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Terça-Feira, 11.8.2020
Descritivo Histórico
 

Se há terras que se podem orgulhar do seu passado histórico, Sobrosa é uma delas. Povoação muito antiga, sofreu a influência da romanização, pelo que o seu nome vem do latim “suberosus”, uma adjectivação de “suberis” que tem o significado de sobreiro. Assim, Sobrosa seria terra abundante em sobreiros.

Com raízes documentadas pelo menos a partir de meados do século XII, Sobrosa foi o local escolhido pelo nobre galego Fernão Peres, o Cativo, para aqui fundar uma Honra, que subsistiria durante 700 anos.
Vários membros da Família dos Soverosas desempenharam importantes funções na Corte dos quatro primeiros reis de Portugal, destacando-se o grande fidalgo D. Gil Vasques de Soverosa, vencedor de várias lides e torneios. Após o exílio de D Sancho II em Toledo (1248), a família entrou em decadência.

Nas Inquirições de 1258, refere-se que a Igreja de Santa Eulália de Sobrosa era dos filhos de D. Gil, e que a “villa” continha 47 casais.
D. Afonso III concedeu Foral a Soverosa no dia 5 de Julho de 1273.
Mais tarde, Sobrosa, com o privilégio de Vila e Honra, passa para as mãos dos Marqueses de Vila Real, uma das famílias mais ricas de Entre Douro e Minho.

Em 15 de Outubro de 1519, o rei D. Manuel I concedeu Foral Novo à Honra de Soverosa, um documento que espelha a influência que Sobrosa exercia sobre várias freguesias dos actuais concelhos de Paredes, Paços de Ferreira e Lousada, designadamente Cristelo, Madalena, Louredo, Ferreira, Freamunde, Meixomil, Penamaior, Eiriz, Sanfins de Ferreira, Figueiró, Gondesende (Raimonda), Lamoso, Portela (Codessos), Carvalhosa, Sousela e Figueiras.

Em 1641, D. Luís de Noronha e Meneses, 7.º Marquês de Vila Real, entrou numa conjura contra D. João IV que, no dia 1 de Dezembro de 1640, tinha libertado Portugal do domínio Filipino. D. Luís de Meneses foi decapitado com os outros conjurados e os bens do Marquês de Vila Real foram confiscados, passando para património da Coroa. Nesses bens estava incluída a Honra de Sobrosa.

Em 1654, o Rei D. João IV criou a “Sereníssima Casa do Infantado”, com o objectivo de dotar o Infante D. Pedro com rendimentos próprios, tornando-se uma instituição patrimonial dos segundos filhos dos monarcas, deixando, assim, de estar dependentes do irmão mais velho, herdeiro do trono e dos bens da Coroa. Os bens confiscados ao Marquês de Vila Real passaram a fazer parte do património desta instituição, pelo que a Honra de Sobrosa passou para a posse da Casa do Infantado e para a jurisdição dos infantes de Portugal, até ao advento do Liberalismo, no século XIX.
Durante esta época, Sobrosa, juntamente com a Vila de Azurara (Vila do Conde), constituiu um Almoxarifado, sede de um território extenso, a cargo de um almoxarife, isto é, de um funcionário régio a quem cumpria emprazar ou arrendar os bens da Coroa e superintender na cobrança dos direitos reais ou no seu arrendamento.

Nas Memórias Paroquiais de 1758, o Vigário de Sobrosa, Padre José Dias Torres, informou que Sobrosa “He honra com titulo de Villa de Sobroza” e que “a ela pertence toda a freguezia de Freamunde, parte da de Ferreyra, e tem cazas que sam sogeitas a mesma honra na freguezia de Christello, Besteiros, Madalena, Louredo, Souzella, Figueyrô, Lamozo, Carvalhoza, Sam Fins, Eyris, Meixomil e Sam Pedro da Reymonda”. Referiu, ainda que “Tem dous juízes Ordinarios e Camera”. Além destes, havia três vereadores, um procurador e um meirinho.

É de referir que este é o “século de ouro” para Sobrosa. Por toda a freguesia, grandes casas se constroem e são reformadas, são edificados os Paços do Concelho e Cadeia e o Pelourinho, são levantadas capelas, a igreja é reconstruída, criam-se confrarias, formam-se padres, bacharéis e militares. Tudo concorre para o progresso da Vila de Sobrosa, como se pode depreender pelo património edificado ainda hoje existente e pela grande quantidade de documentos daquela época que chegou aos nossos dias.

O apogeu de Sobrosa viria a dar-se no início do século XIX, com a elevação a sede de concelho, do qual faziam parte as freguesias de Carvalhosa, Codessos, Eiriz, Ferreira, Figueiró, Freamunde, Lamoso, Meixomil, Modelos, Paços de Ferreira e Sanfins de Ferreira.
No seguimento das lutas liberais, em que as grandes casas, com os seus militares, tomaram o partido miguelista, Sobrosa vê extinto o seu concelho, pelo Decreto de 6 de Novembro de 1836. Todas as suas freguesias são integradas no novo concelho de Paços de Ferreira, excepto Sobrosa, que transita para o de Paredes.
Actualmente, como referência ao seu passado histórico, a freguesia de Sobrosa tem o direito de ostentar quatro torres no seu brasão, em memória aos tempos áureos de vila e honra.

Apesar de perdidos os seus privilégios, Sobrosa chega ao início do século XX como “uma das freguezias mais nobres do concelho” e “uma das freguezias mais ricas do concelho, e das que possum maior numero de bôas casas de habitação”, conforme refere a Monografia de Paredes (1922).
Tal como em muitas outras freguesias desta região, em meados do século XIX floresceu a indústria do mobiliário. No final do século passado, Sobrosa deixa de ser uma freguesia dependente da agricultura, com a chegada das indústrias de confecção de vestuário e a consequente emancipação da mulher.

A 6 de Abril de 2011 a Assembleia da República aprovou, por unanimidade, o projecto-lei de re-elevação de Sobrosa à categoria de Vila, restituindo um título tão histórico quanto simbólico para o seu povo.

Hoje, Sobrosa mantém as características rurais que sempre a caracterizaram, aliadas ao desenvolvimento e ao progresso. O surto habitacional e populacional modificou a paisagem, onde o casario se destaca na verdura dos campos e dos montes.
Por tudo isto, Sobrosa é uma terra apetecível e onde dá gosto viver.

 
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