuição destas freguesias pedia reforma das suas circunscrições; deste plano tomou a iniciativa o bispo eleito, e aprovado superiormente o seu projecto de portaria de 13/2/1838, procedeu-se a nova demarcação, fixada por uma comissão onde entrava o bispo, a câmara e delegados das juntas de paróquia. Santo Ildefonso, de uma área enorme, foi desmembrada, creando-se à sua custa uma nova freguesia, a do senhor do Bonfim. O arredondamento paroquial de 1838 só foi sancionado pelo decreto de 11/12/1841, sob o referendo de Costa Cabral.. . "
Todavia, parece-nos importante salientar aqui a data de 1623 há uma referência - D. Rodrigo da Cunha avançava dessa data um quantitativo da que chamou "Santo Ildefonso": 1150 habitantes, sendo 1000 de maioridade e 150 menores".
Um estudo de Domingos A. Moreira, sobre as "Freguesias da Diocese do Porto" confere à freguesia de Santo Ildefonso um nascimento que foi operado entre esse ano de 1623 e o ano de 1687.
Passemos, entretanto, a uma Pública Forma datada de 6 de Maio de 1828, certidão atestada pela Câmara no sentido de:
"À vista dos respectivos títulos ou documentos haija de attestar-lhes ou certificar-lhes de narrativa se consta ou existe memória que designe o tempo em que havia huma só freguesia nesta cidade".
Trata-se de uma certidão da Câmara a pedido do Juiz e Mesários da Confraria do Santíssimo Sacramento e Senhor Jesus da freguesia de Santo Ildefonso, solicitando a precisão, que a certidão da Câmara apontava para o ano de 1551.
3. Todavia, num livro editado em 1869, da autoria de J. M. Pinto, e sob o título "Apontamentos para a História da Cidade do Porto" (pág. 104) volta-se a indicar que "no anno de 1634, a confraria do Senhor Jesus juntou-se à do Santíssimo Sacramento. Foi elevada a freguesia em 1634, contando então 1790 almas". Num outro estudo encontramos a indicação que isso se deu por desmembramento da freguesia da Sé";
A Rua das Fontainhas chamou-se em algum tempo Rua do Regato. Ali estiveram o Recolhimento das Entrevadas (já existente em 1498), o Hospital dos Lázaros e Lázaras (1558), e o Recolhimento de N. Srª das Dores (Velhas do Camarão) fundada em 1819 no Largo do Camarão e viela de N.8 Sr.8 das Dores, por detrás do Recolhimento das Órfãs, em S. Lázaro. A alameda deve-se a Francisco de Almada (1790).
Entre as Ruas das Fontainhas e do Sol, onde funcionaram os matadouros, chamava-se outrora Vale de Donas, e existia uma quinta, depois denominada das Fontainhas, que pertenceu sucessivamente às famílias Pereira de Melo (capitães-mores de Penafiel), Fontana, Vanzeller e Alpenduradas.
A Rua de Alexandre Herculano, que liga as Fontainhas à Batalha, foi aberta em 1877: chamou-se primeiro Rua Nova da Batalha. Junto da capela de Sant'llafom e de uma velhíssima Albergaria dos Peregrinos de Cima de Vila", havia, em 1590, o Campo do Pombal, que entestava com "a estrada que vai entre as paredes", para S. Lázaro. Deve ser remota referência à Rua de Entreparedes, à qual se seguia a do Reimão, hoje Avenida Rodrigues de Freitas.
O Campo de S. Lázaro estava antigamente plantado de frondosos carvalhos e castanheiros; ali esteve, desde o séc. XIV e vindo da Ribeira, o Hospital dos Gafos "de Cima de Vila de Mijavelhas", aos quais el rei D. João 1 confirmou os antigos privilégios por c. de 28-IX-1423 (A. D. 1385). Ainda existem aqui dois edifícios que merecem especial menção: A igreja e Recolhimento das Órfãs, fundado em 1724 pelo padre Manuel de Passos e Castro, e o convento de Santo António da Cidade (1783), hoje Biblioteca Municipal.
Próximo de S. Lázaro, no moderno Largo dos Poveiros, existiu também a capela de Santo André e de Santo Estêvão, demolida em 1863, quando a Câmara continuou a Rua da Alegria até àquele largo. Outro pitoresco recanto do velho Porto, que desapareceu.
À Rua de Santo André encontramos referências em 1692. Adiante ficava o Padrão das Almas, ainda agora recordado no Largo do Padrão. Mijavelhas era todo o espaço que hoje compreende a Rua do Morgado de Mateus, (que se chamou primeiro Rua do Mede Vinagre e da Murta) e o Poço das Patas (hoje Campo 24 de Agosto). Esteve aqui a forca até 1714, ano em que o Senado deliberou mudá-la para a Ribeira. O regato de Mijavelhas, que desaguava no Douro, fazia mover no seu percurso numerosas azenhas que neste lugar existiram.
Mais longe, em direcção a Campanhã, a igreja do Senhor do Bonfim, edificada em 1760 e depois erecta em paroquial, independente de Santo Ildefonso. Em redor, a Alameda do Bonfim, obra, como a das Fontainhas e a das Virtudes, do grande corregedor Almada, era um dos aprazíveis lugares da cidade.
Mas voltemos à igreja de Santo Ildefonso, ponto de partida de duas das principais artérias da cidade moderna: as Ruas de Santa Catarina e de Santo António.
A Rua Nova de Santa Catarina é uma das grandes obras que o Porto deve aos dois Almadas. Em 1711 tratava-se do alinhamento dela; Rua Bela da Princesa se chamou o seu prolongamento até à Alameda da Aguardente (praça Marquês de Pombal). Sofreu sucessivas reedificações e alterações até 1780. As artérias que lhe são paralelas ou transversais, datam quase todas de época posterior:
A Rua da Duquesa de Bragança, (hoje de D. João IV) rasgou-se por 1855.
Em 1858 projectava-se uma outra rua que substituísse a Viela das Doze Casas: foi a Rua do Príncipe Real (agora de Latino Coelho), que se abriu primeiro até à Rua da Alegria e depois de 1866 se prolongou até ao Largo da Póvoa e Rua de S. Jerónimo (hoje de Santos Pousada). Este Largo da Póvoa recorda antigos casais rústicos, que constituíam pequenas aldeias (Póvoa de Baixo e de Cima).
Em 1838, um edital determinava que a Travessa da Alegria e a Rua de S. Jerónimo formassem uma só, com o nome de Rua Firmeza. Na Aguardente, por onde passava em continuação de Bomjardim, a estrada de Guimarães, edificou-se em 1875 a capela de Santo António. Em volta da alameda, ainda em 1858 existiam estreitas e tortuosas vielas.
Uma planta de 1843 mostra-nos o projecto de prolongamento da Rua 27 de Janeiro (a actual Rua da Constituição), para poente da Rua da Rainha hoje Antero de Ouental), até ao Carvalhido, passando em tangente à bateria da Glória, no Monte Pedral.
Outra planta, de 1822, prevê o melhoramento do tortuoso Caminho de Malmerendas (Rua Dr. Alves da Veiga), por duas maneiras: em linha recta, da actual Rua de Fernandes Tomás até próximo do encontro da Rua Formosa com a Rua Direita, ou, por linha quebrada, em direcção à mesma Rua Direita, na saída da travessa para S. Lázaro.
A grande Quinta de Lamelas está hoje representada por alguns quintais de casas das Ruas Formosa e de Santo Ildefonso e parte do leito da Rua Passos Manuel.
Há poucos séculos todo este bairro de Santa Catarina, Santo António, Fernandes Tomás e Sá da Bandeira constituíam vasto terreno bravio, matagais, almoinhas, alguns quintalejos irrigados por cursos de água que desciam para o rio da Vila ou para o Douro.
A urbanização deste trato citadino, por esforço dos Almadas, designadamente a abertura da Rua de Santo António, em fins do séc. XVIII, foi obra notabilíssima, como tal já na própria época reconhecida e proclamada. Escrevia em 1879 o inglês Thomas Modessan: "o rompimento da Rua de Santo Ildefonso, a unir com o largo da Porta de Carros e Calçada dos Clérigos é outra das majestosas obras que em outro tempo apenas se poderia conceber e efectuar no decurso de um século". Refere-se, como se vê, à Rua de Santo António; descendo a movimentada artéria, estamos na Praça (da Liberdade), centro actual de toda a vida citadina.
Fora da Porta de Carros, e junto da muralha fernandina, estendia-se pelos anos de 1430, um casal chamado de Paio de Nabais; note-se a circunstância curiosa de em Lisboa existir, por esse tempo, topónimo semelhante. Próximo, o Casal da Torre, vinculado à capela de João Anes Gordo, coutador de el rei. Estes e outros casais ficavam onde então se chamava As Hortas.
Em 1711 "O Rev.do Cabido tomou a si para fundar a Praça Nova, fora da Porta de Carros", terrenos que eram seus e outros que obteve por troca. Assim começou a urbanizar-se o local, principalmente depois que, dez anos mais tarde, em 1721, o mesmo Cabido e a Câmara se entenderam para esse objectivo.
Um Tombo do mosteiro de S. Domingos menciona, em 1669, "a Rua pública dos Ferradores, junto do chafariz da Porta do Olival". Por aqui passava o carro da água de Paranhos. O determinado local da praça chamava-se o Outeiro dos Ferradores. Neste largo tivera sua casa os viscondes de Balsemão; no edifício, que ainda existe, esteve a famosa hospedaria do Peixe, onde pousou o rei Carlos Alberto. Passou a casa depois à posse dos condes da Trindade, cujo brasão ostenta na frontaria. Para sul, até entestar no muro da cidade, e confrontar com Miragaia, espraiava-se o vasto Campo do Olival, mais extenso que a Cordoaria que lhe sucedeu, com o nome de Campo dos Mártires da Pátria em 1835. Este Campo do Olival, incluído na doação da rainha D. Teresa ao bispo D. Hugo, em 1120, foi mais tarde, na concórdia celebrada entre o concelho e o seu prelado no ano de 1331, por este cedido "para rocio e prol do comum da dita cidade"; já então ali existia uma cordoaria.
Pelo campo do Olival começou, como noutro lugar já acentuámos, a expansão da cidade extra-muros, nos últimos anos do séc. XVI, com a sucessiva construção de notáveis templos e edifícios públicos e particulares. Dos mais antigos deviam de ser, provavelmente, uma capela da invocação de S. Miguel, que se diz ter sido fundada pela rainha D. Mafalda, em cumprimento de piedoso acto, e outra dedicada a S. Sebastião; ambas existiam em 1514.
No próprio lugar onde se erguia a primeira destas ermidas, edificou-se em 1651, graças aos esforços do benemérito padre Baltasar Guedes a igreja e colégio dos Meninos Órfãos de N. Sr.ª da Graça, em 1804 substituídos pelo edifício onde hoje se acha instalada a Faculdade de Ciências. No Olival esteve, não sabemos onde, o Recolhimento das Velhas da Cordoaria, já existente em 1488.
Em 1611, a Câmara mandou delinear e plantar a Alameda do Olival. Oito anos depois, em 1619, à custa também do Senado e do Povo, construíram-se a igreja e o convento do Carmo; o templo dos Terceiros, que lhe fica anexo, data de 1756. O Recolhimento do Anjo, para meninas órfãs e nobres, foi instituído em 1672 por D. Helena Pereira da Maia, no lugar onde esteve, mais tarde e por muitos anos, o mercado, e agora a Praça de Lisboa.
Cerca de 1666, no cimo da Rua do Calvário, fundou a família dos Pachecos a capela de S. José das Taipas. Pegado com ela, edificaram os Sandeman seu palácio em 1839. Em 1730, no local hoje adaptado a mercado, construíram os franciscanos de Santo António do Vale da Piedade um hospício. Nesta casa, sobranceira às Virtudes, instalou-se posteriormente a Roda dos expostos. O mercado do peixe, paredes meias com a Roda, data de 1874, edificado sobre os antigos Celeiros da cidade.
No ano de 1770, no chão onde existiam dois meios casais chamados do Robalo, começou a Misericórdia a construção do seu Hospital de Santo António. Ainda nos limites do Olival, no campo chamado da Via Sacra ou Calvário Velho, fez-se o convento de S. José e Santa Teresa de carmelitas descalças. Deu esta casa, hoje desaparecida, o nome à Rua das Carmelitas; ocupava o terreno que vai desde esta rua até à Praça de Santa Teresa (Praça Guilherme Gomes Fernandes) e Rua Cândido dos Reis.
No lugar desta moderna artéria da cidade, era o Largo do Ermitão onde, no séc. XVII, se erguia uma pequena ermida, e depois, quase até nossos dias, se realizava a Feira dos Ferros Velhos. Logo adiante, o Correio (1834).
Defronte, e no alto da Calcada da Arca ou da Natividade, que conduzia, como dissemos, às Hortas, no lugar denominado da Cruz da Cassoa, construiu-se, sob o risco de Nasoni, a belíssima torre e igreja dos Clérigos, talvez o mais notável edifício da cidade.
Junto ficava o Campo das Malvas que até 1796 serviu de adro dos enforcados. Além destes monumentos, que todos merecem especial referência, é o Campo do Olival ou da Cordoaria digno de memória por outras circunstâncias. A designação de Cordoaria deve-se ao facto de nele terem estado, por muito tempo, os cordoeiros. Já em 1331, quando o bispo cedeu este campo à cidade, ali existiam; mais tarde estabeleceram-se em Miragaia. Mas crescendo em número, estenderam-se até às Virtudes em 1661 estavam de novo na Porta do Olival, onde D. José mandou edificar a fábrica, que continuou até 1862. Nesse ano ainda viviam cordoeiros junto da Viela do Assis.
Na Porta do Olival viu o Porto os seus dois únicos autos de fé, em tempo do bispo D. Frei Baltasar Limpo (1543-1544). Aqui esteve a forca, transferida da Ribeira em 1822. Foi teatro de alguns acontecimentos históricos. Neste campo começou, em 1757, o famoso motim contra a Companhia dos Vinhos, e ali mesmo terminou com a morte na forca dos supostos cabecilhas. Aqui também, em 1809, o povo trucidou o brigadeiro Luís de Oliveira da Costa, sob a acusação de jacobino. A par destas tragédias, viu o luzido cortejo da rainha D. Filipa quando ao Porto veio casar com D. João 1; assistiu à passagem do senhor D. Gaspar, a caminho do seu arcebispado de Braga. Nele se realizava a animada feira de S. Miguel, criada em 1682. Foi, nos meados do século passado, o jardim "do bom tom" no Porto. E para terminar esta digressão pela freguesia de Santo Ildefonso, diremos ainda que em 1623 ela contava 1.150 almas; em 1706, 589 fogos com 2.134 habitantes; em 1732, D. Luís Caetano de Lima conta 4.747 almas; e em 1788, o padre Rebelo da Costa, 4.390 fogos, com 18.814 habitantes. Repare-se neste extraordinário incremento de população, devido aos esforços urbanizadores dos Almadas.
Sempre se vem podendo, pois, e apesar de tudo, referir muito da longa História da freguesia. No roteiro "Descrição da Cidade do Porto", considera-se o bairro de Santo Ildefonso, a Norte da cidade", principiando no Senhor do Bom Fim e finalizando nos Assentos das Virtudes, incluindo toda a Rua Nova de Santa Catarina até à Neta e Bom Jardim, todo o Largo e Rua das Hortas, Almada até à Senhora da Lapa e voltando por Santo Ovídio passa aos Ferradores, Cordoaria, Assentos das Virtudes onde se termina".
Depois disso foi alterado o espectro das freguesias portuenses, sempre de uma forma algo confusa. E de tal forma que os limites delas foram de uma maneira ou doutra sempre postas em causa, com toda a série de inconvenientes daí decorrentes, tendo em vista a necessidade de fazer avançar a cidade no campo do progresso o qual acabava por se estrangular nesta ou naquela circunstância nomeadamente no respeitante ao desenvolvimento urbanístico da cidade. Daí ter surgido, com data de 8 de Fevereiro de 1956 um Decreto proveniente do então Ministério do Interior, da Direcção-Geral de Administração Política e Civil. Assinado por Francisco Higino Craveiro Lopes (Presidente da República), António de Oliveira Salazar (Presidente do Conselho de Ministros) e por Joaquim Trigo de Negreiros (Ministro do Interior) e com o número 40 526 o Decreto foi publicado nesse dia no então "Diário do Governo" (1 Série - Número 30) e estabelecia a nova delimitação das freguesias do concelho do Porto. Em preâmbulo. acentuava-se:
- Desde há muito se suscitam dúvidas quanto aos limites de algumas das freguesias do concelho do Porto, as quais se foram agravando à medida que se verificou o desenvolvimento urbanístico da cidade.
- Considerando que é urgente por termo às mencionadas dúvidas e que a delimitação rigorosa das freguesias se torna também necessária para poder vir a encarar-se o problema do reconhecimento legal da existência de novos núcleos diferenciados, pela criação de freguesias correspondentes;
- Tendo em vista os estudos a que procederam os serviços da Câmara Municipal do Porto e os pareceres emitidos pela Junta de Província do Douro Litoral e pelo governador civil do Porto;
O Decreto tinha artigo único e citava as seguintes freguesias:
Aldoar, Bonfim, Campanhâ, Cedofeita, Foz do Douro, Lordelo do Ouro, Massarelos, Miragaia, Nevogilde, Paranhos, Ramalde, São Nicolau, Santo Ildefonso, Sé, e Vitória.
No que a Santo Ildefonso diz respeito, o texto da sua delimitação era o seguinte:
Santo Ildefonso - Com início na Avenida de Rodrigues de Freitas, no cruzamento com a Rua de S. Vitor (vértice comum às três freguesias: Santo Ildefonso, Bonfim e Sé), segue pela Rua de D. João IV até à Rua da Firmeza, Rua da Firmeza, para poente, até à Rua da Alegria, Rua da Alegria, para norte, até à Rua da Escola Normal. Rua da Escola Normal, Rua de Santa Catarina para norte, arruamento nascente da Praça do Marquês de Pombal. Rua da Constituição, para poente, até à Rua de S. Brás e por esta rua, para sul, até à Rua do Paraíso, Rua da Regeneração, arruamento nascente da Praça da República. Rua do Almada até à Rua de Ricardo Jorge, onde fica o vértice comum às três freguesias: Cedofeita, Santo Ildefonso e Vitória. Rua do Almada, para sul, até à Rua dos Clérigos, onde fica o vértice comum às três freguesias: Vitória, Santo Ildefonso e Sé, seguindo, para nascente, pelo arruamento sul da Praça da Liberdade. Praça de Almeida Garrett, Rua da Madeira até à Praça da Batalha e deste ponto até à parede divisória dos prédios n.os 19 e 20 da Praça da Batalha e daqui, contornando a propriedade do Teatro Águia de Ouro, até junto ao cunha sudoeste do prédio n.0 1 da Rua de Entreparedes. Rua de Entreparedes, para nordeste, e Avenida de Rodrigues de Freitas até à Rua de S. Vitor.
Grosso modo, essa limitação vigora nos nossos dias, com algumas excepções pontuais relativas a pequenas alterações na estrutura da rede citadina, motivada pelo aparecimento de novos prédios e novas artérias, desaparecimento de outras, substituição de traçados.
De qualquer forma, aqui ficam as artérias da área a que este Decreto se refere:
- Avenidas: Aliados e Rodrigues de Freitas (n.0 250 ao 370, pares).
- Becos: Pedregulho e S. Marçal.
- Largos: Fontinha, Padrão (n.0 8 ao 20 e do n.0 313 ao 321),Ramadinha e Dr. Tito Fontes.
- Passeios: São Lázaro. Pátios: Bolhão e Bonjardim.
- Praças: Batalha (n.0 1 ao 19 e do n.0 117, até ao fim), D. João 1, General Humberto Delgado, Liberdade (n.0 40 ao 142, pares e ímpares), Marquês do Pombal (n.0 1 ao 205, ímpares), Poveiros, República (n.0 138 a 210, pares e ímpares) e Trindade.
- Ruas: Alegria (n.0 2 ao 296 e do n.0 1 a 417 até à Escola Normal), Alexandre,Braga, Alferes Malheiro, Almada (n.0 2 ao 614, pares e até ao Palacete dos Pestanas), Dr. Alfredo Magalhâes, Alto da Fontinha, Dr. Alves da Veiga, António Pedro, António Sardinha, Dr. Artur de Magalhâes Bastos, Ateneu Comercial do Porto, Bela da Fontinha, Bolhão, Bonjardim, Camões, Campinho, Carvalheiras, Clube dos Fenianos,Constituição (n.0 545 ao 913, ímpares), D. João IV (n.0 1 ao 493, ímpares), Elísio de Meio, Entreparedes (n.0 1 ao 63, ímpares), Escola Normal (n.0 1 ao 61, ímpares), Estêvão, Fábrica Social, Faria Guimarães (n.0 2 ao 550 e do n.0 1 ao 551), Fernandes Tomás (n.0 288 e 335, até ao fim), Firmeza (n.0 93 e 358, até ao fim), Fonseca Cardoso, Fontinha, Formosa (todos os números, excepto os n.0s 2 ao 6, pares),Gonçalo Cristóvão, Guedes de Azevedo, Guilherme da Costa Carvalho, Ramalho Ortigão, Heróis e dos Mártires de Angola, João de Oliveira Ramos, João Pedro Ribeiro, João das Regras, Madeira (n.0 2 a 246, pares), Dr. Magalhães Lemos, Moreira de Assunção, Musas, Olivença, Paraíso, Passos Manuel, Raul Dória, Regeneração (n.0 1 ao 146, pares e ímpares), Régulo Magauanha, Dr. Ricardo Jorge (n.0 2 a 36 e n.0 3 a 23), Rodrigues Sampaio, São Brás (n.0 2 ao 606, pares), Sá da Bandeira, Sampaio Bruno, Santa Catarina (n.0 1 ao 1787 e do n.0 2 ao 966), Santa Helena, Santo André, Santo António, Santo Ildefonso (n.0 1 ao 311 e do n.0 2 ao 320) e Trindade.
- Travessas: Alferes Malheiro, Almas, Antero de Quental (n.0 2 ao 218 e do n.0 1 ao 259), Bonjardim, Campos, Congregados, Fontinha, da Rua Formosa, Liceiras, Regeneração, São Brás (do n.0 1 ao 47 e do n.0 2 ao 46), São Marcos, Sá da Bandeira e Senhora da Conceição.
Esta relação, mais ou menos exaustiva, serve para demonstrar a extensão desta freguesia do Porto, de que é sede de numerosas instituições:
- Corpos Consulares (da Austria, Brasil, Bolívia, Coreia do Sul, Costa Rica, Equador, Espanha, França, Finlândia, Perú, Paraguai e Egipto).
- Institutos: (Instituto Espanhol de Cultura),
- Região Militar Norte, e vários organismos oficiais, impossível de aqui referenciar na totalidade,
- Orgãos de Comunicação Social ("O Comércio do Porto", "Jornal de Noticias", "O Primeiro de Janeiro", Noticias da Tarde", Noticias de Portugal" (delegação), RadioTelevisão Portuguesa (Conselho de Gerência - Norte), Rádio Renascença e ainda as seguintes Delegações de Jornais de Lisboa: "O Dia", "Diário de Notícias", "Diário de Lisboa", "A Capital", "O Jornal", e " Expresso". |
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