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História de Sendim
 
História de Sendim



Administrativamente, a vila de Sendim está integrada na Região do Alto-Douro, Distrito de Viseu, Concelho e Comarca de Tabuaço. Eclesiasticamente rege-se pelas leis episcopais da Diocese de Lamego. Orago é Santa Maria. Porém, em 1320, a padroeira era Nossa Senhora do Pranto; título, que em 1700 ainda conservava.

A Freguesia tem como Sede, Sendim: e os lugares de Aldeia, Paço, Percota, Guedieiros, Bouções, Corte Nova e Cabris. Comporta ainda no seu termo as quintas do Cristelo, Bom Jardim, S. Martinho, Ribeira, Sobral, Fábrica, Carvalha, Cabrida, Valbom, Telheiros, Casal e a Quinta do rio Távora.

Os censos de 2001, conferem à Freguesia 867 habitantes (405 homens e 462 mulheres), distribuídos por 641 fogos.

O padre Manuel Gonçalves da Costa, na História de Lamego, p. 80, diz o Seguinte: Santa Maria de Sendim, gozava do título de concelho e vila de el-rei, administrada por dois juizes ordinários e mais oficiais da câmara, alcaide e capitão-moro Contava em fins do século XVII, cerca de 80 vizinhos. Sendim, que no século XIV se denominava de (Sandim), albergava em 1758, uma população de 919 moradores, repartidos por 312 fogos; sendo 847 pessoas, maiores; 59, menores; e 13 clérigos. No ano de 1836, o número de fogos aumentava ligeiramente e fixava-se em 316.

O espaço geográfico da freguesia é de 22 Km2 e tem como povoações limítrofes: a Norte: Granginha, a sensivelmente 8Km. A Sul: Vilar, aproximadamente à mesma distância. A Este: Riodades, também a 8 Km. A Oeste: Arcos, a 4 Km. A Nordeste: Paredes da Beira, a 15 Km. A Noroeste: fixam-se as freguesias de Chavães e Paradela, rondando os 5 e os 6 Km, respectivamente. A Sudeste: encontra-se Escurquela, a 10 Km. E finalmente, a Sudoeste: situa-se Cabaços, a 8 Km.

A vila de Sendim, dista 15 Km da Sede do concelho e actualmente está bem servida de vias rodoviárias, com ligações a Norte: Tabuaço, Pinhão, Régua, etc. A Sul: Moimenta da Beira, Lamego, Viseu etc.


Nobreza e Soberania (Famílias Importantes)


A vila de Sendim foi outrora berço de aristocratas, fidalgos e soberanos, com potenciais ligações ao poder vigente da época.

Das muitas famílias que tiveram morada na freguesia, existe um lote delas que merece o nosso destaque. Não sendo nossa intenção menosprezar outras que de uma forma ou de outra contribuíram para dignificar a terra.

Entre as mais conceituadas, contam-se as famílias Gouveia Couraça, Mendonça Corte Real, Castilho Monteiro, Guedes (?), Sarmento, Mendonça de Azevedo, Vasconcelos, Macedo Pinto, Soeiro e Rego.

Os Rêgos, foram em tempos senhores de casa opulenta no lugar de Paço; provavelmente a que se encontra em frente ao solar dos Gouveia Couraça. Edifício que pelas características da fachada principal sugerem-nos também uma ligação aos Serviços Eclesiástico, como Residência Paroquial ou então servindo de aposentos nas passagens ou visitas Episcopais, podendo advir daí o nome de Paço (Cimo de Paço).

A Enciclopédia Luso-Brasileira da Cultura, na pa 95, refere-se aos Regos nos seguintes termos. Apelido de origem portuguesa, figurando em documentos do século Xv. Sob a forma Regos, i. é no plural, já se encontra nas Inquirições de 1258. Em L. L. - 4, encontramos que descendem de D. Egas Mendes de Gundar, que casou com Da Maria Veegas. D. Egas Mendes, era filho de D. Mem de Gundar, natural das Astúrias, que veio para Portugal com D. Henrique, jaz em Telões, e foi casado na Galiza com Da Goda. No reinado de D. Sancho II e de D. Afonso III, viveu um tal Lourenço Rego, senhor da Quinta de Rossas, que teve uma filha que casou com Vasco de Freitas, irmão de João de Freitas, e foram pais de Gil de Freitas e de Martim Vasques de Freitas.

As armas antigas dos Regos, são: cor verde, banda ondada de prata, carregada de três vieiras de oiro perfiladas de azul, postas no sentido da banda. Timbre: Uma vieira de oiro entre dois penachos de verde.

Cartas de brasão em 1513, 1529, 1530, 1536 e 1542. Entretanto surgiu nova heráldica nas armas dos Regos; as chamadas armas modernas, que são: de verde, banda ondada de água, de sua cor carregada de três vieiras de oiro, postas no sentido da banda. Timbre: uma das vieiras entre duas plumas de verde picadas de oiro. Cartas de brasão, que vão de 1542 a 1800.

Bibliogr. M. Sampaio. Dicionário Corográfico de Portugal.


Notas e Lendas (Fragmentos da História)

A interpretação deste título diz-nos que estamos perante uma simbiose de temas; uns verdadeiramente reais, outros, meramente fictícios, encontrados dispersos ora nas descrições um pouco duvidosas de alguns autores, ora no vocabulário já gasto e corrompido dos alfarrabistas do povo.

A primeira nota negativa e que muito nos entristece, é o facto de não haver uma explicação verdadeira e correcta sobre as famílias a quem pertenceram os quatro brasões existentes na freguesia, onde apenas um, parece não levantar grandes dúvidas quanto aos seus nobres signatários. Referimo-nos ao escudo honorífico da ilustre família "Gouveia" que encima o pórtico do palacete, hoje pertença do senhor Embaixador José Manuel Cornélio da Silva, na calçada de S. Miguel em Paço.

No lado oposto da rua, sobre o portal de casa solarenga, supostamente antiga residência da prestigiada família "Rego", existe uma insígnia figurada numa concha, que uns dizem relacionarse com o Paço Episcopal, outros contestam a ideia e ponderam a hipótese de serem as armas dos Regos simplificadas, já que as verdadeiras são molduradas com conchas, mas em estilo totalmente diferente. Lamentamos não poder esclarecer esse imbróglio, como aliás acontece com o brasão que está em Sendim, na antiga casa dos Santos, que se diz ser também noutros tempos, casa da Câmara e aposento de nobres fidalgos da família perseguida dos Távoras; e ainda o brasão que moldura o pórtico da casa da família dos Cabrais, em Guedieiros, com as armas que serviram de patente à nobre família que antigamente lá residiu e agora ninguém sabe dizer com clareza a quem pertenceram. Com certeza que os especialistas em heráldica têm a chave que dissipa todas as dúvidas.

Mudando de assunto: Sabem porventura que pelos fins da primeira metade do século XX, aquando da segunda guerra mundial, com os nossos soldados de prevenção, foi criado em Portugal um Corpo Civil de intervenção e defesa do território, designado de Legião Portuguesa e que o Zé-Povo apelidou de «feijão verde», por serem verdes as suas fardas. Na altura, muitos rapazes da freguesia correram a alistar-se nesse exército civil, de modo que foi fundada uma secção ou um pelotão em Sendim e era-lhes ministrada instrução periodicamente no largo do Mercado. O Comandante concelhio era então o senhor Dr. Moutinho de Tabuaço. Acrescentemos ainda a essas tristes recordações da guerra, os horrores da fome que se passou em Portugal: Todos os produtos de primeira necessidade sofreram racionamento e só por meio de senhas o povo tinha um escasso acesso a alguns bens alimentares.


Figuras Públicas

Aqui incluiremos algumas figuras públicas preponderantes ligados às sociedades civil e religiosa, que no desempenho responsável e digno da sua missão, contribuíram para o enriquecimento histórico de um povo, cujos valores essenciais se perderam ao longo dos caminhos milenários do tempo.

A divulgação das personalidades e documentação que se segue, é fruto de uma pesquisa aturada aos arquivos da Junta de Freguesia de Sendim, cujo Presidente amavelmente nos recebeu e nos concedeu acessibilidade aos mesmos.

Desse modo, foi possível consultarmos elementos que julgamos de algum interesse do conhecimento público, que distam do princípio do século XVIII, como por exemplo, nomes de autarcas, regedores, reitores, outros saterdotes vinculados à Colegiada, juizes e mordomos da confraria do Santíssimo Sacramento, bem como outros documentos importantes.


Presidentes de Junta

Só nos foi possível recolher dados da Autarquia local, a partir do ano 1837, quando a presidência fora confiada ao cidadão "Manoel" José de "Souza". Em 1838, foi empossado, José Guedes Sarmento loureiro. Em 1839, tomou o cargo, António Coelho de Magalhães. Em 1840, foi a vez de António Ferreira Serrano, se tornar Presidente da Junta. Em 1841, subiu à Presidência o padre José dos Santos. No ano seguinte (1842), o padre (beneficiado) António Joaquim de "Souza" ocupava o cadeirão de Presidente. Aqui, verificou-se um prolongamento de mandato e só em 1846, o padre Kristóvão de Na sra do Patrocínio tomou a rédea do poder para, em 1848, a deixar nas mãos de outro eclesiástico, o padre Francisco Dâmaso Cardoso. Só em 1851, o padre João do Nascimento de Jesus, tomou o seu lugar.

Uma densidade nublosa ofuscou a luz que iluminava o nosso conhecimento deixando-nos num profundo obscurantismo que nos impede de relatar o que se passara no longo período que medeia os anos de 1851 e 1879, ano em que o cidadão "Manoel" António David é nomeado Presidente. Porém, no ano seguinte, era substituído por Marcelino Pereira. Em 1882, Luís da Silva Cardoso, toma a presidência; para em 1884, a entregar ao senhor António Soeiro da Silva. Em 1885, Egmídio do Carmo é o novo Presidente da Autarquia. No entanto, viria a perder o cargo no ano seguinte (1886) para Aurélio Coelho de Carvalho, que após um ano de exercício, em 1887, também este senhor, o veio a perder em favor de padre Joaquim Pereira de Morais.

E mais uma vez perdemos o rasto aos Presidentes da Junta, fazendo aqui um interregno de, dez anos; para, em 1895, depararmos com Alexandre Abreu dos Reis de "Souza" sentado na cadeira do Poder. Mais vinte e um anos se seguiram sem sabermos nem darmos a saber o paradeiro dos presidentes da Junta; a falta de meios impede-nos de fazer chegar ao leitor todos os nomes dos servidores da Autarquia que então passaram pela chefia da Junta da Paróquia da Freguesia de Sendim; só em 1916, voltamos ao seu contacto, quando Manuel Gonçalves Rego fora investido no cargo. Em 1926, era o senhor João dos Santos Trindade quem exercia essas funções. A partir daí, entre outros, passaram pela Junta de Freguesia, António Júlio de Matos, José Tojal Monteiro, José Augusto da Silva, Manuel Cravo, José Soeiro Santana, José João Monteiro Patrício, sendo actualmente o dito cargo preenchido por o senhor professor Rafael Pereira Santana.

D. TEDON E D. RAUZENDO (Os Távoras)
* textos de Ilídio Coelho extraídos do Livro de sua autoria, Notas Monográficas da Paróquia de Santa Maria de Sendim

Diz-nos a lenda que por volta do ano 991, era de César, quando D. Afonso V e Bermudo 'li, reis leoneses, travavam violentas lutas cóntra os Momos na região Duriense, dois nobres fidalgos, D. Tedon e D. Rauzendo, vieram em seu auxílio e aos quais, Frei Bernardo de Brito, da Ordem de Cister, atribui a reconquista de vasto território a sul da corrente do rio Douro entre o Tedo e o Távora até Sendim; (Cabris) onde permaneceram algum tempo após a tomada de Paredes da Beira na margem oposta do rio.

Filhos de D. Ermigio Ramirez e de Da Dórdida Ozores, netos do Infante D. Alboazar Ramirez (o cid) e de Da Helena Godes e bisnetos por abastardia de D. Ramiro li de leão e da célebre moira Zahara, da estirpe da "Maia", que foi notável na reconquista do litoral do Douro ao Mondego. Os bravos cavaleiros desceram pela província do Minho para conquistar lamego, trazendo na bagagem uma imagem da Senhora da Oliveira de Guimarães, pela grande devoção que ambos tinham à Virgem. Dotados de enorme astúeia e de temível espírito guerreiro, os dois paladinos Cristãos viriam a tomar inúmeras praças aos Mouros. Era nos densos bosques de lugares recônditos e agrestes, protegidos por íngremes falésias rochosas onde a cavalaria inimiga não pousava pata, que os seus pequenos exércitos se refugiavam e de lá partiam em busca de novas conquistas.

Segundo o mesmo autor, o rei mouro Alboácem que à data governava lamego, tinha uma filha de nome Ardinga, ou Ardínia, que exaltada pelos nobres feitos de D. Tedon, tomou-se de amores por ele e ao tomar conhecimento do seu paradeiro, a donzela, acompanhada de uma colaça, deixou o alcácer paterno a coberto da noite e rumou ao seu encontro. Após três dias de jornada por montes e vales, as duas fugitivas alcançaram o eremitério onde o abade Gelásio recebeu a jovem princesa sarracena, comunicando-lhe: Se era o cavaleiro que ela perguntava, ele estava ausente, não prevendo o seu regresso. Ardínia ouviu desgostos a o velho ermitão e decidiu esperar pelo seu amado, propondo-se abjurar naquele momento da sua religião e professar o Cristianismo, pedindo ao eremita que a baptizasse. Ao ser-lhe ministrado o Sacramento de baptismo, a esbelta dama solta um olhar compassivo ao Céu e rejubila de alegria. Uma felicidade efémera; porque seu pai, Vali e senhor da cidade de lamego, ao ter conhecimento da fuga da bela princesa, por si renegada, lança-se em sua perseguição e ao .encontrá-Ia degolou-a e atirou-a ao rio (Távora).

Ao chegar o cavaleiro, foi-lhe contado o trágico acontecimento pelo abade; Amargurado pela triste notícia, D. Tedon, fez voto de celibato e ordenou a sepultura da princesa mártir, no local onde ele e seu irmão mandaram edificar o primeiro mosteiro de S. Pedro das Águias sobre as ruínas da pequena ermida.
Frei Bernardo de Brito, assegura que existia um documento guardado no mosteiro cujo texto era o seguinte: "Pater venit abscondit iIIam, et dominus Thedon, cum id scivisset per Paulum Rodiriei, propter iIIam non quize casare... Ilfe mutavit monasterim de uno loco in alio".

Mas não se queda em pressupostos ou conjecturas hipotéticas a maneira como o cronista assume e romance de D. Thedon com Ardínia, parecendo determinado a incutir no espírito do leitor a veracidade de factos, por ventura criados pela sua imaginação. Diz em certa altura: "Votado ao isolamento, onde rebofam as águas do rio, vemos o «Penedo da Moira» evocando a morte da bela princesa, havendo quem afirme ver os seus trajes estendidos no dito penedo". Não consta em documento algum o tempo de vida do cavaleiro após a morte de Ardínia, todavia, a lenda diz-nos que D. Thedon veio a perecer em combate junto à margem do rio Tedo, que em sua memória, viria a receber o nome do nobre cavaleiro.
A tomada de Paredes da Beira, viria a merecer do controverso cronista da Ordem de Cister especial relevo, referindo com ênfase uma sangrenta batalha travada nas margens do Távora, numa radiosa manhã de S. João.

Foi desta forma que o Frei Bernardo viu... descreveu a tomada de Paredes da Beira. "Os habitantes daquela praça mourisca, tomavam banho e procediam à prática de rituais religiosos, quando foram surpreendidos e consequentemente dizimados por um pequeno exército comandado por D. Thedon que seguia a caminho da conquista de Paredes. O suposto loca! onde se deu a carnificina é ainda nos nossos tempos conhecido por «Vale de Mil» ou «Vale dos Mil» por ali serem mortos milhares de Sarracenos em combate".

 
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