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Segunda-Feira, 21.8.2017
 
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HISTORIAL
 

A Freguesia de Coimbrão situa-se na parte mais Ocidental do Concelho de Leiria, confinando com as de Carvide, Vieira de Leiria, Monte Redondo e Guia, e dista, aproximadamente, 23 quilómetros da sua sede concelhia.

Ocupando uma área de cerca de 51 quilómetros quadrados, encontra-se fortemente irrigada pelo rio Lis e afluentes Fora e Negro. Detentora de um considerável património natural, como é exemplo a Lagoa da Ervedeira, em pleno Pinhal do Rei, e banhada pelo Atlântico, numa zona costeira onde se enquadra a Praia de Pedrogão, a única do Concelho, não esquecendo as casas populares-típicas, principalmente na sede da freguesia, desde sempre o Coimbrão exerceu um forte poder atractivo sobre quem o visita.

É desconhecida a data em que as actuais terras desta freguesia começaram a ser habitadas, mas não será um erro supor que a ocupação humana tenha surgido com ligação ao campo do vale do Lis, outrora propriedade real até D. Afonso V e, depois pertença dos fidalgos até à criação da Casa do infantado em 11-08-1654, pelo Rei D.João IV, a favor do seu filho o Infante D. Pedro, mais tarde D. Pedro II. O Vale do Lis fazia parte da Casa do Infantado, cujos rendimentos se destinavam aos filhos reais não príncipes. Ao fundo da povoação, á entrada do campo, encontra-se, ainda hoje, o Marco do Infantado, escurecido pelos séculos e algumas vezes banhado pelas cheias, continua a manter a sua serenidade. Este pequeno marco quase esquecido, terá assinalado os limites de tal senhorio, contando mais de 300 anos. Desfeita a Casa do Infantado, no século XIX, este conservou-se até aos nossos dias.

O povoamento do território que hoje pertence a esta freguesia, estava integrado no Souto da Carpalhosa. Para lá iam os mortos do Coimbrão e lá se faziam os casamentos e baptizados. Em 1589 Monte Redondo tornou-se independente do Souto pela mão do Bispo D. Pedro de Castilho, ficando os habitantes do Coimbrão sujeitos a essa freguesia vizinha, mas não tardou que o bairrismo do povo ocidental começasse a trabalhar para obter também a sua independência, que o Bispo de Leiria D. Dinis de Mello lhe concedeu em 1636.

População formada à luz do Catolicismo, não podia deixar de o mostrar em obras. Segundo o "Couseiro", (livro muito antigo), havia uma ermida, sinal de devoção dos primeiros habitantes da localidade, de invocação de São Miguel e, porque os areais trazidos pelo vento, da parte do mar, eram muitos, sem pinhais nem vegetação abundante que os sustivessem, até davam, segundo a tradição, o nome de S. Miguel das Areias, ao local. No ano seguinte à criação da freguesia, o Bispo Diocesano D. Pedro Barbosa de Eça, autorizou que naquela ermida se dissesse missa.


São Miguel

Contentes por terem adquirido independência paroquial, e certamente, por ser pequeno o dito templo, começaram a edificar um de maiores dimensões. Ao ser demolida a igreja que antecedeu a actual, segundo dizem, foi encontrada uma pedra com a data de 1637 gravada. Actualmente não se sabe onde está essa pedra com apreciável valor histórico. Mas sabemos que a igreja era baixa, com tecto de madeira, traves e barrotes à vista, como eram os hábitos portugueses desses tempos.

Dentro da igreja faziam-se os enterramentos. Passados mais de 200 anos, nos finais do século XIX, verificou-se uma melhoria económica da população local, que se propôs efectuar melhorias no templo, assim, levantaram as paredes, fizeram janelas maiores, alargaram as portas, puseram cantarias nas ombreiras, substituíram o antigo telhado. A velha torre foi também alterada, mantendo-se desde então, até hoje.

 

Contudo com o passar do tempo, vieram as fendas e temeu-se o desabamento. Nos meados do século XX, após discussões mais ou menos acaloradas quanto a fazer uma nova igreja ou a reconstruir a velha, optou-se por um templo novo, com linhas modernas ao sabor da época e a generosidade do povo residente e ausente levado pelo amor, compreensível à terra natal, custeou todas as despesas, dando realidade a um templo cristão no lugar onde existiu outrora, a primeira ermida de São Miguel, o padroeiro da freguesia do Coimbrão.

É claro que as sepulturas há dezenas de anos se tinham deixado de fazer no chão interior da Igreja, passando a ser cavadas em sua volta, no adro, onde havia dezenas de campas de pedra, com grades de ferro. Em meados do século XX as campas antigas foram brutalmente destruídas, sem ter em conta o respeito pelos antepassados, e sem ter a noção do valor histórico e cultural que estes vestígios poderiam dar a gerações futuras. No inicio do século passado foi ordenada a construção de um novo cemitério separado da igreja, com a argumentação de anti-civil, anti-canónico e anti-humanitárias a sua existência junto ao templo cristão, e ainda é o cemitério que serve a freguesia do Coimbrão, desde 1903, ano da sua conclusão.

A origem do topónimo encontra-se relacionada com os primórdios da nacionalidade. A edificação do Castelo de Leiria, em 1135, possibilitou a expulsão dos mouros deste território e o rei D. Afonso Henriques tomando posses destes terrenos, iniciou desde logo, o seu repovoamento com gente vinda sobretudo do Norte de Portugal. Sendo monarca de sentimentos cristãos preocupou-se com a assistência do povo e, sem clero regular, entregou tal missão aos Frades de Santa Cruz de Coimbra, que por cá viveram, ganharam simpatias e tiveram alguns terrenos durante séculos.

O historiador Dr. Luciano Justo Ramos, relativamente á origem do topónimo afirmou que " O coimbrão tirou o seu nome de um antigo casal, cuja Jurisdição, pertenceu, no passado remoto, à Sé de Coimbra e também ao Mosteiro de Santa Cruz, daquela cidade. É mesmo de concluir que, da dependência para com tal Sé ou Mosteiro, provenha o topónimo Coimbrão. Recorde-se, por exemplo, que o caminho para Coimbra tem , no foral de Leiria, de 1510, o nome de caminho Coimbrão".

Das Memórias Paroquiais relativas à freguesia, escritas em 1758 pelo cura António Pereira, destaca-se a referência à mudança da foz do Lis mais para sul e á existência de um lugar denominado Oitavim. Esta referência tem gerado muitas polémicas, pois ainda hoje não há certeza se existiu, tornando-se num dos mistérios que envolvem o passado histórico do Coimbrão e da vizinha Vieira. Muitos têm sido os estudiosos que se debruçam sobre o assunto e nada de concreto concluíram. Dizia o pároco em 1758 do Coimbrão nessa época "nam tem porto de mar nem he capaz de ter pelas muntas areias que sahem do mar; posto que haja alguma tradiçam que antigamente o fora no Rio, que sahe do campo para o mar; entre esta freguesia, e da Vieira, em tempo que sahia mais para o norte, o qual se alagou com areias; e esteve o campo alagado alguns annos, athe que se fes nova foz mais para o sul de que ainda ha pessoas que se lembram de ella se fazer...e tambem consta por tradiçam havia nesse temhuma villa, ou lugar junto ao mar chamado a Villa de Outavim".
A tradição oral é utilizada, desde tempos imemoráveis, na transmissão da história e das estórias que fazem a memória colectiva de um povo. Entre as mais antigas tradições locais, aqui ficam registadas duas, uma relacionada com o seu topónimo e outra com o seu orago.

A primeira refere-se a um homem aqui residente que, por ser de Coimbra ou simplesmente do Casal Coimbrão, era conhecido por este nome, de tal maneira que, segundo a lenda, quando ele, ao domingo, se deslocava a Leiria para participar na missa o sacerdote celebrante, antes de começar a cerimónia, perguntava " - Já aí está o Coimbrão?", e só principiava quando a resposta era afirmativa. Teria sido esse homem o primeiro habitante daquele casal?
A segunda conta-nos que o local era conhecido por S. Miguel das Areias, por haver uma capela dessa invocação no meio das areias predominantes na área. Não é conhecida nenhuma informação escrita sobre esse nome, contudo esta antiga tradição há muito corre entre o povo local e há noticia escrita de que na realidade, ali começou por haver uma ermida dessa invocação religiosa, prova do catolicismo dominante desde o começo entre os moradores, mantendo-se tal uso entre a população, que, uma vez criada a paróquia, logo escolheu São Miguel Arcanjo para seu Padroeiro.
Por outro lado, a fuga um tanto precipitada dos Romanos, quando se deu a invasão dos Bárbaros, as destruições praticadas desonestamente pelos invasores franceses, na primeira década do século XIX, deram origem a narrações mais ou menos lendárias, algumas nascidas também por motivo da apressada evasão dos mouros e, pela reconquista cristã.
Segundo a lenda existe um tesouro no Pinhal do Urso, enterrado por um Frade do Mosteiro de Santa Cruz, em Coimbra, que teria vindo trazer e esconder ali, para o subtrair à cobiça desmedida dos franceses. Conta-se que o religioso coimbrão veio ao Pinhal do Urso, talvez alta madrugada ou de noite, esconder os objectos de prata e ouro (cálices, jóias...) do antigo Mosteiro. Ele faleceu e o local do esconderijo ficou perdido, mas o povo foi transmitindo de geração em geração, esse precioso enterramento. Já neste século, um homem da freguesia, provavelmente devido á sua situação económica, ouvindo falar do assunto, começou a procurar o famoso tesouro, fez escavações por sua conta nos potenciais locais ... no entanto nunca chegou a encontrar o tesouro, que continua à espera que alguém sonhe com ele e vá desenterrá-lo.
No fim do primeiro quartel do século XX, o distinto escritor Aquilino Ribeiro vem passar uma temporada na Praia de Pedrogão e no Coimbrão, e ouve falar da busca e dos esforços para achar o tesouro. Não foi procurá-lo, mas pegou no tema e elaborou com ele um dos seus valiosos romances - "A Batalha sem Fim", o qual dedicou a José das Neves Leal.
Actualmente, alguém que vive em Grou teve uma avó que transmudou a terra da funda cova aberta com o seu carro de bois, conhecendo bem o sítio onde a procura foi feita em vão.

Os primeiros habitantes deste território viviam sobretudo da agricultura, era o seu principal meio de subsistência nessa recuada época. Através dessa actividade económica obtinham as plantas e os animais que, muitas vezes, transaccionavam com povos de outras localidades. A terra era muito arenosa, pobre em húmus, mas muito rica em água, nos poços, nas fontes e no campo do Lis, devido á proximidade do rio. O Rei D. Dinis, mandou abrir valas e rios para que o enxugo dos terrenos pudesse tornar cultivável o solo. Sabemos que, o trigo era a cultura que mais abundava, assim como as hortaliças. Já em 1758, segundo se pode ler no dicionário geográfico do Padre Luís Cardoso, volume 11, n.º 350, páginas 2401 e seguintes, que, então as produções agrícolas de São Miguel do Coimbrão eram principalmente milho e feijão. Ter-se-ia, desta forma, reduzido a cultura do trigo, dando mais importância ao cultivo do milho que veio da Europa na altura dos descobrimentos. Ainda hoje se podem ver enormes e verdejantes milheirais nos campos do Vale do Lis.

Todavia, durante alguns anos o milho foi suplantado por uma cultura nova: o arroz, devido á abundância de água. Introduzida pelos Mouros, esta planta só em meados do século XIX, se desenvolveu no Concelho de Leiria e foi produção importante na Freguesia do Coimbrão.

Muitas das alfaias agrícolas, como, o cabaço, a enxada ou sacho, a charrua, o arado, a grade foice, o forcado, o ancinho, a forquilha, a gadanha, o rodo e a tarara, utilizadas na produção destas culturas foram suplantadas por modernas técnicas agrícolas, embora algumas delas ainda continuem a ser utilizadas pelas famílias mais tradicionais nas pequenas propriedades.

No último quartel do século XX, foi introduzida pela primeira vez na freguesia a cultura do tabaco.

Quanto à industria, apenas há cerca de 100 anos principiou com uma fábrica de cortumes. Por volta de 1904 surge uma rudimentar indústria de telha e tijolo. Durante alguns anos laborou uma fábrica de limas, cujo fabrico era praticamente todo manual, no entanto viria a sucumbir em 1929. Também a indústria dos transportes foi explorada no Coimbrão, no início do século XX, essa indústria resumia-se a uma camioneta que fazia ligação com Leiria, pela estrada de Monte Redondo ao Coimbrão, construída em 1831, transportava passageiros, e/ou fazia serviços de carga e fretes. Mas, numa terra onde abundavam os pinheiros, e devido à experiência adquirida por trabalhadores, que previamente emigraram para a Galiza, era de prever a instalação de serrações de madeira na zona. Actualmente são três as industrias desta matéria prima no Coimbrão.

Segundo alguns testemunhos, as casa de habitação eram construídas com massa de cal e barro (embora já existisse o cimento este só era utilizado pelas famílias mais ricas) com o qual se fabricavam os adobes (feitos de barro que vinha dos barreiros da Salgueira e do Barreiro, moldados em formas de madeira), e madeira de pinho, muito abundante na zona. Devido á sua frágil construção muitas casas acabavam por desabar com facilidade. Mais tarde os adobos foram substituídos por tijolo. Sabemos que a primeira telefonia existente no Coimbrão, foi trazida pelo engenheiro Mário Leal, funcionava a bateria e ouvia-se com auscultadores, isto em 1922. Já em 1931 viria a ser instalada a luz eléctrica, que funcionava através de um motor gerador e acumuladores.

Em 1866 a Junta da Paróquia solicitou ao Rei D. Luís a criação de uma escola para rapazes, embora anteriormente já houvesse na freguesia quem ensinasse a ler e a escrever, visto existirem documentos mais antigos escritos por pessoas daqui. Quanto ao ensino das raparigas, foi elaborada uma petição, dirigida ao Rei solicitando o dito ensino, alegando a ausência de outra escola até Leiria.

Nesta freguesia existe uma Lagoa, cuja idade é incontável e que se encontra na memória de todos quantos na localidade passaram, situa-se no lugar da Ervedeira, no Pinhal do Concelho. O documento escrito mais antigo que dela fala é por certo o "Couseiro", e a ela se refere nos seguintes termos:
"... Neste Lugar da Ervedeira está huma Lagoa, que nunca seca; he grande, e no Inverno inunda muito, cria ruivacos, está o Mar dahi meia legoa." O facto da Lagoa encher e inundar as terras no inverno era importante e apreciado pelos agricultores, pois fertilizava-as.
A pesca também foi explorada, na Lagoa da Ervedeira podiam encontrar-se ruivacos, carpas, salmões e sabogas, no entanto estes peixes foram desaparecendo. Segundo se consta, em meados do século passado, algum produto químico teria morto quase a totalidade dos peixes, que foram apodrecendo nas margens, no seu lugar foram colocados achigans, peixe carnívoro e carpas, que ainda hoje abundam na Lagoa. Os habitantes da Ervedeira utilizando cestos, narsas e enchalavadas ( utensílios feitos pelos homens do Pedrogão que serviam para a pesca) pescavam na Lagoa e iam vender, pelas portas, o peixe à xícara. Actualmente pratica-se pesca desportiva e desporto á vela na Lagoa da Ervedeira.

Ao dirigirmo-nos para a costa encontramos a Praia do Pedrogão, banhada pelo oceano Atlântico, um nome adquirido por ter junto ao mar grandes rochas escalvadas.
Em 1835, dois lavradores abastados do Coimbrão, decidiram montar uma companha (grupo de pescadores) num extenso areal, iniciando a exploração industrial da sardinha. Não havia casas, nem ruas, nada! Só pedras e dunas. Para movimentar o barco, procuraram 40 homens nas Praias mais a Norte. Esses pescadores fixaram-se e fizeram as suas barracas de madeira muito rudimentares. Foram estes os primeiros habitantes do Pedrogão. Era uma gente pobre, um estatuto que poucas alterações sofreu ao longo de muitos anos. Os pescadores utilizavam uma das artes mais antigas de que se tem conhecimento, a xávega, com esbeltos barcos em forma de meia lua, estas embarcações eram a remos. Com o passar do tempo as campanhas sucediam-se, e no inicio do século, aquela praia passou a ser uma das maiores abastecedoras de peixe da região.

Foram surgindo as primeiras barracas de madeira no bairro dos pescadores, e mais tarde, algumas casas "senhoriais". As diversões dos "senhores" limitaram-se durante muito tempo aos convívios no areal, cinema ao ar livre na zona do mercado, piqueniques no pinhal e encontros no café ou nas tabernas. Foi num desses serões que surgiu a ideia de fundar o casino, em 1956. Um ano depois surgiu o novo local de diversão, junto de uma das várias casas de madeira já destruídas, onde se julga ter vivido Aquilino Ribeiro, que no livro " A Batalha Sem Fim" imortalizou a praia. Para dançar nos famosos bailes do casino vinham pessoas de outros lugares e a entrada só era permitida a sócios, familiares e pessoas do mesmo nível social. Naquela altura no período entre o dia 1 de Junho e 30 de Agosto a praia era destinada aos mais ricos, e a partir de Setembro, o areal vestia-se ás "riscas", isto é, era ocupada por camponeses e operários.

Com o passar dos anos as barraquinhas de madeira e as pequenas casas de alvenaria (construídas com tijolos de areão e cimento secos ao sol) deram lugar a prédios imensos que, segundo a população, descaracterizavam completamente uma das praias mais bonitas da região. No entanto estão a ser feitos esforços para que aquela praia continue a ser procurada pelas suas características terapêuticas e a ser um paraíso azul e ao mesmo tempo dourado.

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