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SILVARES - ORIGEM E ANTIGUIDADE

 

S. Miguel de Silvares é a segunda freguesia de que falam as Inquirições e de que se compunha o antigo concelho, ou antes, o antigo julgado de Lousada, Judicatas de Louzada. Dentro da área desta freguesia é que está hoje, como se sabe, a sede do actual concelho da comarca, e a moderna vila, propriamente dita, do mesmo nome de Lousada; embora pelo lado do poente e sul, a povoação se vá alargando por terreno da freguesia de Cristelos, como vimos no artigo precedente.

          Deste texto latino, cuja tradução literal por brevidade se omite, deduz-se, segundo o que atrás ficou dito, relativamente à igreja de Cristelos, que a igreja de São Miguel de Silvares, como quasi todas as do norte de Portugal, foi fundação de particulares (fundatores, herdatores) e que nada deveu ao estado ou à coroa; que apenas teve por protectora (comenda), contra abusos dos ricos-homens que possuíam terras na freguesia, a Miana (rica e poderosa senhora) D. Teresa, ou Teresa Gonçalves de Sousa, filha das segundas núpcias de D. Gonçalo Mendes de Sousa, rico-homem senhor da casa de Sousa e genro pelo primeiro matrimónio do fundador da monarquia; que nessa data –1258 – a freguesia apenas tinha 24 casais (o que não significa que não tivesse maior número de simples fogos), dos quais 8 pertenciam á Ordem do Hospital ou de Malta; 4 ao mosteiro do Palaciolo (Paço de Sousa) doados pela rainha D. Mafalda; 3 aos filhos e netos de D. Elvira Vasco (Velasco) filha da referida D. Teresa Gonçalves; 4 ou 5 à igreja de São Salvador de Lousada; 1 ao mosteiro de Pombeiro (Palumbarius); 1 a D. Rodrigo Froia, senhor já citado na freguesia de Cristelos onde possuía também terras; 3 ao mosteiro de Vilela no actual concelho de Paredes; 2 a Martinho Domingues de Moniz e seus irmãos; 1 ao Mosteiro de Mancelos e 5 ao Rei.

         Estes 5 últimos casais pagavam de foro anual ao monarca uma espádua (spatula) de porco com 12 costelas; uma taleiga (taliga) de centeio cuja capacidade era de um alqueire, dois , três , e mais ou menos, segundo a época e os lugares: um cabrito; um pato; treze varas de bragal (panos de linho); dois capões; uma scaan (vasilha equivalente a um almude) de manteiga, etc.

         Provavelmente os prédios que pagavam estes foros ao rei eram os que ainda hoje em Silvares constituem o lugar do Reguengo, (terreno ou direito rial regalengo).

         Além destes, outros foros pagavam as terras de Silvares aos seus directos senhores: a vida a voz a calúnia, a pousada aos mordomos, o morabitino, que já atrás ficaram sucintamente explicados o que eram; e a entroviscada (troviscada) que devia consistir, assim como as montarias, paradas, comedorias, etc. em acompanhar ou prestar qualquer serviço nas pescarias que os senhores fizessem nos rios.

Do texto da inquirição de S. Miguel de Silvares deduz-se também uma coisa: que esta freguesia, que nunca se chamou Lousada, nem, antes de 1842, possuía lugar algum, aldeia, povoação ou casa com o nome de Lousada, continha 4 ou 5 casais que eram propriedade da igreja de S. Salvador de Lousada, freguesia limítrofe mas diferente.

A povoação que hoje, e desde 1842, constitui a vila propriamente dita, de Lousada dentro da freguesia de Silvares, chamava-se Torrão, ou, segundo a linguagem popular, Tarrão, denominação ainda hoje usada por gente do povo.

         Isto mesmo consta dos livros do registo paroquial da igreja de Silvares, nos quais antes de 1842 só se fala do lugar do Torrão, e desse ano em diante é que aparece o nome da Vila a substituir aquele.

         Foi a Câmara Municipal desse tempo que requereu e obteve que o velho Torrão já então povoação importante e cabeça de concelho, fosse elevado a vila com o nome de Lousada, nome que como se vê das Inquirições já existia desde os princípios da monarquia a designar o antigo julgado de Lousada, mas que não proveio da freguesia de Silvares. Eis o extracto do diário do Governo de 14 de Maio de 1842, nº 113 – Ministério do Reino:

         «Achando-se deferida a representação que a Camara Municipal de Louzada dirigiu à Presença de Sua Majestade a Rainha, pedindo que a povoação do Torrão, Cabeça de aquelle Concelho, fosse elevada à cathegoria de Villa com a denominação de Villa de Louzada: Manda a Mesma Augusta Senhora, pela Secretaria d`Estado dos Negocios do Reino, que o Governador Civil do Districto do Porto assim o faça constar à sobredita Camara, afim de que ella solicite da referida Secretaria d`Estado, por seu bastante Procurador, a expedição do necessário Diploma, o qual lhe será entregue com prévio pagamento dos Direitos de Mercê e mais despesas legaes,

            Palácio das Necessidades, em 13 de Maio de 1842. Antonio Bernardo da Costa Cabral.»

Vê-se, pois, e fica bem claro que o nome da actual vila de Lousada data apenas de 1842.

         Temos, por conseguinte, de procurar a origem ou procedência desta denominação noutra parte, fora das freguesias de Cristelos e Silvares. E, como vimos do já transcrito texto das Inquirições desta última freguesia e veremos dos das demais que compunham o antigo julgado de Lousada, já nesse tempo – 1258 – existiam duas freguesias, uma com o nome de S. Miguel de Lousada, que ainda conserva, e outra com o de S. Salvador de Lousada, hoje correspondente a Santa Margarida, que, como sucedeu com tantas outras terras, mudou de orago; é nestas duas freguesias que vamos encontrar a solução do nosso caso.

         Ora existe, efectivamente ainda hoje, na freguesia de Santa Margarida de Lousada e nos limites da de S. Miguel do mesmo nome, um lugar chamado própria e estritamente Lousada. Deste lugarejo, que nesses tempos devera ter sido mais importante ou mais povoado, veio indubitavelmente o nome não só às duas freguesias contíguas, mas a todo o antigo e actual concelho

         Provavelmente esse lugar, hoje quasi desabitado, foi o núcleo duma das duas freguesias que primitivamente existiu, a qual depois com o aumento da população, se desmembrou em duas, como sucede e está sucedendo a outras; ou o lugar continha fogos que pertenciam às duas atuais paroquias e por ele passava a linha divisória delas, como se observa também em outras muitas terras e freguesias; ou, tendo pertencido às duas paróquias, por posterior circunscrição de lugares ou outro motivo, ficou pertencendo só a uma, à de Santa Margarida. Eis o que sucede ainda hoje e sucedeu muitas vezes com várias povoações.

         Além de tudo isto, é de crer que primitivamente a sede do concelho de Lousada que já esteve como veremos, em lugar diferente do antigo Torrão, fosse no dito lugar de S. Miguel ou de Santa Margarida, o qual, ao cabo de seis, sete ou mais séculos, ainda hoje aí está a indicar-nos a proveniência do nome da actual vila, concelho e comarca de Lousada.

         Como Roma deu o nome a todo o império romano, como Portus-Cale deu a denominação a toda a nação portuguesa – para fazermos também citações grandiosas! – a quinta e hoje pequenino lugar de Lousada, na freguesia de Santa Margarida, deu o nome ao actual concelho, à próspera, linda e esperançosa vila de Lousada.

 

 

IMPORTÂNCIA HISTÓRICA E TOPÓNIMO "SILVARES"

 

A Segunda freguesia de que falam as Inquirições e de que se compunha o antigo concelho, ou antes, o antigo julgado de Lousada, Judicatas de Louzada, é S. Miguel de Silvares. Dentro da área desta freguesia é que está hoje, como se sabe, a sede do actual concelho da comarca, e a moderna vila, propriamente dita, do mesmo nome de Lousada; embora pelo lado do poente e sul, a povoação se vá alargando por terreno da freguesia de Cristelos, como vimos no artigo precedente.

          Deste texto latino, cuja tradução literal por brevidade se omite, deduz-se, segundo o que atrás ficou dito, relativamente à igreja de Cristelos, que a igreja de São Miguel de Silvares, como quasi todas as do norte de Portugal, foi fundação de particulares (fundatores, herdatores) e que nada deveu ao estado ou à coroa; que apenas teve por protectora (comenda), contra abusos dos ricos-homens que possuíam terras na freguesia, a Miana (rica e poderosa senhora) D. Teresa, ou Teresa Gonçalves de Sousa, filha das segundas núpcias de D. Gonçalo Mendes de Sousa, rico-homem senhor da casa de Sousa e genro pelo primeiro matrimónio do fundador da monarquia; que nessa data –1258 – a freguesia apenas tinha 24 casais (o que não significa que não tivesse maior número de simples fogos), dos quais 8 pertenciam á Ordem do Hospital ou de Malta; 4 ao mosteiro do Palaciolo (Paço de Sousa) doados pela rainha D. Mafalda; 3 aos filhos e netos de D. Elvira Vasco (Velasco) filha da referida D. Teresa Gonçalves; 4 ou 5 à igreja de São Salvador de Lousada; 1 ao mosteiro de Pombeiro (Palumbarius); 1 a D. Rodrigo Froia, senhor já citado na freguesia de Cristelos onde possuía também terras; 3 ao mosteiro de Vilela no actual concelho de Paredes; 2 a Martinho Domingues de Moniz e seus irmãos; 1 ao Mosteiro de Mancelos e 5 ao Rei.

         Estes 5 últimos casais pagavam de foro anual ao monarca uma espádua (spatula) de porco com 12 costelas; uma taleiga (taliga) de centeio cuja capacidade era de um alqueire, dois , três , e mais ou menos, segundo a época e os lugares: um cabrito; um pato; treze varas de bragal (panos de linho); dois capões; uma scaan (vasilha equivalente a um almude) de manteiga, etc.

         Provavelmente os prédios que pagavam estes foros ao rei eram os que ainda hoje em Silvares constituem o lugar do Reguengo, (terreno ou direito rial regalengo).

         Além destes, outros foros pagavam as terras de Silvares aos seus directos senhores: a vida a voz a calúnia, a pousada aos mordomos, o morabitino, que já atrás ficaram sucintamente explicados o que eram; e a entroviscada (troviscada) que devia consistir, assim como as montarias, paradas, comedorias, etc. em acompanhar ou prestar qualquer serviço nas pescarias que os senhores fizessem nos rios.

Do texto da inquirição de S. Miguel de Silvares deduz-se também uma coisa: que esta freguesia, que nunca se chamou Lousada, nem, antes de 1842, possuía lugar algum, aldeia, povoação ou casa com o nome de Lousada, continha 4 ou 5 casais que eram propriedade da igreja de S. Salvador de Lousada, freguesia limítrofe mas diferente.

A povoação que hoje, e desde 1842, constitui a vila propriamente dita, de Lousada dentro da freguesia de Silvares, chamava-se Torrão, ou, segundo a linguagem popular, Tarrão, denominação ainda hoje usada por gente do povo.

         Isto mesmo consta dos livros do registo paroquial da igreja de Silvares, nos quais antes de 1842 só se fala do lugar do Torrão, e desse ano em diante é que aparece o nome da Vila a substituir aquele.

         Foi a Câmara Municipal desse tempo que requereu e obteve que o velho Torrão já então povoação importante e cabeça de concelho, fosse elevado a vila com o nome de Lousada, nome que como se vê das Inquirições já existia desde os princípios da monarquia a designar o antigo julgado de Lousada, mas que não proveio da freguesia de Silvares. Eis o extracto do diário do Governo de 14 de Maio de 1842, nº 113 – Ministério do Reino:

         «Achando-se deferida a representação que a Camara Municipal de Louzada dirigiu à Presença de Sua Majestade a Rainha, pedindo que a povoação do Torrão, Cabeça de aquelle Concelho, fosse elevada à cathegoria de Villa com a denominação de Villa de Louzada: Manda a Mesma Augusta Senhora, pela Secretaria d`Estado dos Negocios do Reino, que o Governador Civil do Districto do Porto assim o faça constar à sobredita Camara, afim de que ella solicite da referida Secretaria d`Estado, por seu bastante Procurador, a expedição do necessário Diploma, o qual lhe será entregue com prévio pagamento dos Direitos de Mercê e mais despesas legaes,

            Palácio das Necessidades, em 13 de Maio de 1842. Antonio Bernardo da Costa Cabral.»

Vê-se, pois, e fica bem claro que o nome da actual vila de Lousada data apenas de 1842.

         Temos, por conseguinte, de procurar a origem ou procedência desta denominação noutra parte, fora das freguesias de Cristelos e Silvares. E, como vimos do já transcrito texto das Inquirições desta última freguesia e veremos dos das demais que compunham o antigo julgado de Lousada, já nesse tempo – 1258 – existiam duas freguesias, uma com o nome de S. Miguel de Lousada, que ainda conserva, e outra com o de S. Salvador de Lousada, hoje correspondente a Santa Margarida, que, como sucedeu com tantas outras terras, mudou de orago; é nestas duas freguesias que vamos encontrar a solução do nosso caso.

         Ora existe, efectivamente ainda hoje, na freguesia de Santa Margarida de Lousada e nos limites da de S. Miguel do mesmo nome, um lugar chamado própria e estritamente Lousada. Deste lugarejo, que nesses tempos devera ter sido mais importante ou mais povoado, veio indubitavelmente o nome não só às duas freguesias contíguas, mas a todo o antigo e actual concelho

         Provavelmente esse lugar, hoje quasi desabitado, foi o núcleo duma das duas freguesias que primitivamente existiu, a qual depois com o aumento da população, se desmembrou em duas, como sucede e está sucedendo a outras; ou o lugar continha fogos que pertenciam às duas atuais paroquias e por ele passava a linha divisória delas, como se observa também em outras muitas terras e freguesias; ou, tendo pertencido às duas paróquias, por posterior circunscrição de lugares ou outro motivo, ficou pertencendo só a uma, à de Santa Margarida. Eis o que sucede ainda hoje e sucedeu muitas vezes com várias povoações.

         Além de tudo isto, é de crer que primitivamente a sede do concelho de Lousada que já esteve como veremos, em lugar diferente do antigo Torrão, fosse no dito lugar de S. Miguel ou de Santa Margarida, o qual, ao cabo de seis, sete ou mais séculos, ainda hoje aí está a indicar-nos a proveniência do nome da actual vila, concelho e comarca de Lousada.

         Como Roma deu o nome a todo o império romano, como Portus-Cale deu a denominação a toda a nação portuguesa – para fazermos também citações grandiosas! – a quinta e hoje pequenino lugar de Lousada, na freguesia de Santa Margarida, deu o nome ao actual concelho, à próspera, linda e esperançosa vila de Lousada.

 

 

LENDA DE NOSSA SENHORA DE SILVARES

 

A imagem desta Santa apareceu no monte, situado entre as freguesias de Silvares, do concelho de Lousada, e de Santa Maria de Idães, do concelho de Felgueiras, e que por isso foi chamado Monte da Senhora.

Como os da freguesia de Santa Maria de Idães, que iam à lenha ao Alto da Senhora a encontrassem, levaram-na para a igreja da sua freguesia; mas os de Silvares quiseram-na, estabelecendo-se rivalidade entre as duas freguesias. Houve luta, ficando vencedores os de Lousada, que a levaram para a sua freguesia. Mas a Santa, quando lá chegou, desapareceu e foi para o Alto da Senhora, sendo outra vez achada pelos lenhadores de Idães, que conduziram para a sua igreja. Os de Lousada, sabendo que os de Idães já a tinham, tiraram-lhe, e repetiu-se a cena três vezes. Os de Silvares, vendo que a Santa não queria estar na sua igreja prometeram-lhe que A levariam todos os anos em procissão a Idães. Então a Santa fixou residência em Lousada, numa capelinha que lhe construíram e cumpriu-se a promessa bastantes anos.

Nota – A presente lenda refere-se à Nossa Senhora do Rosário que se encontra na capela do Nosso Senhor dos Aflitos, desta Vila. Costuma ainda fazer-se uma procissão de preces à freguesia de Idães nos anos em que a seca prejudica a lavoura. Sucede que, quando a procissão dá entrada na igreja de Idães o andor onde é transportada Nossa Senhora entra de tal maneira que a Santa fique sempre voltada para a entrada ou seja para Lousada.

 

 

 

 
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