As comemorações dos 50 anos do 25 de Abril arrancam hoje dia 24 de março (embora os 50 anos de democracia só sejam atingidos em 2024) - a data em que o país passará a ter mais dias de democracia (17500 dias) que de ditadura (17499 dias) - com o foco numa outra efeméride que se comemora na mesma data: os 60 anos sobre a crise académica de 1962, a revolta de milhares de estudantes contra o regime de Salazar, duramente reprimida pelo regime.
Entre vários eventos, uma exposição que ficará patente no Museu de História Natural, em Lisboa, durante o verão, seguindo depois para Coimbra - as duas cidades que foram o epicentro da contestação estudantil que começou em reação à proibição do Dia do Estudante (precisamente a 24 de março de 1962) e que se prolongaria até ao final desse ano.
Logo no início de abril há outra efeméride que também não deverá passar ao lado do plano de comemorações -
a 3 de abril passam exatamente 30 anos sobre a data da morte de Salgueiro Maia, um dos grandes ícones da Revolução de Abril.
Ainda no mês de abril
cumprem-se também 50 anos sobre a publicação das Novas Cartas Portuguesas, obra publicada por Maria Isabel Barreno, Maria Teresa Horta e Maria Velho da Costa em 1972, que seria recolhida e destruída pela censura três dias após a publicação, qualificada como imoral e sob a acusação de fazer a defesa da emancipação das mulheres.
Contexto histórico (resumo):
Entre 1933 e 1974, Portugal viveu a mais longa ditadura da Europa. Sob o governo de António de Oliveira Salazar criou-se um Estado Novo com o objetivo de retirar o país das graves dificuldades económicas e da instabilidade política herdadas do período da I República (1910-1926). Ao chamar para si a missão de levantar a glória perdida da nação, Salazar manteve durante décadas os portugueses debaixo de um regime ditatorial apertado em que a liberdade de expressão foi proibida e a participação popular limitada.
Nos anos finais do regime, e após a morte de Salazar, Marcelo Caetano não conseguiu alterar o mal-estar generalizado entre a população. Eram os anos finais da Guerra Colonial e a pressão internacional em acabar com o conflito em África, bem como os ventos democráticos que se faziam sentir na Europa, acabaram por influenciar a Revolução de Abril de 1974. O fim da ditadura foi o início da democracia em Portugal e com ela o reaproximar de Portugal à Europa comunitária. A partir de 1986, o país iniciou a sua marcha rumo ao desenvolvimento económico, com uma estabilidade política a contribuir para o sucesso da jovem democracia e que trouxe para Portugal investimentos capazes de modernizar o país.
O Portugal atual está já longe daquele país que Salazar herdou. As suas caraterísticas populacionais são um exemplo vivo dessa transformação com a existência, entre outros aspetos de mudança, de uma sociedade multicultural sem precedentes na história nacional. De um país tradicionalmente associado à emigração – desde os tempos da Expansão Marítima – Portugal transformou-se nas últimas décadas num porto de abrigo para imigrantes de diversas proveniências. Mas também as caraterísticas e os padrões espaciais de localização das cidades e das atividades económicas sofreram transformações.
Viva PORTUGAL